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terça-feira, 18 de setembro de 2012

CARREIRA SOLO

Russomanno esteve com Maluf por 14 anos até carreira solo
Abril de 2011. Celso Russomanno discursa no auditório Petrônio Portella, no Senado Federal, e se lança pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. O evento é um dos pontos altos da convenção nacional de seu partido, o PP, de Paulo Maluf.
Setembro de 2011. Russomanno é protagonista de outro ato de lançamento de pré-candidatura. Agora, na capital paulista. Dessa vez pelo PRB, legenda controlada por membros da Igreja Universal e pela qual ele agora lidera a corrida pela prefeitura com 32% das intenções de voto.
Primeiro ato de Russomanno no novo partido: criticar Maluf, que naquele instante havia acabado de fazer um acordo com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para participar do governo estadual e apoiar um candidato tucano à prefeitura.
Veja a íntegra das sabatinas de candidatos à Prefeitura de São Paulo Russomanno diz que texto criticado pela Igreja é 'opinião de blogueiro' Na TV, candidato do PRB diz sofrer os 'ataques mais baixos' Russomanno usou Câmara para pagar mais uma funcionária.
Foi o acordo Maluf-Alckmin que, semanas antes, tinha inviabilizado a candidatura de Russomanno pelo PP.
No PRB, o ex-deputado federal e apresentador de TV conseguiu o palanque que tanto queria. E Maluf, alguns bons meses depois, acabou aliando-se à chapa de Fernando Haddad (PT).
Desde então, Russomanno tem recorrido a um mantra para evitar falar sobre os 14 anos que serviu ao partido do ex-prefeito: "Quem tem que explicar o Maluf é o candidato petista", repete.
Ao longo de quase uma década e meia no PP, Russomanno já havia pleiteado a candidatura a prefeito de São Paulo em outras duas ocasiões: 2004 e 2008. Maluf ficou com a vaga nos dois anos.
Apesar dos embates com o líder da legenda, Russomanno sempre continuou no partido --que ainda se chamava PPB quando ele se filiou, egresso do PSDB, em 1997.
Russomanno disputou cinco eleições pelo PP. Obteve mandato de parlamentar em 1998, 2002 e 2006, tentou se eleger prefeito de Santo André, no ABC paulista, em 2000 e, em 2010, candidatou-se a governador.
Ele costuma falar do pleito de dois anos atrás como "um inferno", devido a sua alegada relação conflituosa com Maluf. Mesmo assim, fizeram campanha juntos desde o final de 2009, quando foi definida a pré-candidatura.
"Começamos a levá-lo a todas as regiões do Estado. Quando iniciava reuniões com lideranças do interior, ele rasgava elogios: dizia que o Maluf foi o melhor governador que São Paulo já teve", diz o secretário-geral do PP paulista, Jesse Ribeiro, aliado de Maluf.
Em entrevistas e debates, Russomanno defendia projetos e obras de Maluf, inclusive quando questionado sobre as acusações de corrupção contra o então colega de partido. Em debate da TV Record, em setembro de 2010, afirmou: "Ninguém pode negar as coisas boas que ele fez. Ninguém circularia em São Paulo se não fossem todas as avenidas que ele fez".
"Era uma defesa diplomática", diz o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), recém-incorporado ao "núcleo duro" da campanha de Russomanno. "Ele foi marginalizado pelo Maluf, sempre teve divergências pelo comando do PP."
À Folha Maluf disse "colecionar" os elogios que recebia do agora desafeto. "A relação pessoal nunca foi ruim. Ele sempre foi uma pessoa que me elogiou muito. Tenho aqui uma coleção de testemunhos das palavras generosas que ele disse para mim, que eu nem mereço tanto. Ele era um puxa-saco."
No fim de 1999, Russomanno apenas ensaiou uma mudança para o PMDB. Alguns de seus aliados afirmam que a relação teria se deteriorado em razão do aumento das denúncias contra Maluf.
Há controvérsias. No ano seguinte, ele foi apoiado pelo ex-prefeito na eleição de Santo André.
Um integrante do PP brinca que, até 2004, a relação dos dois era "beijo na boca".
MALUF 'EM BAIXA'
"No começo, ele sempre acatava as ordens da liderança. O Maluf era a estrela do partido", afirma Jesse Ribeiro. "Quando Maluf entrou em baixa, ele começou um movimento contra ele."
Em 2004, quando pleiteava disputar a Prefeitura de São Paulo, Russomanno, que presidia o PP municipal, bancou a instauração de uma comissão de ética no partido para investigar as supostas contas de Maluf no exterior.
O objetivo era tirar o ex-prefeito da sigla. Maluf lançou-se candidato e foi homologado em convenção boicotada por Russomanno.
Um acordo pôs fim ao impasse, mas as divergências voltaram depois que Maluf ficou de fora do segundo turno. Russomanno apoiou o tucano José Serra --hoje seu adversário--, enquanto Maluf defendeu Marta Suplicy (PT).
Após a eleição, o PP municipal votou pelo afastamento de Maluf da legenda até a apuração as denúncias contra ele. Não deu em nada.
Dois anos depois, foi Maluf quem mobilizou aliados para pedir à Justiça Eleitoral o afastamento de Russomanno, que à época já era presidente estadual do PP. Uma liminar o manteve no cargo.
Malufistas reclamam da aliança que Russomanno havia firmado com o PMDB em 2006, colocando o irmão Attila, vereador na capital, como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Orestes Quércia.
"Vínhamos daquele momento do Maluf preso. Ele conduziu o processo como queria", diz Jesse Ribeiro.
Em 2005, Maluf e seu filho Flávio passaram 40 dias detidos na carceragem da Polícia Federal em São Paulo, acusados de tentar interferir em um processo movido contra eles por evasão de divisas.
Ainda em 2006, candidato a deputado federal, Maluf elegeu-se com 739 mil votos. Celso Russomanno se reelegeu com 573 mil.
O ex-deputado Vadão Gomes (PP-SP) diz ter sido "mediador" de boa parte dos desentendimentos entre Russomanno e Maluf. Mesmo hoje, ele minimiza as refregas: "Os dissensos foram coisas naturais de dois grandes líderes".
A deputada Aline Corrêa (PP-SP) diz lamentar até hoje a saída de Russomanno: "Vejo com muito pesar. A gente queria trazer o PP um pouco mais para atualidade. O Celso reclamava muito disso, era natural que procurasse outro partido", afirma.
Aline e Russomanno tiveram uma discussão acalorada em 2008, tendo novamente como pano de fundo a eleição municipal.
Ele havia perdido a vaga de candidato para Maluf. Ela fora indicada para vice. Em reunião em Brasília, pouco tempo depois de ela ser oficializada na chapa de Maluf, Aline teria sido ofendida por Russomanno e o empurrou.
Na versão dele, a deputada o "estapeou" e arrancou botões de seu paletó. Hoje, dizem ser amigos.
Russomanno, que ficaria no PP por mais três anos e receberia o apoio de Maluf na eleição estadual, afirmou na época que não quis e "nem aceitaria" ser vice dele "porque quero a minha imagem bem longe da dele".
Para Vadão Gomes, apesar de estar fora do PP, Russomanno "leva sem dúvida um pouco do malufismo com ele". Uma evidência, diz, é o foco que tem dado à segurança pública em seus discursos.
O cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, parece concordar. Para ele, a herança dos votos do malufismo é um dos fatores que ajuda a explicar o bom desempenho de Russomanno nas pesquisas.
"É um eleitorado conservador, que se alinha numa crítica mais forte aos partidos de esquerda. Ele está surfando nessa onda", resume.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ENCONTRO ARRETADO

