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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

DISTÂNCIAS

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S.Paulo
O Brasil fica longe de Davos. Mais que nos mapas, a distância pode ser medida no discurso da presidente Dilma Rousseff no Fórum Econômico Mundial que aconteceu na semana passada na bela e fria estação suíça. Todos concordamos com suas palavras: a educação tem importância estratégica para reduzir a desigualdade social e, ao mesmo tempo, alicerçar uma economia do conhecimento com tecnologia e inovação. Por isso, a educação está entre as prioridades, junto com a infraestrutura, o planejamento urbano, a estabilidade econômica e outras grandes questões definidoras do desenvolvimento do Brasil.
Cinco dias depois, a Unesco divulgou relatório que coloca o Brasil –entre 150 países pesquisados– em 8º lugar no número de analfabetos adultos. Eram 13,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2012, segundo o IBGE. É quase impossível reduzir a taxa de analfabetismo entre adultos, de 8,7% naquele ano, para os 6,7% fixados nas metas da ONU para o ano que vem.
Ontem, lemos nos jornais: os investimentos do Ministério da Educação caíram 13% de janeiro a novembro de 2013 em relação ao mesmo período do ano anterior. O noticiário nos avisa também que a equipe econômica estuda reduzir ainda mais o orçamento da pasta para que o governo recupere a credibilidade perdida desde que foram revelados seus artifícios contábeis para fechar as contas no fim do ano.
Os especialistas indicam o contrário, a necessidade urgente de o Brasil aumentar os investimentos que hoje são de R$ 5 mil para cada aluno da educação básica. Em países ricos, esse valor é três vezes maior. Que não chegássemos a tanto, mas diminuir as verbas da educação é ir em direção oposta.
Para completar, no mesmo dia do discurso em Davos, o governo anunciou o cancelamento da Conferência Nacional de Educação (Conae), que aconteceria em fevereiro, a tempo de pressionar o Congresso na tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE), que voltou para a Câmara dos Deputados depois de modificado, para pior, pelo Senado. Sob protesto dos movimentos de defesa da educação, a Conae ficou para novembro, depois da Copa e das eleições, e o PNE, que deveria ter sido aprovado há três anos, vai atrasar mais um.
É impossível tornar consequente o discurso da presidente enquanto perdurar uma ideia fisiológica e patrimonialista de governabilidade, segundo a qual um ministério pode ser fatiado e distribuído entre partidos aliados. Uma reforma ministerial, mesmo diante de prioridades inegavelmente estratégicas e eloquentemente discursadas, longe de significar novo planejamento de metas de longo prazo, reduz-se a uma redistribuição de cargos com o curto prazo eleitoral. Desse modo, a distância entre o Brasil e Davos só aumenta.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na Folha de S.Paulo.
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LÚCIDO!

Numa visita surpresa a Fidel Castro, a presidente Dilma conversou com o companheiro comunista que não dispensa um agasalho da marca Adidas, símbolo do capitalismo.
Charge do Aroeira
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VOCÊ CONHECE OS 39 MINISTROS DE DILMA ?

Na página da Folha de S.Paulo, tem esse teste pra saber se você conhece os 39 ministros do governo Dilma. Seja rápido porque, pelo menos seis ministros devem deixar o governo para disputar algum cargo nas eleições de Outubro.
Faça o teste (clique aqui), veja quantos ministros você conhece e compartilhe seu resultado nas redes sociais. Fiz meu teste e esse (imagem acima) é o resultado. Estou quase conhecendo (risos) os ministros do governo Dilma.
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

BRASIL POST NA VANGUARDA DIGITAL

Do blog de Marta Suplicy
Recebi Arianna Huffington em minha casa, em dezembro de 2010. Tivemos uma empatia e sintonia imediatas. Falamos das nossas vidas, das respectivas trajetórias profissionais, da condição da mulher em geral, do Brasil, e dos Estados Unidos... Parecia que a gente se conhecia havia muito tempo. Meu filho Supla apareceu, sem avisar, chegando dos EUA, e Arianna estava com a filha, Isabela. A conversa então mudou e foi um almoço muito divertido e descontraído.
Na saída Arianna postou foto nossa em seu twitter e me convidou para escrever para o The Huffington Post. Também contou que gostaria de ter um The Huffington brasileiro e que tinha vindo ao Brasil conhecer melhor o país e as pessoas, movida pela curiosidade sobre o país e com ideia de abrir um jornal digital aqui... Fiquei interessada!
Eu tinha acabado de ser eleita senadora pelo estado de São Paulo.Tomaria posse no ano seguinte (fevereiro de 2011). E depois assumi imediatamente a vice-presidência do Senado; em setembro de 2012, o Ministério da Cultura. O tempo passou. Três anos. Mas, hoje, vejo que o firme propósito de Arianna se concretiza. O Brasil Post é lançado neste dia 28, em parceria com a Editora Abril.
Mais uma vez recebi convite para participar do projeto, escrevendo para a edição de estreia e ainda para colaborar com frequência. É uma satisfação muito grande! Um lançamento jornalístico digital no mercado brasileiro é um marco no nosso caminho para inserção na maior transformação neste século. É levarmos nossa cultura, jeito de ser e fazer para um dos veículos mais ousados e de qualidade da vanguarda digital. É ampliar a conexão brasileira num mundo onde não cabem mais fronteiras. O Post traz a garantia de atualidade, espera-se cobertura abrangente e independente, artigos opinativos de excelência e possibilidade de troca de opinião com leitores. Feliz de participar deste time.
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ALIANÇA DIVINA

“Estamos conversando com todos no sentido de construir um arco de alianças para continuar o nosso projeto de preparar o Amazonas para o futuro, pois sabemos que os desafios do Estado são grandes para os próximos anos”. A afirmação é do senador Eduardo Braga que, durante entrevista à Rádio Difusora, nesta segunda-feira, 27, falou sobre os projetos consolidados e os que ainda estão na pauta de execução.
Com relação ao lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas, Eduardo Braga comentou que ela foi definida com base em duas alianças: uma com o povo do Amazonas e outra com Deus. “Acho que a principal aliança de qualquer candidatura tem que ser com o povo e sigo sempre pedindo a Deus que abençoe e que mostre o caminho. Sempre com bastante humildade e sabedoria para saber ouvir a voz que emana da nossa população. É pra quem eu me curvo. Pra quem eu me ajoelho. É pra quem eu baixo a cabeça”, comentou o senador.
Outro assunto abordado por Eduardo Braga foi o programa “Luz Para Todos”. Ele considerou o projeto um sucesso em todo o país, mas fez uma ressalva: “O programa não pode parar na Amazônia. Em outros estados do país o ‘Luz Para Todos’ já atingiu 100% das metas, mas em nossa região a realidade é outra. Nos estados do Amazonas e do Pará, os dois maiores geograficamente, ainda existem comunidades mais isoladas que esperam a chegada da energia elétrica. Portanto, o programa precisa continuar avançando na Amazônia, e a presidenta Dilma Rousseff sabe disso”, afirmou.
Eduardo Braga também falou sobre a importância da aprovação do Orçamento Impositivo, proposta da qual foi relator no Senado. Ele destacou que a melhoria na saúde do país passa pela contratação de novos médicos e pelo aparelhamento das unidades de saúde. “Para que haja essa melhoria, o Brasil precisa de recursos para fazer esses investimentos. O Orçamento Impositivo garante que 15% da Receita Corrente Líquida da União, até 2018, sejam, obrigatoriamente, investidos na saúde pública. O que significa mais R$ 120 bilhões para o setor”, explicou o senador.
Conteúdo do Portal do Holanda
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SUCESSÃO DIFÍCIL

No ano em que terá como prioridade reeleger a presidente Dilma Rousseff, o PT enfrenta dificuldades para manter o poder em três dos quatro Estados que governa.
Os governadores de Rio Grande do Sul, Bahia e Distrito Federal têm pela frente desafios como problemas de popularidade e rivais fortes. A exceção é Tião Viana, aprovado por 70% no Acre.
A expectativa do PT é ter ao menos 11 candidatos a governador nas eleições deste ano. Mas o foco principal do partido estará centrado na tentativa de conquistar os três principais redutos tucanos –São Paulo, Minas e Paraná.
Também por isso, a missão de governadores como Tarso Genro (RS) e Jaques Wagner (BA) tende a ser ainda mais complicada. Com governos de avaliação mediana, eles vivem cenários semelhantes de popularidade em declínio e oposição em ascensão.
No berço político de Dilma, onde nunca um governador foi reeleito, a falta de celeridade na entrega de obras estruturantes, além de greves em setores-chave da administração, como professores, desgastaram o petista.
Hoje, os principais adversários de Tarso estão na própria base aliada da presidente. A senadora Ana Amélia (PP), por exemplo, lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto PDT e PMDB ensaiam as candidaturas de Vieira da Cunha e José Ivo Sartori, respectivamente.
O governador impôs como condição para tentar um novo mandato a garantia de que Dilma suba exclusivamente em seu palanque. Mas o PT não trabalha com a hipótese de Tarso ficar fora da disputa.
Na Bahia, Jaques Wagner encerra um ciclo de oito anos com altos índices de violência, obras atrasadas e a economia impactada pela seca. E vê o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), com popularidade em alta para impulsionar o nome de seu grupo -o ex-governador Paulo Souto (DEM) ou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).
O desafio do PT será renovar o discurso de 2012, quando o partido defendeu que o candidato deveria ser do "time de Lula e Dilma", mas acabou perdendo na capital. Para outubro, o mote será "continuidade com inovação", com a provável candidatura do secretário Rui Costa.
Agnelo Queiroz (DF) tem situação ainda mais difícil. Eleito em 2010 sob expectativa de renovação após a cassação do ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, hoje PR), ele tem o governo com a segunda pior avaliação do país (9% de aprovação, de acordo com o Ibope).
"Não cumpriu compromissos nem conseguiu manter Brasília livre de escândalos. É um governo cuja cara é um estádio de R$ 1 bilhão", diz o senador Cristovam Buarque (PDT), sobre a reforma do Mané Garrincha, arena da Copa.
Para o presidente do PT local, deputado Roberto Policarpo, o governo "se comunicou mal" com o eleitor. Exceção, Tião Viana é o terceiro mais bem avaliado do país com uma gestão pautada em programas de impacto social. Seu grupo político comanda o Acre há 16 anos. A oposição promete dois palanques neste ano para tentar forçar um segundo turno.
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O SIGILO DO GOVERNADOR CID