O evento oficial do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, neste domingo (16), reuniu rivais em disputas de duas das principais capitais do Nordeste, Fortaleza e Recife.  No almoço no Centro de Tradições Nordestinas (zona norte de SP), patrocinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, se encontrou com Humberto Costa, candidato petista à Prefeitura do Recife, e com a prefeita de Fortaleza e presidente do PT no Ceará, Luizianne Lins.
PT e PSB romperam após anos de aliança e trocam acusações nas campanhas das duas capitais. Humberto Costa duela com Geraldo Julio (PSB), ex-secretário de Eduardo Campos, na disputa pela prefeitura da capital pernambucana. Em Fortaleza, o ex-secretário de Luizianne, Elmano Freitas (PT), tem como um de seus principais adversários Roberto Cláudio, afiliado do governador do Ceará, Cid Gomes, que está fora do Brasil e não compareceu.
Clique aqui e leia a íntegra
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sábado, 15 de setembro de 2012

PREFEITURA UNIVERSAL

De forma bem humorada, o Blogão da Eleição proporciona boas gargalhas, mas também desperta o eleitor para tomar uma decisão consciente e muito importante: escolher quem vai comandar a maior cidade da América Latina, São Paulo.

Com o slogan: “De olho no candidato, de boca na enganação”, o Blogão traz os últimos acontecimentos dos principais candidatos à Prefeitura Paulistana. Os debates promovidos pelo Blogão, reflete, de forma engraçada a realidade de muitos políticos.

Com bom humor, as peripécias, histórias e fatos pitorescos que marcaram a vida pública dos prefeituráveis é combustível para esse humor sarcástico, inteligente e ácido do Blogão da Eleição.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ELMANO ASSUME A VICE-LIDERANÇA

Por Leonardo Heffer, do NE10/Ceará

O Partido Democrata continua perdendo espaço na campanha eleitoral em Fortaleza. O candidato Moroni Torgan apresentou 23% das intenções de votos em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Ibope/Verdes Mares. Na última pesquisa, no dia 30 de agosto, o candidato tinha 24% dos votos.

Quem subiu nessa nova pesquisa foi o candidato do PT, Elmano de Freitas, que assume a vice-liderança, com 19% das intenções de votos. Atrás, está o candidato do PSB, Roberto Cláudio com 18%.

Esta é a quarta pesquisa do Ibope feita em Fortaleza e a segunda após o início do horário político no rádio e na televisão.

COMPARAÇÃO - Moroni Torgan, que na primeira pesquisa (30 de julho) apresentava 32% das intenções de votos caiu para 31% (13 de agosto). Na pesquisa do dia 30 de agosto, ele chegou a 24%.

Roberto Cláudio (PSB) começou a corrida eleitoral com 8%, manteve a pontuação na segunda pesquisa, subiu para 16% na terceira. Elmano de Freitas (PT) começou com 4%, subiu para 8%, depois para 14%. Heitor Férrer (PDT) começou com 11%, subiu para 12% e manteve a mesma pontuação na terceira pesquisa. Inácio Arruda (PCdoB) começou com 15%, caiu para 13% e depois caiu para 10%.

ESPONTÂNEA - Na pesquisa espontânea Moroni Torgan (DEM) também lidera com 19% das intenções de votos. Elmano de Freitas (PT) ficou em segundo na pesquisa com 15% e Roberto Claudio (PSB) tem 13%.

REJEIÇÃO - Na pesquisa que mede a rejeição dos candidatos junto ao eleitorado, Moroni Torgan (DEM) também se mantém na liderança. O candidato teve 35% de rejeição na pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13). Inácio Arruda (PCdoB) é o segundo candidato mais rejeitado com 23%. Elmano de Freitas (PT) ficou empatado com 23%. Francisco Gonzaga vem na sequência, com 20% e Roberto Cláudio com 17%.

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DUELO FAMILIAR

A família de Orestes Quércia, morto em 2010, está em conflito por causa de seu inventário. Os dois filhos mais velhos dele, Sidney e Fernando, pediram na Justiça prestação de contas sobre as empresas do pai. Do outro lado está a inventariante, Alaíde Quércia, mulher e mãe de outros quatro filhos do político.
HERANÇA 2
Quércia deixou uma fortuna oficial de R$ 150 milhões, de acordo com documentações entregues à Justiça depois de sua morte. Entre os próprios herdeiros existe a certeza de que uma perícia poderá fazer o valor ser multiplicado por três depois que os bens forem atualizados.
HERANÇA 3
Quércia deixou 26 empresas, como shoppings, fazendas de café, TVs e rádios espalhadas por todo o Brasil.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

RUSSOMANNO NA LIDERANÇA

Do UOL, em São Paulo

A intenção de voto no candidato Celso Russomanno (PRB) subiu para 35%, ante os 31% de levantamento anterior, aponta pesquisa do Ibope divulgada nesta quinta-feira. Os candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) oscilaram na margem de erro e seguem tecnicamente empatados, com 19% e 15%, respectivamente. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nas simulações de segundo turno, o candidato do PRB venceria tanto o tucano quanto o petista se a eleição fosse hoje – por 52% a 25% e 50% a 25%, respectivamente.

O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, aparece em quarto lugar, com 6%. Na pesquisa anterior, do dia 31 de agosto, ele tinha 5%. Já a candidata Soninha (PPS) manteve a mesma pontuação: 4%. Em seguida aparecem empatados Paulinho da Força (PDT) e Carlos Giannazi, com 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13%. Ainda disseram estar indecisos 6% dos entrevistados.

O Ibope ouviu 1.001 eleitores entre os dias 10 e 12 de setembro. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-00835/2012.

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MARTA SUPLICY, NOVA MINISTRA DA CULTURA

Do Blog do Planalto

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (13), na cerimônia de posse da nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, que ela terá à disposição, em 2013, um orçamento de R$ 3 bilhões, valor 65% maior em relação ao orçamento de 2012. Dilma agradeceu a dedicação da ex-ministra Ana de Hollanda à frente da pasta e afirmou que Marta Suplicy estará à altura de transformar a cultura em uma questão central de seu governo.

“A ministra Marta Suplicy vai receber um orçamento que em 2013 chega a R$ 3 bilhões, aos quais se somam outros R$ 2,2 bilhões que podem ser mobilizados pelas leis de incentivo. Trata-se de aumento de 65% em relação ao orçamento de 2012. Isso é um legado importante que a ministra Ana de Hollanda deixa para a Marta Suplicy (…) Certamente todos os militantes e gestores da área cultural querem mais. Não tenho dúvidas que a cultura brasileira merece mais, mas temos feitos no meu governo e no do presidente Lula muito do que é o desejo da nossa área cultural”, disse.

Dilma comemorou a aprovação pelo Congresso Nacional do Sistema Nacional de Cultura, relatado por Marta Suplicy no Senado. A presidenta elogiou ainda a experiência de Marta Suplicy e suas iniciativas no campo cultural quando foi prefeita de São Paulo.

“A ministra Marta tem, pela sua experiência, mas, sobretudo, pela sua força, pelo seus compromissos, os mais diversos, e pelo seu olhar não preconceituoso, pelo seu olhar capaz de acolher diferentes manifestações da civilização e da sociedade brasileira, tem condições plenas de levar à frente essa tarefa que é transformar cada vez mais a cultura num centro de articulação de todas as grandes políticas do nosso país”, disse.

No discurso de posse, Marta afirmou que pautará sua gestão pelo diálogo com todos os setores da cultura. Ela disse também estar orgulhosa por poder contribuir com o governo em uma área que aprecia e considera relevante para o país.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

EMBOLA A DISPUTA

Por Érico Firmo, do O Povo

Moroni tem oscilação negativa de dois pontos. Roberto Cláudio e Elmano oscilam um ponto para cima. Heitor sobe quatro pontos e encosta nos líderes.

Eleição cada vez mais imprevisível para prefeito de Fortaleza. Moroni Torgan (DEM) não está mais isolado, tecnicamente, na liderança. Ele aparece com três pontos percentuais a menos na terceira rodada da pesquisa O POVO/Datafolha e tem agora 22% das intenções de voto.

Roberto Cláudio (PSB) teve oscilação positiva de um ponto percentual e, com 17%, já aparece em situação de empate técnico com o candidato do DEM. Elmano de Freitas (PT) também oscilou um ponto para cima e chegou a 16%.

Considerado o limite máximo da margem de erro, o petista também poderia estar com o mesmo percentual de Moroni. Com a margem de três pontos percentuais para mais ou para menos, o candidato do DEM pode ter um mínimo de 19% e um máximo de 25%. Já Elmano pode ter entre 13% e 19%. Entretanto, o Datafolha considera essa hipótese estatisticamente improvável, pois lida com situações-limite.

Novidade nessa rodada de pesquisa é o desempenho de Heitor Férrer (PDT). O candidato cresceu quatro pontos percentuais e chegou a 14%, situação que já o coloca em empate técnico com os dois candidatos das máquinas governistas – Roberto Cláudio e Elmano.

No bloco de baixo, Renato Roseno (Psol) passou de 5% para 8%. Inácio Arruda (PCdoB) teve oscilação negativa de um ponto e ficou com 6%.

Marcos Cals (PSDB) foi de 5% para 3%. Os demais candidatos não chegaram a 1%.

Votos em branco, nulo e os que dizem não votar em nenhum dos candidatos somam 5%. Os eleitores que dizem não saber em quem votar são 8%.

Metodologia

A pesquisa foi realizada na segunda-feira e ontem. O Datafolha ouviu 831 eleitores. O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) com o número CE-00039 / 2012.

Quando

Entenda a notícia

A pesquisa foi realizada após três semanas de Horário Eleitoral no rádio e na televisão e já mostra o impacto mais consolidado do palanque eletrônico na eleição de Fortaleza.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

CAMPANHA MILIONÁRIA

Do UOL, em São Paulo

Líder nas pesquisas com 35% das intenções de voto, o candidato do PRB a prefeito de São Paulo, Celso Russomanno, gastou até agora menos de um décimo do investido pelo rival Fernando Haddad (PT), que tem a campanha mais cara do país.

Depois de dois meses de campanha, Russomanno declarou à Justiça Eleitoral ter gasto R$ 1,3 milhão.

O petista, que tem 16% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com José Serra (PSDB) em segundo lugar, teve despesa 11 vezes maior: R$ 16,5 milhões. O tucano disse ter gasto a metade deste valor: R$ 8,4 milhões.