Da coluna Mino Pedrosa, Jornal de Brasília
O governador Cid Gomes mantém sob o mais absoluto sigilo o assalto de que foi vítima no final do ano na Residência Oficial onde mora.
Há 9 anos, o sítio onde Cid residia tinha sido assaltado e de lá haviam levado dólares e reais em furto denunciado à polícia. Na época, Cid era prefeito de Sobral (CE), acionou a polícia e a repercussão foi negativa.
Agora, na segunda vez que levam dinheiro em espécie de sua casa, foi mais cuidadoso. Manteve a polícia distante e demitiu a empregada doméstica que o servia. Ela é acusada de ter furtado R$ 400 mil, U$ 190 mil dólares e E$ 50 mil.
Toda essa dinheirama estava no quarto do governador e foi levada aos poucos. Essa mesma empregada ainda teria desviado recursos do cartão de crédito que abastecia a cozinha da Residência Oficial em desvios que superariam mais R$ 150 mil.
A doméstica disse para um policial que trabalha na segurança do governador, que não foi ela quem pegou o dinheiro e que foi demitida injustamente.
O governador nega o fato.
Via Blog do Eliomar (atualização às 13h03min) – A assessoria de imprensa do Governo do Estado informa que as informações postadas pelo colunista do Jornal de Brasília não são verdadeiras.
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AS DILMAS

Ir à Suíça para dizer como está o Brasil de hoje, isso não faz sentido. Dilma Rousseff choveu, não no molhado, mas em uma inundação digna de São Paulo. Os endinheirados a quem a presidente pediu investimentos ocupam-se de ganhar dinheiro pelo mundo afora, o que lhes exige, e aos seus assessores, estar bem informados para detectar oportunidades. No convescote dos cifrões, mal denominado Fórum Econômico Mundial, por certo muitos sabiam sobre o Brasil o que nem no Brasil se sabe.
A Dilma Rousseff que foi a Davos não é a Dilma Rousseff que chegou à Presidência. Não é o oposto, mas é bastante diferente. Se nos princípios ou nos fins, eis a questão. Fernando Henrique e Lula, mal ouviram falar em Davos e seu pessoal, começaram a preparar as malas. A ida de Dilma, só agora no ano final do mandato, reflete dupla concessão. Uma, na concepção de políticas governamentais que a levavam a desconsiderar Davos, convicta de um Brasil capaz de cuidar de si mesmo. Outra, no seu diagnóstico do momento vivido pelo país e, em particular, pelo governo.
O capital estrangeiro -os cifrões de Davos- não precisa ser buscado. Grandes indústrias automobilísticas não param de vir para cá, e as já instaladas não cessam novos investimentos para crescer. Indústria e comércio de alimentos, agronegócio, aquisições fundiárias, exploração e indústria petrolíferas, as concessões/privatizações, são muitos os setores que têm merecido a procura espontânea do capital estrangeiro. O problema é que grande parte desse investimento não se destina à criação de novas atividades econômicas, ou seja, ao crescimento econômico, mas a assumir o controle acionário ou a propriedade de empreendimentos já ativos. É a chamada desnacionalização.
O capital graúdo não é considerado, em geral, o grande disseminador do crescimento econômico. Este vem pela multiplicação dos empreendimentos, mesmo os pequenos, e pelo reinvestimento do lucro, para ampliação do negócio. O dinheiro para empreender, porém, é muito caro no Brasil, com a tradição crescentemente escorchante praticada pelo sistema bancário. Além das exigências de garantias, dos prazos insuficientes e outras dificuldades.
E o reinvestimento na indústria nacional já consolidada, ah, esse tem um adversário terrível: o próprio empresário. Como regra natural, lerdo, retardatário, incapaz de inovação, pedinte permanente de benesses do governo, esse empresário trata de investir o lucro é em si mesmo: moradia nova, carro de luxo, e todo o necessário ao exibicionismo de mais um novo rico. O empresário brasileiro é, em geral, um atrasado -como pessoa e como dirigente de empresa.
Mudar essa realidade interna era um objetivo implícito nas palavras e na ação da Dilma Rousseff que assumiu a Presidência. Bem, quanto à atual, ceder aos interesses de aumento dos juros já era estar no caminho para Davos.
Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve aos domingos, terças e quintas-feiras na Folha de S.Paulo.
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EMPRÉSTIMOS SUSPEITOS

Da revista ISTOÉ
Como todos no Ceará sabem, o governador Cid Gomes (PROS) sofre de enxaqueca. Ela é tão terrível que, nos momentos de crise, é recorrente o recolhimento dele no Palácio da Abolição, sede do poder cearense. Nos últimos dias, as dores lancinantes voltaram a lhe incomodar. Porém, a causa é política. Cid está sendo cobrado por representantes de seu próprio governo e da oposição para demitir o secretário da Casa Civil, Arialdo de Mello Pinho. O secretário da Casa Civil de Cid é acusado pelo Ministério Público do Ceará por supostas irregularidades que envolvem ele próprio e sua família na concessão de empréstimos consignados a servidores estaduais.
Na segunda-feira 14, a juíza Nádia Pereira, da 13ª Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, determinou a quebra dos sigilos bancários e fiscal de Arialdo Pinho, do genro dele, Luís Antônio Valadares, dono da Promus Promotora de Crédito e Cobrança Extrajudicial, e do sócio deste, Bruno Barbosa Borges, proprietário da ABC Administradora de Cartões de Crédito, além de mais quatro pessoas. No Ceará, o esquema é conhecido como “escândalo dos consignados”.
De acordo com os promotores Ricardo Rocha e Luiz Alcântara, há fortes indícios de favorecimento ilícito e possivelmente tráfico de influência. As irregularidades nos consignados foram denunciadas pelo deputado estadual Heitor Férrer (PDT), que apontou que a Promus operava com exclusividade com empréstimos para servidores estaduais. Além disso, a empresa é acusada de oferecer taxas de juros cerca de 70% acima do valor praticado no mercado. Heitor classificou o esquema como “engenharia para enriquecer aliados”, já que a empresa gerencia os empréstimos consignados e recebe 19% dos valores dos empréstimos, em torno de R$ 10 milhões mensais. Homem de extrema confiança do governador, Pinho coordenou as duas campanhas eleitorais de Cid Gomes e chegou a ser cotado para disputar a sucessão.
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domingo, 26 de janeiro de 2014

NOVA VERSÃO PARA O ACIDENTE DE JK

Brasília – Depois que a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo retomou o debate sobre a morte de Juscelino Kubitschek e divulgou um documento, em dezembro do ano passado, “declarando o assassinato do ex-presidente, vítima de conspiração, complô e atentado político na RodoviaPresidente Dutra, em 22 de agosto de 1976”, agora será a vez de a Comissão Nacional da Verdade (CNV) se pronunciar oficialmente. E, para surpresa dos vereadores paulistanos, os integrantes da CNV deverão se manifestar contra a conclusão dos colegas.
De acordo com o perito Sérgio de Souza Leite, responsável pelos trabalhos técnicos do acidente nos anos 1970, a presidência da CNV emitirá a opinião dela em breve. Os dois peritos da Comissão Nacional da Verdade Mauro Yared e Pedro Cunha se encontraram com Leite para informar a decisão que será anunciada pelo grupo.
“Fui procurado aqui no Rio de Janeiro pelos peritos da presidência da comissão e eles mostraram que já estavam com tudo a favor da gente (da perícia oficial do caso). Eles fizeram algumas perguntas adicionais e disseram que a comissão vai soltar um parecer”, contou Leite, acusado pelos vereadores de São Paulo de ter fraudado os trabalhos periciais. Em resposta, o perito entrará com uma ação criminal na Justiça contra os parlamentares da capital paulista.
Leite e o ex-diretor do Instituto Carlos Éboli, da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Roberto de Freitas Villarinho deverão prestar depoimento na CNV confirmando os trabalhos que fizeram apontando que a morte de JK foi resultado de um acidente automobilístico. O médico legista Márcio Alberto Cardoso, um dos responsáveis pela exumação do corpo do motorista de JK Geraldo Ribeiro em 1996, também deverá ser convidado a falar.
Com conteúdo do jornal Diário de Pernambuco
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O EQUILIBRISTA

Por Felipe Patury, Época
O presidenciável tucano Aécio Neves insiste para que o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) dispute o governo paraibano. Já Eduardo Campos, presidenciável do PSB e governador de Pernambuco, tenta demovê-lo.