Só com marketing, Haddad gastou mais que toda a campanha de Russomanno: R$ 3 milhões repassados à Polis, empresa do publicitário João Santana.

Outros R$ 2,9 milhões já haviam sido investidos no aluguel de carros de som. O PT ainda declarou gastos de R$ 1 milhão com advogados e R$ 960 mil com a assessoria de imprensa de Haddad.

O volume de investimentos explica a presença maior da propaganda petista nas ruas da cidade. O coordenador da campanha, Antonio Donato, afirmou que os gastos estão dentro do programado.

"Como o eleitor não conhecia Haddad, tivemos que antecipar muitas despesas para espalhar o rosto e o nome dele nos bairros, com apoio dos candidatos a vereador."

Os petistas disseram ter arrecadado R$ 10 milhões até aqui. Deste valor, quase 90% foram contabilizados como repasses do partido -- são as chamadas doações ocultas, em que a origem dos recursos não é discriminada.

O expediente é permitido pela Lei Eleitoral e, segundo Donato, atende a pedidos das empresas. "Os doadores preferem assim. Para nós, tanto faria divulgar", disse.

TOSTÃO

Russomanno investe no mote do "tostão contra o milhão", que elegeu Jânio Quadros prefeito pela primeira vez em 1953. "Estou fazendo uma campanha bem humilde", diz. "Estou conversando aos poucos com empresários, mas ajudas são bem-vindas."

O grosso da campanha é bancado com recursos públicos: o PRB repassou R$ 850 mil que recebeu do Fundo Partidário, mantido pela União, para o candidato.

Seus principais gastos são em panfletos no seu programa de TV --cerca de R$ 300 mil, 15% do que gastou Haddad. Ele tem apenas 2 minutos no horário eleitoral.

O marqueteiro Ricardo Bérgamo não aparece na contabilidade oficial. Ele disse trabalhar de graça para a campanha. (PAULO GAMA, BERNARDO MELLO FRANCO, DIÓGENES CAMPANHA E DANIELA LIMA).

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RENASCER APOIA RUSSOMANNO

Por Julianna Granjeia, do UOL, em São Paulo

Após flertar com a candidatura à Prefeitura de São Paulo de José Serra (PSDB), a Igreja Renascer fechou apoio a Celso Russomanno, do PRB --partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

O apoio da igreja evangélica, comandada pelo apóstolo Estevam Hernandes e pela bispa Sônia, foi negociado pelo deputado estadual Campos Machado (PTB) --responsável pelo conselho político da campanha de Russomanno.

Machado se reuniu na semana passada com o deputado federal Marcelo Aguiar (PSD-SP), representante da igreja na bancada. O apoio foi formalizado nesta semana.

Em evento promovido pela FGV (Fundação Getulio Varga), na tarde desta quinta-feira (6), Russomanno --que se declara católico-- afirmou que não comentaria mais sobre religião.

"A imprensa tem dado muita ênfase a isso. Minha campanha tem pessoas de todas religiões, inclusive ateus. Quem é católico vai ser perseguido agora? Quem é evangélico vai ser perseguido? São todos brasileiros, eleitores e cidadãos. Isso é perseguição à igreja, às pessoas, é um absurdo. Não estamos disputando cargo de papa, mas sim de prefeito", afirmou o candidato hoje, durante conversa com alunos da faculdade.

O presidente nacional do partido de Russomanno e coordenador da campanha é Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. O pastor Vinicius Carvalho, também licenciado da igreja, é presidente estadual do PRB e responsável pela agenda do candidato.

Pereira foi vice-presidente da Record antes de ser presidente do PRB.

Problemas na Justiça

Em junho deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o arquivamento de uma ação penal contra fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, que corria na Justiça Estadual de São Paulo por suposta prática de lavagem de dinheiro.

Eles eram acusados de comandar uma organização criminosa que utilizava a estrutura religiosa e de empresas vinculadas à Igreja para lavar o dinheiro.

A denúncia apontava que eles arrecadavam grande volumes de dinheiro dos fiéis, que eram "ludibriados" pelo casal.

Ainda de acordo com acusação, os recursos eram utilizados em proveito do casal e de terceiros, "desvirtuando as atividades eminentemente assistenciais e aplicando seguidos golpes".

Estevam e Sonia chegaram a ser presos nos Estados Unidos, em 2007. Quando chegavam àquele país, eles declararam que não carregavam mais de US$ 10 mil, mas portavam US$ 56 mil.

No dia 22 agosto, a Justiça paulista condenou a Igreja Renascer em Cristo a pagar 50 salários mínimos (cerca de R$ 30 mil) de indenização a Matheus Ribeiro Nascimento, uma das vítimas do desabamento de um templo religioso na zona Sul de São Paulo, em 2009. Desde o ocorrido, a Igreja Renascer tem colecionado derrotas na Justiça.

A Justiça também estipulou que Luiz Flavio Vieira Jurity deveria ser indenizado, em R$ 51 mil, por ter sofrido um corte na cabeça e uma fratura no fêmur em virtude da queda do telhado do templo.

O desabamento do templo deixou nove mortos e mais de 100 feridos.

Após as controvérsias, o jogador do Real Madrid Kaká e sua mulher Caroline Celico deixaram de frequentar a igreja, em 2010.

Fiéis

Segundo dados do último censo do IBGE, divulgado em junho deste ano, houve uma expansão das religiões evangélicas, que atraíram 16,1 milhões de fiéis em dez anos e hoje somam 42,3 milhões (22,2% da população).

Dentre as religiões evangélicas, as que tiveram maior expansão foram as de origem pentecostal, como Assembleia de Deus e Evangelho Quadrangular.

As religiões de origem pentecostal têm forte presença entre a população jovem, especialmente entre as mulheres em idade reprodutiva, e na periferia.

Já o catolicismo perdeu 1,7 milhão de adeptos entre 2000 e 2010. Com o recuo, o número de católicos no país chegou a 123,3 milhões --64,6% da população.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em julho, o ministro Marcelo Crivella (Pesca), bispo licenciado da Igreja Universal, defendeu Russomanno como candidato a prefeito de São Paulo mais próximo do eleitor evangélico.

O ministro elogiou ainda Russomanno pela atuação no Congresso "em defesa da família e da vida".

Líder

Russomanno é líder nas pesquisas. No último levantamento Datafolha, divulgado nesta quarta-feira (5), o candidato do PRB aparece com 35% das intenções de voto. Ele cresceu quatro pontos em relação ao último levantamento, realizado no dia 29 de agosto.

O tucano José Serra está em segundo lugar, com 21%, empatado tecnicamente com Fernando Haddad (PT), que tem 16%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Gabriel Chalita (PMDB) aparece com 7%, seguido por Soninha Francine (PPS), que tem 5%. Paulinho da Força (PDT), Carlos Giannazi (PSOL), Eymael (PSDC) e Ana Luiza (PSTU) têm 1% e os candidatos Levy Fidélix (PRTB), Anaí Caproni (PCO) e Miguel Manso (PPL) foram citados por menos de 1% dos entrevistados.

Os brancos e nulos somam 8%. Os indecisos chegam a 4% do total.

O levantamento foi realizado nos dias 3 e 4 de setembro de 2012 e o Datafolha ouviu 1.078 eleitores. A pesquisa está registrada no TRE-SP com o número SP-00711/2012.

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INDEPENDÊNCIA OU MORTE, 190 ANOS

No dia 7 de setembro de 1822, numa viagem a São Paulo, Dom Pedro recebe as exigências das Cortes. Irritado, reage proclamando a Independência do Brasil. A separação política entre a colônia do Brasil e a metrópole portuguesa foi declarada oficialmente neste dia.

Ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal.

Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal.

Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o Príncipe foi aclamado Imperador com o título de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na Capital.

Leia mais sobre a Independência do Brasil.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

TROCA DE FARPAS

Por Hanrrikson de Andrade, do UOL, no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), e o seu principal adversário na disputa, Marcelo Freixo (PSOL), protagonizaram um duelo repleto de acusações de "leviandade" durante o debate Folha/Rede TV, promovido na noite desta quarta-feira (5). Pela primeira vez, o peemedebista respondeu às afirmações do adversário sobre uma suposta ligação do governo municipal com as milícias.

Paes argumentou não ser necessário "pedir ficha de antecedentes criminais" para participar de reuniões em seu gabinete (em referência a uma fotografia que mostra o candidato à reeleição em uma mesa com milicianos), e afirmou que Freixo "deveria ler o seu próprio relatório" --referindo-se à CPI das Milícias, da qual o deputado estadual foi presidente--, ironizando o fato de um ex-candidato a vereador do PSOL ter sido identificado como um dos citados pela CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio.

"É leviandade, sim. Tenho 20 anos de vida pública, uma vida limpa e correta. Ninguém aqui é perfeito, mas temos feito muita coisa na cidade. Isso é uma mistura de leviandade com desespero. Você sempre evoca o seu relatório da CPI para questionar as pessoas que estavam na sala com o prefeito. Pelo visto, nem eu e nem o seu partido temos o hábito de pedir antecedentes criminais", disse o prefeito.

"Fico impressionado porque o PSOL teve um candidato a vereador ligado às milícias. Outro dia você andou na Rocinha com uma vereadora que teve um assessor preso por se relacionar com o Nem", completou Paes, que já sido associado às milícias pelo adversário na Sabatina Folha/UOL, na semana passada.

No debate, Freixo voltou a ligar o atual chefe do Executivo carioca ao crescimento das milícias. Segundo o candidato do PSOL, ao falar do transporte alternativo na cidade, a relação do governo municipal com os grupos paramilitares "é profunda". "No transporte alternativo, a relação das milícias com a prefeitura é profunda. Esse é o principal braço econômico da milícia e a prefeitura tem responsabilidade sobre esse crescimento", afirmou.

"Esse é um bom debate. As milícias não cresceram sozinhas. Todo miliciano é dono de centro social, e muitos tem parceria com a Prefeitura do Rio. A milícia é uma máfia: eles estabelecem o domínio territorial com um projeto de ocupar o espaço eleitoral. Eles ajudaram a eleger muita gente, é uma máfia com projeto de poder. Basta ver que eles têm bases na Câmara", disse.

Relação com a Delta

Paes também afirmou durante o debate Folha/Rede TV! que não há irregularidades nos contratos sem licitação firmados pelo governo municipal com a Delta Construções, empresa que é alvo da investigação de uma CPI em Brasília. O peemedebista argumentou que a maioria desses contratos foi feita em função das enchentes de abril de 2010.

"Todos esses contratos foram feitos de forma muito transparente. Foram contratadas inúmeras empresas logo após a enchente de 2010, que afetou a cidade e os investimentos. Tenho muita tranquilidade com os contratos do município. A prefeitura contratou a Delta como contratou várias outras. São mais de mil empresas fazendo obras", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre o silêncio do empreiteiro Fernando Cavendish, ex-proprietário da Delta Construções, Paes respondem em tom de irritação:

"Tem que perguntar para ele. Se o empreiteiro ficou calado, o problema é dele. Ele que toque a vida dele. Compete a ele explicar os pecados que cometeu ou não na CPI".

Leite no ataque

O candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, Otávio Leite, que ocupa o quarto lugar na corrida eleitoral segundo pesquisa do Ibope (3% das intenções de voto), adotou uma estratégia ofensiva em relação ao candidato do PSOL, Marcelo Freixo, considerado o principal adversário de Paes para um possível segundo turno. No primeiro bloco, os dois trocaram farpas em temas como tributos e gestão da saúde.

Leite abriu o debate perguntando para Freixo sobre uma de suas propostas sobre o IPTU no Rio. Segundo a argumentação do Tucano, o adversário pretende elevar o valor do tributo. Freixo rebateu a crítica do pleiteante do PSDB ao afirmar que ele estava com problemas de "leitura e aprendizagem".

"A nossa proposta é a de revisar todas as tarifas. É muito caro viver no Rio, principalmente por causa da especulação imobiliária e dos imóveis vazios", afirmou.