O socialista quer convencer Cunha Lima a apoiar a reeleição de Ricardo Coutinho (PSB) na Paraíba. O argumento: Cunha Lima é fiador da boa relação de Aécio com Eduardo. Como candidato a governador, passaria de fiador a motivo de disputa.
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PUTIN, O CZAR HOMOFÓBICO

Por Gianni Carta, revista Carta Capital
Venham para os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, mesmo se vocês forem homossexuais, anunciou o presidente russo Vladimir Putin. Nada acontecerá com vocês, garantiu, sempre que deixem as crianças “em paz”. Para o ex-agente do KGB, rebatizado FSB, gays são automaticamente pedófilos. Seria interessante lembrá-lo: pesquisas científicas comprovam que 90% dos pedófilos são heterossexuais. Mas o presidente, aos 61 anos, não parece ser um iluminado.
Putin fez seu apelo para atrair a maior audiência aos Jogos, em contraposição aos ativistas dos direitos humanos, a incitarem turistas, e até atletas, a boicotar o evento no pacato balneário do Mar Negro. O motivo? Uma lei contra gays aprovada por Putin. A controversa legislação, em vigor desde junho de 2013, assedia, multa e prende quem fizer “propaganda gay ou pedófila” para menores de 18 anos. ONGs como a LGBT foram banidas do território russo.
Dmitry Isakov, ativista, foi a primeira vítima da lei. Seu crime: ficou no meio da rua na cidade de Kazan, capital do Tartaristão, Rússia, a empunhar um cartaz no qual se lia: “Liberdade para os gays e lésbicas na Rússia”. Isakov, de 24 anos, foi fichado na polícia, pagou uma multa de 100 euros e perdeu o emprego em um banco estatal. Não surpreende que a sorte de Isakov seja apoiada pela vasta maioria de seus conterrâneos. A Igreja Ortodoxa Cristã julga a homossexualidade um pecado, e apenas 16% dos cidadãos aceita relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo. Paradas e eventos a defender direitos gays, ou a igualar a orientação sexual de gays com a de heterossexuais, podem resultar em multas de até 31 mil dólares.
Apenas 25% dos russos são cristãos praticantes, mas 90% julgam-se cristãos ortodoxos, uma “tradição russa”. Ou seria mais uma invenção de um povo em busca de uma identidade nacional, como diria Eric Hobsbawm? Nesse obscuro contexto, um ex-clérigo chegou até a propor um holocausto gay. Estigmatizados, homossexuais são tratados com violência. Quando um jovem gay de 23 anos revelou a amigos sua orientação sexual em Volgogrado, foi morto a socos e pontapés. Putin não condena publicamente esse gênero de violência. Embora não seja praticante, como seu antecessor Boris Yeltsin, o atual presidente usa o apoio da Igreja, que o julga um “milagre”.
O presidente de olhos glaciais repete que na Rússia não há proibição contra relacionamentos não tradicionais. Em entrevista para a BBC, disse não ter nada contra gays. E emendou: “Eu mesmo conheço algumas pessoas que são gays. E milhões de russos amam Elton John, apesar da orientação sexual dele”. O músico britânico, é óbvio, condena as leis anti-gay da Rússia. E aproveitou para falar sobre suas impressões durante uma recente visita a Moscou. “Homens gays e lésbicas de 20 a mais de 40 anos me falaram das ameaças que recebem de grupos de vigilantes, prontos a ‘curá-los’ da homossexualidade encharcando-os de urina ou dando-lhes uma surra.” Elton John disse, ainda, que, além de a nova lei banir a discussão sobre a homossexualidade, campanhas com informações para a prevenção do vírus da Aids são consideradas “propaganda”.
Putin, ícone de orgulho nacional porque foi agente do KGB na ex-República Democrática Alemã e é faixa preta de judô, é também um ícone gay mundo afora. O homem adora mostrar seu torso nu, considerado admirável pelos mais sedentários. Sempre sem camisa, ele aparece empunhando rifles a caçar animais perigosos, ou a cavalo, ou a pescar. Há quem diga que seria um excelente protagonista para a banda pop Village People. E, na esteira, sua viagem com o príncipe Albert II de Mônaco é comparada com a dos caubóis gays no filme O Segredo de Brokeback Mountain.
Putin, como seus fãs, vive no passado. Nas minhas várias visitas a Moscou logo após o fim do comunismo, ouvi russos repetirem que no país deles não havia Aids porque não lá não existiam homossexuais. O preconceito contra gays persiste como nos tempos dos czares que usavam o Estado para controlar as escolhas morais. Nos anos 1960 e 1970 gays eram considerados fascistas e pedófilos. E, quando a lei contra a homossexualidade foi revogada em 1993, não houve anistia para aqueles atrás das grades acusados de sodomia.
A crise econômica reforça estereótipos. E o mesmo pode ser dito em relação a países a viver no passado. Os sete a aplicar a pena de morte para gays são muçulmanos. Em Uganda, gays passam a vida na prisão. Na Nigéria pegam até 14 anos de cadeia. O preconceito contra gays também reina na Europa. O conselheiro da legenda conservadora britânica Ukip, David Silvester, foi suspenso porque disse que os recentes dilúvios no reinado foram provocados pela adoção do casamento gay. Já na França, um movimento contra o casamento gay, recentemente aprovado, aglutinou grupos católicos, direitistas moderados e extremistas.
Que podemos esperar de Putin? Os Jogos de Inverno, os mais caros da história (avaliados em mais de 30 bilhões de euros), foram patrocinados por uma caterva de nebulosos investidores em um país onde reinam as máfias, ou, pelo menos, aquelas que não confrontam Putin. A mídia é censurada. Gays, espancados. Putin está no poder desde 2000. Não passa de um czar homofóbico.
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sábado, 25 de janeiro de 2014

CRÔNICAS BRASILEIRAS

Esta obra compila textos escritos por Darcy Ribeiro entre 1995 e 1997 (ano da morte do autor) em uma coluna semanal que o renomado antropólogo, educador, escritor e pensador brasileiro mantinha na Folha de S. Paulo.
Como era de se esperar, as crônicas expressam as profundas preocupações sobre a situação do país e o inconformismo que marcaram seu pensamento, sendo apresentadas sob seções que abordam temas como "Universidades", "Saúde", "Mulheres" e "Utopias", entre outras.
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NÃO DISSE

Por Lauro Jardim, da coluna Radar Online - Veja
Apesar de se dizer grande admiradora da obra de Nelson Rodrigues (leia mais em Dilma e o pênalti), Dilma Rousseff derrapou ao citá-lo ontem, na inauguração da Arena das Dunas.
Questionada se os atrasos podem fazer das obras na Arena da Baixada, no Paraná, um vexame, a presidente mandou:
- Esse é o tipo de pergunta que mostra aquilo que o Nelson Rodrigues dizia: Não é possível apostar no pior.
Só que Nelson, um admirável e incomparável frasista, nunca disse isso…
Talvez, quem sabe, Dilma tenha querido referir-se ao célebre “complexo de vira-lata”, imortalizado por Nelson. Mas isso é uma interpretação – a frase dita por ela é a reproduzida acima.
Biógrafo de Nelson e autor do livro Flor de Obsessão: As 1 000 melhores frases de Nelson Rodrigues, Ruy Castro nunca leu a frase citada por Dilma, cuja falta de habilidade com citações não é novidade. Fala Ruy:
- Para reunir as 1 000 melhores frases, imagine, li milhares de textos do Nelson Rodrigues. Nunca li nem sombra dessa frase, que não é dele.
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A ANATOMIA DA CORRUPÇÃO