Em suas considerações finais, no quinto bloco, o Tucano voltou a alfinetar o adversário: "Não transferi o meu título há um ano só para ser prefeito da cidade", disse Leite, referindo-se ao fato de Freixo ter transferido seu título de Niterói para o Rio no ano passado.

Maia defende o pai

Já Rodrigo Maia (DEM) foi incisivo ao defender a gestão do pai, o ex-prefeito César Maia (DEM), atualmente candidato a vereador.

Questionado pelo atual prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), sobre a situação da educação e o fim da aprovação automática (implementada na gestão do pai de Rodrigo Maia), o candidato do DEM respondeu:

"Você nega o seu passado. Você troca de partido e também troca de ideias. Você não tratava assim o ex-prefeito César Maia."

Leia mais sobre as eleições no Rio de Janeiro clicando aqui.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

FÉ REPUBLICANA

Por Vera Rosa / Brasília - O Estado de S.Paulo

Santa associada à solução de problemas difíceis tem lugar especial no Alvorada

Ela desembarcou em Brasília há dez dias, vinda da Bahia, com a missão de proteger o governo de todo o mal e livrar a Esplanada das aflições do cotidiano. Chegou a se acomodar ao lado da mesa de trabalho de Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, mas, com medo de que fosse levada ao chão, a presidente instalou a nova companheira no Alvorada. Confeccionada em argila, a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que Dilma ganhou de presente, é hoje o seu xodó.

"Ela tem muito ciúme dessa peça", conta o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Em temporada de eleições municipais e julgamento do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, não faltam nós para o governo desatar na seara política.

O radar de Dilma, porém, está mais sintonizado nas amarras econômicas. "Noventa por cento dos problemas que tomam conta da cabeça dela são ligados à crise e em como retomar o crescimento num nível elevado, sem risco", diz Carvalho. Enquanto a presidente procura soluções para desobstruir "gargalos logísticos" e se debruça sobre os entraves em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, há embaraços de todos os tipos com os aliados. A base de apoio do governo está dividida no Congresso, parlamentares reclamam de falta de atenção e candidatos a prefeito rogam pela presença de Dilma nos palanques.

Bem ao estilo Jânio Quadros, famoso por dar broncas nos subordinados por escrito, ela adotou agora os "bilhetinhos" para mandar recados aos ministros, como fez na quinta-feira, quando desautorizou acordo fechado com a bancada ruralista para aprovar, em comissão, a Medida Provisória do Código Florestal.

Escorregão. Na cobrança, Dilma escorregou no português. Escreveu "porque" junto quando, na pergunta, deveria ser separado. "Porque os jornais estão dizendo que houve um acordo ontem no Congresso sobre o Código Florestal, se eu não sei de nada?", indagou, em bilhete endereçado às ministras Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

"Cada dia com sua agonia. Esses nós não estão na minha ossada", afirma, bem humorado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazendo um trocadilho com as palavras. "Aqui eu tenho problema com índios, Polícia Federal, greves, consumidor, Judiciário... Rezo para que, agora, Nossa Senhora Desatadora dos Nós nos ajude a ter apenas um nó por dia para resolver."

A santa de que Dilma tanto gostou foi uma lembrança de Emília Almeida, presidente do Instituto Mauá, repartição ligada ao governo baiano. De autoria do artesão Rosalvo Santana, a imagem é destaque do livro Santeiros da Bahia - Arte Popular e Devoção e consta que tem o poder de libertar os mortais das agruras da vida.

Dilma também convive, em seu gabinete do Planalto, com três imagens de Nossa Senhora Aparecida e uma Imaculada Conceição. Apesar de raramente ir à Igreja, ela é fã de Nossa Senhora.

"É bom rezar porque, depois da eleição, ninguém sabe como os aliados vão voltar para o Congresso. A presidente precisa fazer um carinho ao PT, dizer que a gente existe. O Supremo Tribunal Federal é um nó cego mesmo, que não conseguimos desatar", atesta o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), numa referência à condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no julgamento do mensalão.

Nuvens negras. Do lado de lá, a oposição enxerga mais nuvens negras no horizonte. Para o deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, o conflito de petistas com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda trará dissabores ao Planalto. "O PT vai mal no Nordeste e há derrotas anunciadas no Recife, em Salvador, Fortaleza e Teresina", diz Guerra. "A maioria que está com Dilma não gosta dela nem ela gosta da maioria que tem."

Com diagnóstico semelhante, o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), avalia que Dilma enfrenta "conflito ideológico" no governo por causa da decisão de fazer concessões à iniciativa privada. "Quero ver se ela terá coragem para desfazer o grande nó do Brasil, que é o aparelhamento do Estado, ou se vai dar um nó em todo mundo", provoca Agripino. À espreita, Nossa Senhora Desatadora dos Nós faz vigília na residência oficial do Alvorada. Bem perto de Dilma.

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

O SEGUNDO ROUND

Do UOL, em São Paulo

O debate Folha/RedeTV!, que ocorreu na noite desta segunda-feira (3), foi marcado pela troca de acusações entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto. Três pedidos de respostas foram feitos, mas a organização não concedeu nenhum. Este foi o segundo debate realizado desde o início da campanha.

No primeiro bloco, Gabriel Chalita (PMDB) escolheu José Serra (PSDB) para fazer a sua pergunta e escolheu tema já abordado em debate anterior e em seus programas eleitorais.

"O senhor fechou as escolas em tempo integral. O senhor fechou ou não fechou?"

"Ninguém fechou nada", respondeu Serra, que afirmou que Chalita assinou o decreto criando a escola em período integral três meses antes de sair da secretaria.

"Esperou quatro anos para colocar pra frente, ou seja, era pra outro tocar, não tinha recursos, não tinha preparação, não tinha espaço, ninguém fechou nada. O governo do Lembo, anterior ao meu, começou a ver como poderia trabalhar com isso, hoje deve ter 300 escolas nessa condição", respondeu o tucano.

"Foi uma pena ele ter fechado as escolas em tempo integral", disse Chalita, na réplica.

Serra afirmou que Chalita estava mentindo e que não tinha “praticamente nada” para apresentar.

"Quem disse que não conhecia o Paulo Preto não fui eu. Quem disse que não nomeou o Aref não fui eu. Quem disse que não sairia da prefeitura não fui eu", rebateu Chalita, que deixou o PSDB após desavenças com Serra, então governador.

Paulo Preto foi diretor da Dersa, acusado de sumir com dinheiro da campanha do tucano em 2010. Em um primeiro momento, ao ser questionado sobre o episódio, Serra afirmou desconhecer o ex-diretor da estatal. Souza nega as acusações.

Serra e Chalita pediram direito de resposta, mas foram negados pela organização do debate.

Soninha Francine (PPS) questionou Fernando Haddad (PT) sobre o apoio de Paulo Maluf (PP). "Haddad, e o Maluf?”.

O petista afirmou que não ia "fulanizar" a política.

"Eu faço aliança com partidos políticos", afirmou Haddad, que aproveitou para citar o apoio de Roberto Jefferson, do PTB, a Celso Russomanno, e de Valdemar Costa Neto, do PR, à Serra.

Jefferson e Costa Neto são réus no processo do mensalão.

Haddad, por sua vez, escolheu o líder nas pesquisas Celso Russomanno (PRB) para responder sobre transporte. O petista perguntou porquê o candidato do PRB é contra a sua proposta do Bilhete Único Mensal.

“Gostaria muito de conhecer seus números, eu não tenho problema nenhum em implantar se for possível. Mas quero que você mostre os estudos porque propaganda enganosa é crime, sou especialista em defesa do consumidor”, afirmou Russomanno.

Haddad respondeu em sua réplica que a equipe que criou sua proposta é a mesma que fez o Bilhete Único da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

"Ela também foi muito criticada na época. Eu não consigo compreender como uma cidade rica como são Paulo não pode conceder um benefício como esse que já existe em outras grandes cidade do mundo”, respondeu o petista.

"Não adianta a gente cuidar só do valor, a gente tem que cuidar da qualidade. E é isso que estou mostrando em meu programa. Os ônibus são feitos em chassi de caminhão, estão acabando com o rim das pessoas, tem que cuidar da qualidade também. E ai se funcionar porque aí o negocio vai cantar", disse Russomanno em sua tréplica.

Rejeição

Ao ser questionado pela jornalista da Folha Vera Magalhães sobre os índices de rejeição e se ele acha que o eleitor de São Paulo o está responsabilizando por uma gestão mal avaliada do prefeito Gilberto Kassab (PSD), Serra justificou o número dizendo que é o mais conhecido entre os prefeituráveis e, por isso, tem mais eleitores que dizem não votar nele.

"Não fui eu quem deu a ele [Kassab] a prefeitura. Ele foi eleito com 61% dos votos contra a Marta", afirmou o tucano. "Esse é um assunto que vai ser resolvido na eleição e não em pesquisa", completou.

Vera pediu para Haddad comentar a resposta de Serra. Haddad afirmou que concorda que Serra seja o candidato mais conhecido e que, por isso, se expõe mais, porém diz que vê em São Paulo um sentimento por mudança, e não continuidade.

Na réplica, Serra lembrou que Lula perdeu várias vezes eleições.

"As derrotas me ensinaram. As vitórias também me ensinaram", afirmou.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, 43% dos eleitores dizem que não votariam no tucano.

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

BRASIL, OLHA A TUA CARA

Por Marta Suplicy, publicado na Folha de S. Paulo

Ouço, com espanto, Ana Maria Braga falar que "não importa se a pessoa é solteira, católica, evangélica" numa confusão de situações -casos não muito diferentes dos encontrados na primorosa série de reportagens de "O Globo" sobre o último Censo do IBGE (2010).

Para a população brasileira hoje, as informações e os arranjos familiares são tão diversos que, como dizia um amigo meu, "não há o que não haja". Um homem pode estar casado com outro homem, a mulher solteira pode ser casada há anos e o casal recém-casadinho pode ter vários filhos.

As mulheres já assumem a responsabilidade por 38,7% dos lares (há dez anos, a chefia feminina era em 24,9%).

E o interessante é que elas se colocam como chefes de família não só quando não existe um cônjuge, mas quando ele existe e ela ganha mais ou conduz o negócio familiar. Isso é novo e merece mais atenção.

A diversidade é tal que podemos dizer que o Censo 2010 captou uma gigantesca mudança, que é a ponta de um iceberg de novos arranjos familiares ainda não estudados.

O IBGE não mede casados em casas separadas e filhos que moram, em guarda compartilhada, em duas residências. No entanto já sabemos a existência de 60 mil casais gays formados, em sua maioria, por mulheres (53,8%).

Temos também o surpreendente número de netos morando com avós e a família chamada "mosaico" (a do meu, do seu e dos nossos filhos). Assim como amigos que moram juntos sem laços de parentesco (400 mil) e os "Dinks", sigla em inglês referente à dupla renda e nenhum filho, que somam dois milhões de casais.

Menos filhos, mais independência e renda feminina foram fatores decisivos para essas modalidades que prenunciam um século diferente.

O caldo cultural acumulado na segunda metade do século 20, que permitiu a separação sem marginalização social, a pílula anticoncepcional, o divórcio e o maior acesso ao estudo (na TV, a novela "Gabriela", baseada no livro de Jorge Amado, nos lembra direitinho como era a condição da mulher e sua posição na família), foi motor para o que hoje acontece. E ainda não temos a dimensão da influência da globalização e da internet.

Falou-se que a família ia acabar, tal como os conservadores disseram quando a mulher conquistou o direito ao voto. Entretanto a família se adapta. Ela se renova, mas os laços afetivos continuam preponderantes.

Concluindo, a pesquisa indica que a família tradicional já não é mais maioria no Brasil. Ela corresponde a 49,9%. E agora Congresso? Não dá mais para ignorar o mundo dinâmico no qual vivemos nem permitir que setores conservadores inviabilizem a votação de leis que incorporem o que a sociedade já vive plenamente.