Por Izabelle Torres, ISTOÉ
A empresária mineira Ana Cristina Aquino, 40 anos, é uma conhecedora dos meandros da corrupção no Ministério do Trabalho e desde dezembro do ano passado vem contando ao Ministério Público Federal tudo o que sabe. As revelações feitas por ela tanto aos procuradores como à ISTOÉ mostram os detalhes da atuação de uma máfia que age na criação de sindicatos – setor que movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano – e que, segundo a empresária, envolve diretamente o ex-ministro e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o atual ministro, Manoel Dias. “Levei R$ 200 mil para o ministro Lupi numa mochilinha da Louis Vuitton”, diz a empresária. De acordo com ela, o ministro Manoel Dias faz parte do mesmo esquema.
Ana Cristina é dona de duas transportadoras, a AG Log e a AGX Log Transportes, e durante três anos fez parte da máfia que agora denuncia. A Polícia Federal em Minas Gerais já tem indícios de que suas empresas serviam como passagem para o dinheiro usado no pagamento das propinas para a criação de sindicatos. Em apenas 24 meses, entre 2010 e 2012, a empresária trocou as dificuldades de uma vida simples pelo luxo de ter avião particular, helicóptero, uma mansão em Betim (MG) e até cinco carros importados na garagem. Para ela, o esquema começou a ruir depois que ISTOÉ revelou, em outubro do ano passado, que seu enriquecimento era alvo de uma investigação da PF. “Os antigos parceiros me abandonaram. Estou sendo ameaçada, mas não vou pagar essa conta sozinha”, diz Ana Cristina.
O advogado João Graça, assessor especial do ministro Manoel Dias e homem de confiança do ex-ministro Carlos Lupi, foi por dois anos sócio da AG Log e deixou a empresa depois de a investigação da PF ser instalada. Segundo Ana Cristina, era ele o elo entre as suas empresas e a máfia dos sindicatos no Ministério do Trabalho. Procurado por ISTOÉ, Graça disse que as acusações “fazem parte de uma briga de mercado” e que se manifestará apenas quando “conhecer todos os detalhes da denúncia.” A empresária afirma que Graça estava com ela quando foram entregues os R$ 200 mil ao então ministro Lupi. O Ministério Público tenta localizar as imagens da portaria do Ministério para confirmar a informação. “Usamos o elevador do ministro. O doutor João Graça manda naquele Ministério”, disse Ana Cristina. Em seguida, ela lembra que, depois de receber o dinheiro, Lupi chegou a perguntar, em tom de brincadeira, se estava sendo gravado. Na quinta-feira 23, Lupi disse à ISTOÉ que só vai se manifestar quando tiver acesso aos documentos que Ana Cristina diz ter entregue ao Ministério Público.
O enredo de corrupção narrado pela empresária começa no segundo semestre de 2011, quando ela e seu grupo decidiram montar o Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sincepe) para tentar abocanhar contratos milionários com montadoras que iriam se instalar no Nordeste. Em outubro daquele ano, Ana Cristina protocolou o documento no Ministério do Trabalho pedindo a expedição da carta sindical. Nessa época, o advogado Graça já havia se transformado em um parceiro de negócios da AG Log, por indicação do empresário Sérgio Gabardo, que, segundo Ana Cristina, era o verdadeiro dono da transportadora e o responsável por todo o aporte milionário de recursos para bancar as propinas. Segundo o relato da empresária, assim que o registro foi pedido, o encontro no gabinete do então ministro do Trabalho foi marcado pelo próprio Graça. De acordo com a empresária, Lupi afirmou que o dinheiro pago naquele dia era apenas a entrada e que a aprovação do registro sindical custaria R$ 3 milhões. Mais ainda: no dia seguinte, como disse Ana Cristina, Lupi mandou o amigo João Graça avisá-la que, se o sindicato desse certo e conseguisse arrecadação e bons contratos, ele também deveria participar do negócio sendo dono de uma parte da frota do grupo AG.
Depois de receber R$ 200 mil e prometer aos representantes da AG Log que o Sincepe seria criado em um prazo recorde de 40 dias, Lupi foi varrido do cargo durante a faxina que a presidenta Dilma Rousseff  começava a fazer no seu governo. Ele foi demitido por envolvimento em denúncias de corrupção, que incluíam exatamente os processos irregulares de criação de sindicatos. Ana Cristina diz que o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), que assumiu no lugar de Lupi, tentou colocar um freio na indústria dos sindicatos. Durante sua gestão, os trâmites para a oficialização do sindicato pleiteado por Ana travaram. Mas Brizola Neto acabou perdendo o apoio de seu próprio partido e foi afastado do Ministério 11 meses depois de assumir. Em seu lugar tomou posse o atual ministro Manoel Dias, indicado por Lupi e leal às práticas do PDT. A tramitação da expedição da carta sindical do Sincepe no Ministério do Trabalho, obtida por ISTOÉ, mostra que na gestão de Manoel Dias o processo voltou a correr. “Esse aí (o ministro Manoel Dias) ia liberar. Só não liberou por causa da reportagem de ISTOÉ”, disse a empresária. Segundo ela, depois de publicada a reportagem na revista, o advogado João Graça marcou um encontro no Hotel Mercury, em São Paulo, e afirmou: “Fique calma, esse ministro é nosso também”. Ana Cristina afirma que a conversa teria prosseguido em uma espécie de monólogo de João Graça, em uma tentativa de acalmá-la e evitar que ela denunciasse o esquema, como decidiu fazer. A estratégia do grupo era convencê-la a assumir a culpa e, em troca, viabilizar para ela e para a família o comando de um sindicato com amplos poderes e muito dinheiro. O Sindicato de Cegonheiros de Pernambuco arrecadaria um percentual do lucro bilionário do setor, além de acumular influência para interferir nos contratos com montadoras que se instalassem na região. No caso do Sincepe, a ideia era garantir que a Fiat fechasse um negócio bilionário com a AG Log.
Agora, as denúncias de Ana Cristina deverão virar um inquérito formal no Ministério Público Federal. Aos procuradores, além de depoimento, a empresária diz ter entregue uma série de documentos. No meio da papelada estão extratos bancários, contratos sociais e páginas de uma agenda manuscrita, em que estariam relacionados os destinatários das propinas e os valores pagos.
Nas duas últimas semanas, a empresária Ana Cristina Aquino conversou com ISTOÉ por cerca de duas horas. Dona de um forte sotaque mineiro, ela autorizou que os encontros mantidos num restaurante em Brasília fossem gravados e divulgados como entrevista. Disse estar endividada e abandonada pelo grupo ao qual se associou em 2010 e que desde então opera nos meandros do Ministério do Trabalho. Por causa disso é que ela diz ter recorrido ao Ministério Público e avalia que tornar públicas suas acusações é a melhor maneira de se proteger. Leia a seguir trechos dessas conversas:
ISTOÉ – A sra. está tentando criar um sindicato?
Ana Cristina Aquino – Desde 2011. Essa carta sindical iria sair na época do Carlos Lupi no Ministério do Trabalho. O advogado João Graça, que é do PDT, foi contratado pela nossa empresa justamente porque tinha ligações com o Lupi. Ele era a nossa garantia de que o sindicato seria aprovado rapidamente.
ISTOÉ – O então ministro Carlos Lupi recebeu dinheiro para viabilizar esse sindicato?
Ana – Recebeu, recebeu sim. Levei R$ 200 mil para ele. Carregando uma bolsa nas costas, fui direto para o gabinete dele. Segurando uma mochilinha da Louis Vuitton. Não tem aquelas compridinhas? Foi daquelas. Ele mandou desligar o telefone assim que eu entrei. Disse: “Não está gravando não, né?” Eles são espertos!
ISTOÉ – Como a sra. passou pela segurança na portaria do Ministério carregando tanto dinheiro  em uma mochila?
Ana – João Graça passava por tudo que é lado!!! O doutor João mandava naquele Ministério.
ISTOÉ – Então a sra. entrou direto, sem passar pela segurança?
Ana – Direto. Usamos o elevador do ministro.
ISTOÉ – Qual a origem do dinheiro que foi entregue ao ministro?
Ana – O Sérgio Gabardo (empresário acusado por Ana Cristina de ser o verdadeiro dono da AG Log) me entregou o dinheiro e falou: “Esse aqui é para o ministro, para ajudar nas obras sociais dele”. A gente riu.
ISTOÉ – Isso foi quando?
Ana – Isso foi dois dias depois de sair o pedido de registro, lá para 2011.
O próprio Lupi me disse, na minha cara, que colocava o sindicato para sair em 40 dias. Brincou que seria o código sindical mais rápido do Brasil.
ISTOÉ – O registro iria custar os R$ 200 mil entregues ao Lupi?
Ana – Não iam ser só R$ 200 mil, não. Essa carta sindical custaria R$ 3 milhões. Ele encheu o olho porque se tratava de um sindicato cegonheiro e todo mundo já sabe que cegonha dá muito dinheiro mesmo. Eles fantasiam uma coisa na cabeça deles. É uma coisa em que todos acham que rola muita grana. Na época, o Lupi ainda falou para o João Graça, que me contou, que, se desse certo de a gente pegar qualquer serviço em Pernambuco, ele queria o direito a ter frotas na empresa. Ocultamente. Claro que não seria no nome dele. Um ministro não poderia ter frotas em uma cegonha de forma aberta.
ISTOÉ – Por que o sindicato não saiu na gestão do ministro Brizola Neto?
Ana – Acho que foi uma passagem rápida dele por lá. Não saiu porque ele não passou muito tempo. E o João Graça não tinha ligação direta com o Brizola Neto como tem com o Lupi.
ISTOÉ – E como está a questão, atualmente, com o ministro Manoel Dias?
Ana – Esse aí (o ministro Manoel Dias) era o que ia liberar esse código, agora! Era ele! Só não liberou por causa da reportagem de ISTOÉ. Quando saiu a reportagem, o João Graça foi encontrar comigo no hotel Mercury, em São Paulo. Chegou lá e disse para eu ficar calada porque o registro sindical sairia de qualquer jeito. Sentamos na primeira mesa do restaurante, ele olhou para mim e disse: “Fique calma, esse ministro é nosso também”. Ele disse que o Manoel Dias era só de fachada e quem dá as canetadas no Ministério ainda é o Lupi. Foram exatamente essas as palavras que ele usou lá no hotel.
ISTOÉ – Por que a sra. resolveu dar dinheiro para criar o sindicato?
Ana – Se a gente não dá dinheiro a esse pessoal, não sai sindicato. Desconheço algum registro que tenha saído sem gastar com propina.
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CONTINUA NO COMANDO