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domingo, 2 de setembro de 2012

HERANÇA PESADA

Artigo de Fernando Henrique Cardoso, O Estado de S.Paulo

A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor. Obviamente, ninguém é responsável pela maré negativa da economia internacional, nem ela nem o antecessor. Mas há muito mais do que só o infortúnio dos ciclos do capitalismo.

Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados. Suspeitas, antes de se materializarem em indícios, são frágeis diante da obsessão por formar maiorias hegemônicas, enfermidade petista incurável.

Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria "apenas" para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times. Pouco a pouco, vai-se formando o consenso jurídico, de resto já formado na sociedade, de que desviar dinheiro é crime, tanto para caixa 2 como para comprar apoio político no Congresso Nacional. Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio.

Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas. Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos. A despeito da abundância de recursos fiscais, deixou de racionalizar as práticas tributárias, num momento em que a eliminação de impostos se poderia fazer sem consequências negativas: a oposição conseguiu suprimir a CPMF, cortando R$ 50 bilhões de impostos, e a derrama continuou impávida.

É longa a lista do que faltou fazer quando seria mais fácil. Na questão previdenciária, o único "avanço" não se concretizou: a criação de uma previdência complementar para os funcionários públicos que viessem a ingressar depois da reforma. A medida foi aprovada, mas sua consecução dependia de lei subsequente, para regulamentar os fundos suplementares, que nunca foi aprovada. As centenas de milhares de recém-ingressados no serviço público na era lulista continuaram a se beneficiar da regra anterior. Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência. Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa...

Mas o "hegemonismo" e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos "projetos de impacto", como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade

elativa. O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzirem navios-tanque para a Petrobrás (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja por meio do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás). Depois do lançamento ao mar do primeiro navio, com fanfarras e discursos presidenciais, passaram-se meses para se descobrir que o custo não fez jus a tanta louvação. Que dizer dos atrasos da transposição do São Francisco, ou da Transnordestina, ou ainda da fábrica de diesel à base de mamona? Tudo relegado aos restos a pagar do esquecimento.

O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas "a fio d'água", cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobrás para que o País descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa. O custo da refinaria de Pernambuco será dez vezes maior do que previsto; há mais três refinarias prometidas que deverão ser postergadas ad infinitum. O preço da gasolina, controlado pelo governo, não é compatível com os esforços de capitalização da Petrobrás. Como consequência de seu barateamento forçado - que ajuda a política de expansão ilimitada de carros com a coorte de congestionamentos e poluição - a produção de etanol se desorganizou a tal ponto que estamos importando etanol de milho dos Estados Unidos!

Com isso tudo, e apesar de estarmos gastando mais divisas do que antes com a importação de óleo, o presidente Lula não se pejou em ser fotografado com as mãos lambuzadas de petróleo para proclamar a autossuficiência de produção, no exato momento em que a produtividade da extração se reduzia. No rosário de desatinos, os poços secos, ocorrência normal nesse tipo de exploração, deixaram de ser lançados como prejuízo, para que o País continuasse embevecido com as riquezas do pré-sal, que só se materializarão quando a tecnologia permitir que o óleo seja extraído a preços competitivos, que poderão tornar-se difíceis com as novas tecnologias de extração de gás e óleo dos americanos.

É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

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BAIXA PRODUTIVIDADE

Por Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

No ano em que a Câmara Municipal de São Paulo vai se renovar, devido às eleições de outubro deste ano, estudo da ONG Voto Consciente, apresentado nesta quinta-feira, 30, mostrou que dos 587 projetos de lei sancionados nesta legislatura, mais da metade, 298, foram projetos de denominação de ruas e homenagens a pessoas. Apenas 289 eram projetos de mérito, ou seja, que apresentam alguma mudança na cidade.

Esse estudo realizou uma avaliação do trabalho dos 55 vereadores desta legislatura, iniciada em 2009. De acordo com a diretora da entidade, Sônia Barboza, a atribuição de nomear ruas não deveria ser da Câmara.

"Os projetos de denominação de rua são importantíssimos, todo mundo merece ter um endereço. O processo que a Câmara usa é que está errado, é custoso, e não deveria ser feito na Câmara, deveria ser feito na Prefeitura. Eles (os vereadores) perdem tempo, esse tempo poderia ser usado em coisas mais proveitosas para a cidade", opinou Sônia.

Apenas nessa legislatura, foram apresentados 2.577 projetos de lei, dos quais 587 foram sancionados, 185 vetados e os outros 1.805 ainda estão em tramitação.

A avaliação dos vereadores deu nota e traçou um ranking da atuação dos parlamentares. Foram avaliados três critérios: frequência nas comissões, participação nas votações nominais e o impacto dos projetos propostos. A maior nota foi 7,70 e a média geral foi de 5,66.

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sábado, 1 de setembro de 2012

DISCURSO ARROGANTE

Do UOL, em São Paulo

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, afirmou durante a sabatina Folha/UOL, realizada nesta sexta-feira (31), que a acusação do adversário Marcelo Freixo (PSOL) de ter responsabilidade no crescimento das milícias na cidade deve “ser desespero eleitoral".

"O processo eleitoral prevê que os candidatos tenham suas opiniões sobre os outros candidatos. O deputado [Freixo] sabe que eu não tenho relação com milícia, aliás, é um risco enorme politizar o tema da segurança pública. (...) muitos querem ser comentaristas, deve ser desespero eleitoral", disse. Clique aqui e leia a íntegra da sabatina.

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BELÍSSIMAS NAS ELEIÇÕES

O horário eleitoral já começou e a apresentação e a beleza de muitas candidatas têm despertado a atenção de muitos eleitores. Um levantamento feito pelo portal UOL mostra quais são as candidatas mais belas nestas eleições de 2012.

Uma enquete realizada pelo UOL quer saber do eleitor, qual a candidata a vereadora ou prefeita mais bonita deste ano.

Até o fechamento desta postagem, quem liderava a disputa na enquete era a candidata Wanessa Mattos, do PSD, de Jaboatão dos Guararapes (PE), musa do Brasileirão. Clique aqui e conheça as 26 concorrentes ao posto de candidata mais bela das eleições de 2012.

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