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, concedeu na noite desta sexta-feira uma liminar que assegura à governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), o direito de permanecer no cargo. Decisão tomada na quinta-feira pela Justiça Eleitoral potiguar havia cassado o mandato de Rosalba e determinado a posse do vice-governador Robinson Faria (PSD). A cerimônia estava marcada para este sábado.
Mello reconheceu que ela ainda tem o direito de questionar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que anulou o diploma dela por causa de um suposto abuso de poder político ocorrido na campanha à prefeitura de Mossoró, em 2012. A acusação era de que na época teriam sido usadas máquinas do governo do Rio Grande do Norte para cavar um poço na cidade.
"Frise-se, por oportuno, que a cassação de mandato eletivo e, por consequência, a convocação do vice para assumir o cargo de governador pressupõem, em regra, pronunciamento final do órgão de Cúpula da Justiça Eleitoral (TSE)", afirmou. De acordo com Mello, "tanto quanto possível, deve ser evitado o revezamento na chefia do Poder Executivo, aguardando-se o pronunciamento do Tribunal Superior."
Acusação - A governadora Rosalba, minada por integrantes de seu próprio partido que lutam para se descolar da sua baixíssima popularidade, foi acusada pelo Ministério Público Eleitoral de empregar a máquina estatal em benefício de Claudia Regina e de seu vice, aliados que disputaram a prefeitura de Mossoró em 2012. Pela denúncia do Ministério Público Eleitoral, o governo potiguar ordenou a perfuração de um poço numa comunidade pobre da cidade, berço político de Rosalba, "com fins nitidamente eleitoreiros e sem qualquer comprovação formal dos trâmites legais".
Apesar de o relator, juiz Eduardo Guimarães, ter entendido que a Corte não poderia declarar a cassação, por entender que Rosalba não era candidata e não havia sido diretamente beneficiada pelos atos, os demais integrantes do tribunal divergiram e votaram por uma pena adicional: a perda do mandato. Para eles, a declaração de inelegibilidade é incompatível com a manutenção de Rosalba no cargo.
Crise - Rosalba Ciarlini, eleita em primeiro turno com 52,46% dos votos, enfrenta uma constante crise política em seu Estado e já teve os direitos políticos suspensos em dezembro, também por abuso de poder em favor de aliados na eleição municipal de Mossoró. No caso, ela foi acusada de ter feito amplo uso de aeronave oficial do Estado para apoiar Claudia Regina na eleição, razão pela qual chegou a ser cassada pela Justiça estadual. Uma liminar concedida pela ministra Laurita Vaz, do TSE, a mantém no cargo enquanto o caso não é definido pela Corte.
Com Estadão Conteúdo
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SÃO PAULO, 460 ANOS

O lampião de gás de Inezita Barroso não existe mais, porém, a dura poesia concreta ainda acontece na Ipiranga com a São João como viu Caetano Veloso.
Seja nos versos da Saudosa Maloca ou no Trem das Onze de Adoniran Barbosa, São Paulo ainda é a Pauliceia Desvairada de Mário de Andrade, a terra das oportunidades, da garoa que acolhe tudo e todos.
Nessa cidade que tem dimensão de um país, não é mais possível subir na Rua Augusta à 120 por hora, mas ainda é possível fazer uma Ronda pela cidade como disse Paulo Vanzolini.
A todos os Operários de Tarsila do Amaral que contribuíram e continuam dando o melhor de si para a construção dessa cidade dia a dia, desejamos mais sucesso e progresso. Parabéns, São Paulo, 460 anos!
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

GUIA ESPIRITUAL

Por Bernardo Mello Franco, da Folha de S.Paulo
Em ação protocolada nesta semana, o Ministério Público eleitoral acusou o pré-candidato do PR ao governo do Rio, Anthony Garotinho, de se apresentar como "guia espiritual" para conquistar votos de evangélicos.
O procurador Maurício da Rocha Ribeiro pediu que o deputado seja proibido de cadastrar fiéis e distribuir kits com livros e camisetas. Nos brindes, ele assina mensagens de teor religioso como "Irmão Garotinho".
A representação se baseia em reportagem publicada pela Folha no último dia 5. O deputado aposta no eleitorado evangélico para voltar a governar o Estado, que tem o menor percentual de católicos (45,8%) do país.
Para o Ministério Público, Garotinho é "notório" pré-candidato a governador e usa o programa "Palavra de Paz", no qual se dirige a fiéis, como arma de propaganda eleitoral antecipada.
O procurador também acusa o deputado de burlar a lei eleitoral ao distribuir brindes a quem acessa seu site e ouve seus programas de rádio, transmitidos por emissoras AM. Só podem se cadastrar no programa de Garotinho fiéis com domicílio no Estado do Rio, onde ele disputará a eleição para governador em outubro.
"Busca-se exaltar, em ano eleitoral, mesmo que por meio de conotação religiosa, a figura do representado Garotinho, que busca fixar sua imagem através da provisão de bens aos possíveis eleitores", diz a ação.
O Ministério Público pede que o deputado seja punido com multa de R$ 5.000 por dia caso continue a cadastrar fiéis e distribuir brindes com seu nome. Como a representação inclui um pedido de decisão liminar, o caso deve ser julgado nos próximos dias pela Justiça Eleitoral.
Esta será a oitava ação contra Garotinho por propaganda eleitoral antecipada desde o ano passado. Os pré-candidatos Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Lindbergh Farias (PT) já foram alvo de sete ações cada um. De acordo com a lei eleitoral, os políticos só podem pedir votos a partir de 5 de julho.
OUTRO LADO
A assessoria de Garotinho informou que ele só se pronunciará depois de ser notificado. Em dezembro, o deputado negou que o cadastro de fiéis tenha finalidade eleitoral. "Isso não tem nada a ver com campanha, e o livro que eu envio não tem nenhuma conotação política."
O ex-governador também se disse surpreso com o fato de o seu site só aceitar o cadastro de evangélicos com domicílio no Rio. No entanto, a regra continuava a valer até ontem.
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VAI E VEM

Um dia depois de receber a presidente Dilma Rousseff na inauguração da Arena das Dunas, estádio de Natal que será utilizado na Copa do Mundo de 2014, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) foi cassada pela Justiça do Estado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte rejeitou nesta quinta-feira, 23, recursos interpostos pela governadora, determinou que ela seja afastada do cargo e declarou sua inelegibilidade por oito anos. Cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
 A Corte estadual também decidiu que o vice-governador, Robinson Faria (PSD), tome posse após a publicação do acórdão. Dona dos piores indicadores de popularidade do País, Rosalba havia sido condenada em primeira instância e declarada inelegível por abuso de poder econômico no pleito municipal de 2012.
 No mesmo processo, constam como réus a prefeita e o vice-prefeito eleitos de Mossoró, Claudia Regina (DEM) e Wellington de Carvalho (PMDB), que também tiveram as punições de cassação do diploma eleitoral e de impedimento para se candidatar por oito anos confirmadas pelo TRE.
 Rosalba Ciarlini, minada por integrantes de seu próprio partido que lutam para se descolar da sua baixíssima popularidade, foi acusada pelo Ministério Público Eleitoral de empregar a máquina estatal em benefício de Claudia Regina e de seu vice, aliados que disputaram a prefeitura de Mossoró em 2012. Ambos estão afastados e buscavam, via o recurso analisado e negado nesta quinta, voltar ao poder. Pela denúncia do Ministério Público Eleitoral, o governo potiguar ordenou a perfuração de um poço numa comunidade pobre em Mossoró, berço político de Rosalba, "com fins nitidamente eleitoreiro e sem qualquer comprovação formal dos trâmites legais".
 Apesar de o relator, juiz Eduardo Guimarães, ter entendido que a Corte não poderia declarar a cassação, por entender que Rosalba não era candidata e não havia sido diretamente beneficiada pelos atos, os demais membros da Corte divergiram e votaram por uma pena adicional: a perda do mandato. Para eles, a declaração de inelegibilidade é incompatível com a manutenção de Rosalba no cargo.
 Cassação
 Rosalba Ciarlini, eleita em primeiro turno com 52,46% dos votos, enfrenta uma constante crise política em seu Estado e já teve os direitos políticos suspensos em dezembro, também por abuso de poder em favor de aliados na eleição municipal de Mossoró. No caso, ela foi acusada de ter feito amplo uso de aeronave oficial do Estado para apoiar Claudia Regina na eleição, razão pela qual chegou a ser cassada pela Justiça estadual em dezembro passado. No entanto, uma liminar concedida pela ministra Laurita Vaz, do TSE, a mantém no cargo enquanto o caso não é definido pela Corte.
Fonte: Agência Estado
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ARCO E BECA

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S.Paulo
Meu tio viveu com os índios dos 12 aos 30 anos. Mantinha seus hábitos e, às vezes, passava semanas sozinho na mata. A família se preocupava, mas ele voltava satisfeito. Ajudava a todos com os saberes da floresta e suas plantas medicinais. Parecia prever o futuro, dizia coisas que me impressionavam. E ia compondo em mim a imagem de um desconhecido íntimo: o "índio".
Nas ruas de Rio Branco, vi índias com filhos no colo, pedindo esmola. Era o drama da nova ocupação da Amazônia, gado, madeira e grandes obras sem cuidados ambientais. O olhar das crianças me mostrava que os índios não eram entidades míticas, mas gente de carne e osso, parte do povo pobre e humilhado.
Depois, com Chico Mendes e outros companheiros, acompanhei a Aliança dos Povos da Floresta e ouvi o discurso forte e diferente dos líderes indígenas. Já aprendera que não eram "índios", mas caxinauá, axaninca, apurinã, muitos povos diferentes, iguais no desejo de reconhecimento. Em sua fala, vestes e adornos, entrevia outros padrões civilizatórios, valores e visões do mundo.
O "outro" da minha infância me questionou. O que é ser brasileiro? Quem faz parte, quem está excluído, por quê? Podem coexistir diferentes narrativas históricas, ideias de justiça e cidadania?
Ontem, uma foto me alegrou. Era uma formatura de professores indígenas na Universidade do Acre. Não usavam a beca inteira, só a capa nos ombros, sobre as tradicionais vestes coloridas. Chegam ao "nível superior" assimilando outros aprendizados sem abdicar de suas culturas.
Em vários Estados, jovens indígenas estão se formando. No Acre, começaram há 30 anos com um programa da Comissão Pró-Índio. Fundaram escolas nas aldeias e uma associação de professores. Há alguns anos, o governo assumiu o programa e buscou parceria na universidade. Os resultados são excelentes para os índios e para toda a sociedade.
Em muitas aldeias, eles manejam modernas tecnologias para cuidar da terra e planejar o futuro. Há quem diga que, com isso, deixam de ser índios, que "índio de verdade não usa celular nem tem conta em banco". Muitos repetem esse discurso sem perceber aonde ele leva. O passo seguinte é dizer: eles têm muita terra e o progresso do país precisa delas.
A civilização ocidental vive carente, sentada num tesouro. Elimina os "outros" que lhe são estranhos e desperdiça sua sabedoria. Mas nossa fome não é só de comida, é de um sentido para a vida que vá além do dinheiro e do consumo.
A educação pode ser o diálogo de que necessitamos. Tenho esperança de que, com ela, os brasileiros de todas as etnias superem o sistema de apartação e preconceito.
Minha esperança agora tem diploma. Com a cara pintada e as cores da diversidade.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Folha de S. Paulo.
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SHOW DA LOURA

Por Felipe Patury, revista Época
Afastada da política cearense desde que deixou a Prefeitura de Fortaleza, no fim de 2012, a petista Luizianne Lins planeja sua volta para o próximo mês. A Loura, como ela é chamada no Ceará, pretende estrear um programa semanal de TV numa emissora local, a Rede União, do empresário Alberto Bardawil. Luizianne diz que usará o horário para fazer entrevistas sobre temas relacionados a direitos humanos e cidadania.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ENTREVISTA: FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Do Blog do Josias
Na opinião de Fernando Henrique Cardoso qualquer um que derrote Dilma Rousseff na disputa presidencial de 2014, seja Aécio Neves ou Eduardo Campos, será bom para o país. “Não estou pensando partidariamente, estou pensando historicamente. Está na hora. O Brasil precisa arejar”, disse ele, em entrevista ao blog.
Principal líder da oposição e presidente de honra do PSDB, FHC declarou que prefere Aécio, “porque tem uma estrutura partidária maior. Mas acho que o Eduardo está tomando posições que são corretas e vai arejar de qualquer maneira.”
Ele identifica uma “fadiga de material” na administração petista. “A população está sentindo que está na hora de mudar”, avalia. Mas a mudança não virá de mão beijada. “Essa eleição só será ganha pela oposição se alguém da oposição, seja quem vier a ser, tiver coragem de dizer as coisas como elas são, com simplicidade.''
Se fosse mais jovem, disputaria a Presidência? “Se eu tivesse 15 anos a menos, na circunstância atual, sim, sim, porque eu estou com vontade de mudar”, respondeu o octagenário cacique tucano. “O Brasil está precisando de gente que fale olhando no olho das pessoas, dizendo, sem meias palavras, sem muita politiquice, as coisas como elas são.”
FHC reconhece que Aécio e Campos ainda não se firmaram como contrapontos viáveis de Dilma. Acha natural, já que o eleitor só vai prestar atenção na disputa presidencial “depois da Copa.” Por ora, só a presidente é realmente conhecida. Sem “ilusões” quanto à dificuldade da disputa, celebra uma novidade: “Pela primeira vez, houve um deslocamento de blocos do governo.”
“Tanto a Marina quanto o Eduardo saem do bloco do governo e vão pro outro lado”, afirmou. “A campanha vai forçar uma certa radicalização. E acho que há, pela primeira vez também, uma articulação positiva entre o Eduardo e o Aécio.” Para FHC, ambos entenderam que precisam “somar forças.”
E quanto à aversão de Marina Silva às alianças do PSB de Campos com o PSDB? “A resistência dela é outra. Ela quer fazer o partido dela”, opinou FHC. “O objetivo da Marina não é eleger o Eduardo, é fazer a Rede. E ela quer ter candidatos que permitam que a Rede exista. Então, nesses Estados em que ela tem candidatos que podem fazer alguma aglutinação, ela vai defender os interesses dela.”
Se há “fadiga de material” em Brasília, também há em São Paulo, não acha? “Eu seria incoerente se dissesse que não”, concedeu FHC, antes de acrescentar que, ainda assim, “é difícil que o PT tenha condições de ganhar em São Paulo. Não é impossível, mas acho difícil.”
Em meio aos comentários azedos sobre o petismo, FHC reservou uma observação amena para Fernando Haddad. “O prefeito de São Paulo é um bom rapaz. Mas ele está indo mal. Não é culpa dele. O próprio governo federal [interveio] na questão do aumento dos ônibus… Ele não está se firmando. E isso é algo que ajuda o governo do PSDB em São Paulo.”
Lula já impôs ao PSDB os “postes” Dilma e Haddad. Não receia que ele consiga fazer de Alexandre Padilha governador de São Paulo? FHC responde com ironia: “Eu tenho receio de outra coisa. Que o Lula, de botar tanto poste sem luz, acabe escurecendo o Brasil. É preciso evitar isso.”
Perguntou-se a FHC se o PSDB não deve explicações ao país sobre o mensalão tucano de Minas e o cartel de trens e metrô de São Paulo. E ele: “No caso de Minas Gerais, na época, eu fui dos poucos que disse que era preciso uma explicação. Agora, vamos qualificar. O que houve em Minas Gerais foi o que o Lula disse que era natural. Foi, eventualmente, desvio de recursos para campanha eleitoral [de Eduardo Azeredo, em 1998]. Não é perdoável, mas é diferente do mensalão. O mensalão foi compra sistemática de apoio para o governo no Congresso.”
O repórter recordou a FHC: o operador dos dois mensalões é o mesmo: Marcos Valério. O agente financeiro dos empréstimos fictícios também se repete: Banco Rural. E houve desvio de verbas públicas nos dois casos. “Não estou negando isso, nem estou desculpando'', prosseguiu FHC. “Estou dizendo, entretanto, que, se houve, foi para a campanha. Não justifico, mas é diferente.” Provocado, disse esperar que o STF julgue a encrenca tucana com o mesmo rigor que aplicou no julgamento da ação penal do mensalão petista.
Sobre o cartel de São Paulo: “Acho que tem que ser apurado. Se trata de surborno, parece óbvio, de funcionários. Qual é o elo disso com o governador ou com o partido? Eu não vi nem indício. É corrupção, é condenável, mas não foi para o PSDB. Não apareceu, pelo menos até hoje, nenhum dado que diga: esse dinheiro foi usado pelo PSDB. Não foi. É outra coisa. É corrupção, condenável. O PSDB tem que explicar isso.”
Aécio já declarou que, se tiver gente do PSDB paulista envolvida no caso Siemens-Alstom, deve ir para a cadeia. Pensa do mesmo  modo? “Ah, penso. Penso. Não tem nenhuma discordância. Acho que um dos problemas no Brasil é de que tem que ter processos mais rápidos […] Roubou? Vai pra cadeia. Mas acho que no caso de São Paulo está havendo manipulação política…” Nas palavras de FHC, o dinheiro “não foi para o partido nem para os governadores'' tucanos.
Clique aqui e confira a entrevista na íntegra, feita ao jornalista e blogueiro Josias de Souza.
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

BRIZOLA, 92 ANOS

Se estivesse vivo, Leonel Brizola completaria hoje 92 anos. Nascido em 22 de janeiro de 1922, em Carazinho, município pertencente de Passo Fundo, Brizola entrou na política lançado por Getúlio Vargas. Uma das façanhas de Brizola foi governar dois estados diferentes: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, eleito pelo povo.
Leonel Brizola teve uma extensa carreira política: foi prefeito de Porto Alegre, deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e pelo extinto estado da Guanabara, e duas vezes governador do Rio de Janeiro.
Ingressou na política partidária no antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), por recomendação pessoal de Getúlio Vargas – seu padrinho de casamento – sua primeira candidatura a cargo eletivo foi para deputado estadual e foi eleito.
Sua influência política no Brasil durou aproximadamente cinquenta anos, inclusive enquanto exilado pelo Golpe de 1964, contra o qual foi um dos líderes da resistência. Por duas vezes foi candidato a presidente da República do Brasil pelo PDT, partido que fundou em 1980, não conseguindo se eleger.
Brizola era casado com Neusa Goulart, irmã do ex-presidente João Goulart, com ela teve três filhos: Neusa, José Vicente e Otávio. Em 21 de junho de 2004, Brizola morreu aos 82 anos de idade, vítima de problemas cardíacos.
No aniversário de 90 anos de Brizola, foi lançado na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro o livro Leonel Brizola - a Legalidade e outros pensamentos conclusivos, organizado por Osvaldo Maneschy, Apio Gomes, Madalena Sapucaia e Paulo Becker.
Em Porto Alegre, Brizola foi homenageado em seus 92 anos com uma estátua colocada entre o Palácio Piratini – sede do governo gaúcho – e a Catedral. A cerimônia contou com a presença de vários políticos, entre eles: os ex-governadores Alceu Colares e Germano Rigotto, o senador Pedro Simon e o governador Tarso Genro.
Para as novas gerações e para quem gosta do tema política, o blog Sou Chocolate e Não Desisto dar uma dica para conhecer mais sobre a história desse homem que desafiou a Rede Globo nos anos 80 e venceu o governo do estado do Rio de Janeiro, vale a pena ler El Caudillo – um perfil biográfico do jornalista FC Leite Filho.
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A DITADURA QUE MUDOU O BRASIL

O golpe militar de 1964 foi o estopim para a instauração de uma ditadura autoritária, opressiva e truculenta que se manteve no poder por mais de vinte anos no Brasil. Em 2014, cinquenta anos depois, é hora de aprofundar e renovar a reflexão sobre este período traumático na história do Brasil.
Organizada e escrita pelos mais renomados pesquisadores, "A Ditadura que Mudou o Brasil" é uma coletânea de artigos que oferece novas luzes para compreender as raízes da ditadura, sua evolução e a herança que nos legou: relações sociais autoritárias, censura indiscriminada, aparato repressivo opressor, fragilidade da cidadania, aprofundamento de desigualdades e injustiças sociais.
Sinopse
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UMA LIÇÃO DOS SUECOS

Por Guilherme Dearo, revista Exame
São Paulo – Estocolmo, na Suécia, decidiu acabar de vez com a possibilidade de ser sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.
Em votação entre os partidos políticos na semana passada, com apoio até do prefeito da cidade, os suecos optaram por não se candidatar à disputa para receber o evento.
Os argumentos? A cidade tem prioridades mais importantes, a conta para organizar os jogos seria alta demais e um eventual prejuízo teria de ser coberto com dinheiro público.
Para os partidos, aceitar os jogos seriam “especular com o dinheiro do contribuinte”. O primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt também se mostrou contra.
"Não posso recomendar à Assembleia Municipal que dê prioridade à realização de um evento olímpico. Temos outras necessidades, como a construção de mais moradias", disse o prefeito Sten Nordin, em declarações publicadas pelo jornal Dagens Nyheter e reproduzidas pela BBC.
No jornal Dagens Nyheter, o secretário municipal de Meio Ambiente de Estocolmo, Per Ankersjö, escreveu um artigo defendendo a decisão.
“Os cidadãos que pagam impostos exigem de seus políticos mais do que previsões otimistas e boas intuições [sobre o orçamento]. Não é possível conciliar um projeto de sediar os Jogos Olímpicos com as prioridades de Estocolmo em termos de habitação, desenvolvimento e providência social", disse.
A cidade tinha apresentado seu plano em novembro de 2013. Em fevereiro, a cidade russa de Sochi receberá os jogos desse ano. Os de 2018 será em Pyeongchang, na Coreia do Sul.
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DELÚBIO ESPERANÇA

Com o sucesso do site – espécie de “Genuino Esperança” – que arrecadou mais de R$ 700 mil para pagar a multa (total de R$ 667,5 mil) de José Genuino, outros petistas condenados no mensalão como José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares devem criar site semelhante para tentar pagar a multa estipulada pela Justiça.
A multa que o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares tem que pagar é de R$ 466,8 mil. Sem perder tempo, o site para arrecadar o valor da multa do petista já entrou no ar nesta terça-feira (21), o “Solidariedade a Delúbio Soares”.
Delúbio conseguiu trabalho de assessor na direção nacional na camarada CUT, em Brasília, com remuneração mensal de R$ 4.500. Nesta segunda-feira (20), foi seu primeiro dia de trabalho, chegou por volta das 8h e foi recepcionado por três sindicalistas, cumpriu seu horário de trabalho até às 18h, depois voltou para a cadeia. Essa será sua rotina nos próximos meses.
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VIOLÊNCIA, A CULPA É DAS NOVELAS

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tem um novo vilão em sua luta contra o crime: as telenovelas. Ele acusa esses programas de espalhar "anti valores" entre os jovens por glamourizar a violência, as armas e as drogas. No ano passado, Maduro atacou os videogames violentos e o filme Homem Aranha.
Na noite de segunda-feira, seu vice-presidente, Jorge Arreaza, reuniu-se com representantes de emissoras de televisão aberta e paga para rever a programação do horário nobre, advertindo que as empresas poderiam estar violando a lei de 2004 sobre programação "socialmente responsável". As duas partes se reunirão novamente em uma semana com o objetivo de elaborar um acordo.
Não ficou claro se o governo tomará medidas para restringir a programação ou vai impor regras mais duras sobre as telenovelas, que são muito populares em toda a América Latina.
Analistas dizem que a queda de braço não deve reduzir a alta taxa de homicídios na Venezuela, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) é a quinta pior do mundo. "É uma cortina de fumaça para distrair a atenção das causas verdadeiras" da violência e do crime, disse Roberto Briceño-León, do Observatório Venezuelano da Violência, que estima que a taxa de homicídios do país quadruplicou em 15 anos de regime socialista.
A pressão sobre o governo aumentou neste mês, depois do assassinato da ex-miss Venezuela Monica Spear e de seu marido, que foram mortos a tiros em frente à filha do casal, de 5 anos.
Em discurso feito na semana passada, Maduro acusou a novela "De todas maneras Rosa", produzida pela Venevision. Ele disse que a maior emissora do país lucra com a violência ao celebrar os crimes de uma das principais personagens do melodrama, Andreina Vallejo, uma beldade que mata a mãe envenenada para esconder a paternidade de seu filho.
Alberto Barrera Tyszka, autor de várias novelas, disse que a televisão apenas reflete os alarmantes níveis de violência presentes na sociedade e que os programas já são bastante regulados no que diz respeito a conteúdo não apropriado para menores. Para ele, Maduro deve voltar suas atenções para as causas da criminalidade.
"É ridículo responsabilizar a violência pelo que se vê durante uma ou duas horas por noite na televisão", disse Barrera Tyszka, que escreveu uma biografia do predecessor e mentor de Maduro, o ex-presidente Hugo Chávez.
Fonte: Associated Press.
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PETISTAS CONDENADOS

Por Elder Ogliari, Agência Estado
Porto Alegre - A Justiça do Rio Grande do Sul condenou os ex-prefeitos de Porto Alegre Tarso Genro, Raul Pont e João Verle, todos do PT, e os ex-secretários municipais da Saúde Henrique Fontana, Lúcio Barcelos e Joaquim Kliemann ao pagamento de R$ 10 mil de multa e à perda dos direitos políticos por cinco anos, a contar do trânsito em julgado da decisão.
Eles foram acusados pelo Ministério Público Estadual de atos de improbidade administrativa por terem feito contratações temporárias de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem entre 1993 e 2002, dispensando o concurso público para a admissão. A juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública, Vera Moraes, sustentou que a demanda da população não era provisória, mas permanente, o que descaracterizava a motivação para contratações emergenciais.
Todos os réus vão recorrer ao Tribunal de Justiça. Aqueles que quiserem podem se candidatar a cargos eletivos neste ano porque a suspensão dos direitos políticos só vai vigorar se a sentença condenatória perdurar depois de julgamento em última instância. Os acusados alegam que as contratações eram necessárias, emergenciais, e foram feitas em períodos em que não havia disponibilidade de concursados para chamar.
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FORTALEZA VIOLENTA

Por Felipe Lima, Tribuna do Ceará
A cabeleireira Tatiana Maria, de 39 anos, não sente-se mais segura de andar pelas ruas do bairro onde mora. Há oito meses ela perdeu o pai em um homicídio no Canindezinho, bairro que compõe o “Território da Paz” e é marcado pela violência. “A gente nunca acredita que algo assim [homicídio] possa acontecer com a gente ou alguém próximo. Não consigo mais sair tranquila e tenho medo até mesmo dentro de casa”, lamenta.
A sensação de insegurança e a marca deixada na vida de Tatiana tem uma explicação. Com uma taxa de 79.42 homicídios por cada 100 mil habitantes, Fortaleza é considerada a 7ª cidade mais violenta do mundo, segundo relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. A lista da organização mostra que 14 cidades das 50 relacionadas são brasileiras. No país, a capital cearense fica atrás somente de Maceió, em Alagoas, que possui taxa de 79,76 assassinatos por 100 mil habitantes.
O estudo aponta que foram registrados 2.754 homicídios em Fortaleza no ano passado. Além do 7º lugar na taxa de assassinatos, a capital possui um número alarmante: é a 2º cidade entre as 50 que registraram maior número de homicídios. A “Terra do Sol” fica atrás somente de Caracas, na Venezuela, onde aconteceram 4.364 crimes deste tipo. O relatório da ONG mexicana indica a cidade San Pedro Sula, em Honduras, como o município mais violento do planeta. Lá, a taxa de homicídios em 2013 foi de 187,14.
O estudo utiliza índices de população e de homicídios de estatísticas oficiais dos governos locais de cidades com mais de 300 mil habitantes.
Por um ano melhor
O comandante do Policiamento da Capital, coronel João Batista Bezerra, garante que 2014 vai ser um ano melhor na Segurança. “O problema é que o 1º semestre do ano passado foi pesado, mas desde outubro que os homicídios estão diminuindo. A população pode observar o comportamento e o trabalho da polícia. Com as Áreas Integradas de Segurança esse ano vai ser melhor. Eu acredito que vai ser melhor”, afirma.
De acordo ainda com o coronel Batista, um novo balanço será divulgado a cada três meses com dados da Segurança Pública. “É um trabalho trimestral. No 1º nós já verificamos uma queda. O próximo será em março e a tendência é que os números sejam ainda menores.”, complementa.
O estudo utiliza índices de população e de homicídios de estatísticas oficiais dos governos locais de cidades com mais de 300 mil habitantes. A maioria das cidades fica na América Latina. Das 50 cidades, nove estão no México, seis na Colômbia, cinco na Venezuela, quatro nos Estados Unidos, três na África do Sul, dois em Honduras e um em El Salvador, na Guatemala, Jamaica e Porto Rico.
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OPERAÇÃO BANQUEIRO

Um acontecimento inusitado assombrou o Brasil em 2008: o poderoso e enigmático banqueiro Daniel Dantas foi preso pelo delegado federal Protógenes Queiroz, por ordem do juiz Fausto De Sanctis, e conduzido algemado para uma cela comum, acusado de vários crimes. Mas logo depois foi libertado, por ordem do então presidente do Supremo Tribunal Federal - STF, Gilmar Mendes.
As provas da investigação foram anuladas. O delegado foi afastado de seu trabalho e elegeu -se deputado. O juiz foi transferido para uma vara qualquer, sem brilho e poder. O que teria acontecido? Neste livro, que se lê como um thriller policial, o repórter investigativo Rubens Valente, da Folha de S. Paulo, desvenda toda a história, com a revelação de aspectos inéditos, documentos e segredos.
Sinopse
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LIVRE DO MENSALÃO MINEIRO

A Justiça de Minas Gerais confirmou a prescrição das acusações contra o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia pelos crimes de peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro no processo do mensalão tucano.
O ex-ministro foi acusado de participação no esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas de Minas Gerais para financiar a reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998. Na época, Mares Guia era vice-governador e, segundo acusação da Procuradoria-Geral da República, coordenou a campanha de reeleição de Azeredo, o que o ex-ministro nega.
De acordo com a juíza Neide da Silva Martins, da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, os crimes pelos quais Mares Guia é acusado prescreveram após ele completar 70 anos, em 24 de novembro de 2012.
O prazo de prescrição para esses crimes é de 16 anos, a contar a partir da data em que os fatos ocorreram. Contudo, quando o réu completa 70 anos, o prazo é reduzido pela metade. Neste caso, os crimes ocorreram em 1998, segundo a denúncia, apresentada em 2009 e aceita no ano seguinte. Quando Mares Guia completou 70 anos, as acusações de crimes contra passaram a prescrever em 2006.
"Tendo transcorrido prazo superior a oito anos entre os fatos e o recebimento da denúncia, [...] declaro extinta a punibilidade do réu Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, qualificado nos autos, pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva do Estado", afirma a juíza, em decisão do dia 14 de janeiro.
Outro réu do caso também poderá pedir a prescrição dos crimes pelos quais é acusado. O então tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, Cláudio Mourão, fará 70 anos em abril e poderá requerer a prescrição das acusações de peculato e lavagem de dinheiro.
DENÚNCIAS
Segundo a denúncia, o mensalão tucano foi um esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas de Minas Gerais para financiar a reeleição de Azeredo (PSDB), que acabou derrotado por Itamar Franco (1930-2011).
O caso é similar ao mensalão do PT, e também teria participação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado e preso em 2013, após conclusão do julgamento do esquema petista.
No Supremo, o processo sobre suposto desvio de recursos públicos em Minas corre contra o ex-governador Eduardo Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), então candidato a vice na chapa de Azeredo. Outros processos sobre o caso correm em instâncias inferiores da Justiça mineira. Os réus do processo do mensalão tucano negam todas as acusações.

Fonte: Folha de S.Paulo, via UOL, em São Paulo
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

VOLTA POR BAIXO

Por Dora Kramer, colunista do jornal O Estado de S.Paulo
A gente lê a notícia de que a presidente Dilma Rousseff tinha encontro marcado ontem com o ex-presidente Lula para se aconselhar sobre o arranjo político-partidário mais conveniente para o êxito da campanha pela reeleição e fica a se perguntar se o antecessor é mesmo o melhor conselheiro para esses assuntos.
Afinal não foi ele mesmo quem indicou a quase dezena de ministros demitidos por Dilma no primeiro ano de governo em nome da "faxina ética"?
E não foi essa dita limpeza que rendeu boa fama à presidente, vista como intransigente com "malfeitos", uma governante preocupada com o desempenho do ministério como um todo, celebrada por este aspecto se diferenciar de Lula, razão de seus altos índices nas pesquisas até junho de 2013?
Pois agora ela faz o caminho inverso. Inclusive sem a cerimônia de algum tempo atrás quando reintegrou ao "esquema" alguns dos demitidos, reintegrando discretamente seus partidos à equipe e permitindo que eles indicassem os ocupantes dos cargos que fossem de seu (deles) agrado.
Levantamentos feitos pelo Estado mostram dois cenários. Em um deles registra-se a redução de 60% do apoio dos partidos aliados nas votações no Congresso.
Em outro, é apontada a quantidade de partidos abrigados nos ministérios: dez. Se a "reforma" sair como previsto, a divisão ficaria assim: 25 pastas para o PT, cinco para o PMDB, uma para o PR, uma para o PP, uma para o PROS, duas para o PSD, uma para o PTB, uma para o PDT, uma para o PC do B e uma para o PRB.
Feita a soma, chega-se a 39, o número exato de ministérios existentes. Significa que nenhum deles está fora do critério de coalizão de resultados eleitorais. Todas as pastas estão a serviço da tentativa de Dilma de se reeleger.
Seja para acumular mais tempo de televisão ou para impedir que esse benefício vá para os adversários, nesse caso sendo alvo de uma ofensiva de enfraquecimento (para não dizer morte) por inanição.
Na mesma pesquisa do Estado sobre o histórico de entrega de ministérios a partidos, revela-se que Dilma é campeã. José Sarney entregou dois, Fernando Collor, a seis, Fernando Henrique a cinco nos dois governos e Lula a nove em oito anos.
Seria a necessidade decorrente da insegurança de que a reeleição estaria garantida? É uma hipótese. Mas, que se de um lado reforma uma segurança, de outro desconstrói junto ao eleitorado a imagem que rendeu tanto sucesso.
Se não for muito grosseiro usar a expressão, as pessoas ficam autorizadas a trocar o conceito de faxina pela impressão de que estaria havendo uma operação sujeira. Com adoção de critérios apostos aos atos e discursos anteriores.
Razões de Cabral. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, havia decidido deixar o governo em 31 de março. Resolveu antecipar para 28 de fevereiro quando o PT anunciou que sairia dos cargos na mesma data. E Cabral até admite adiar se o PT fizer o mesmo.
Por que o sincronismo? Porque Cabral quer atribuir o rompimento ao PT que, neste aspecto, teria sido ingrato pelo fato de o sucesso administrativo de Cabral se dever à parceria entre os governos federal e estadual.
Sendo do PT a "culpa" pelo rompimento, isso daria o discurso de vítima ao PMDB, uma vez que não há mesmo possibilidade de Lindbergh Farias desistir.
A antecipação da saída de Cabral em um mês não altera o quadro eleitoral, mas faz a diferença no humor político-partidário; a diferença, pois para todos os efeitos os petistas foram intolerantes a fim de retardar ao vice Luiz Fernando Pezão tempo necessário para firmar uma boa imagem.
Para o PT vale a mesma regra, o que libera o partido para fazer a campanha em clima de guerra.
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UM MACUMBÓDROMO PARA O RIO

Por Mariana Brugger, revista ISTOÉ
Num dia, bela oferenda. No outro, um monte de lixo. Perseguidas por seguidores de outras crenças e por ecologistas em função dos rituais nos quais depositam frutas, bebidas e flores para suas divindades, a umbanda e o candomblé vão ganhar o primeiro espaço público para realizar suas práticas sem poluir o meio ambiente. A Curva do S, no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio, ganhará agora status de Espaço Sagrado. O local será pavimentado para não gerar incêndios e ganhará central de tratamento de resíduos religiosos e recantos para cada divindade (leia quadro). As obras começam em fevereiro e devem ficar prontas no segundo semestre.
Para dar forma ao Espaço Sagrado, a Secretaria de Meio Ambiente (SEA) do Estado do Rio de Janeiro, que está à frente do projeto, discutiu com representantes religiosos o que seria possível fazer para manter os rituais e preservar a natureza. Entre as sugestões estão o uso de folhas em vez de alguidar para depositar oferendas e coités em vez de taças de vidro. “O reconhecimento de um espaço para a gente por parte das autoridades acaba com aquela ideia distorcida de que estamos fazendo algo irregular”, explica Mãe Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB).
Entretanto, a experiência ainda é vista com desconfiança. “Apoiamos, desde que não encurralem a gente em um canto cercado e pequeno, sem policiamento”, pontua Dayse Freitas, diretora cultural da Federação Brasileira de Umbanda. Mãe Fátima lembra que, no projeto original, o local para acender velas será distante do espaço para oferendas. “Essa permissão só não pode significar a impossibilidade de uso de outros espaços públicos para rituais”, explica Sônia Giacomini, antropóloga do departamento de ciências sociais da PUC-Rio.
O projeto pioneiro carioca poderá se multiplicar. Carlos Minc, secretário estadual de Meio Ambiente, já foi procurado por autoridades de outros Estados para compartilhar a experiência. “Outras duas áreas do Rio deverão receber Espaços Sagrados também”, afirmou. Dessa forma, será possível fugir de santuários e parques privados que cobram pela entrada para a prática de cultos. O Brasil conta com 589 mil praticantes de religiões de matriz africana, segundo o Censo 2010 do IBGE.
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