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domingo, 31 de julho de 2016

MORRE PÁDUA BARROSO

Do O Povo
Homenagem - A história política cearense passou a ter uma ausência física, mas não deixará de ter um dos maiores exemplos de luta pelo que se pensa. Morreu neste sábado, aos 87 anos, o advogado Antônio Pádua Barroso. Ele defendeu o primeiro civil durante a ditadura militar (1964–1985) e advogou, de graça, a favor de mais de cem presos políticos. Além de atuar na parte jurídica, Pádua sabia ajudar homens e mulheres torturados a manter a integridade em nome dos próprios ideais.
O advogado descobriu um câncer de pulmão em setembro de 2015. A doença progrediu e uma cirurgia não era indicada. Há dois meses, uma metástase cerebral foi diagnosticada e, desde o último dia 24 ele estava internado. No dia anterior à internação, enquanto assistia televisão, o bisneto lhe falava dos últimos aprendizados sobre mitologia grega. “Mesmo doente, ele acompanhou tudo isso que vem acontecendo com nossa política. Com uma habilidade emocional muito consciente. Mas, nas conversas, depois de rir muito, começava a chorar. Como se soubesse que ia nos deixar”, conta a filha mais velha, Valéria Barroso de Albuquerque, 56.
Das lembranças, o orgulho de ter um pai que nasceu pobre, lutou para estudar, tornou-se procurador da República e fez inúmeros amigos e história. “Ele era uma pessoa muito humilde. Para você ter ideia, a preocupação dele era de como iam ficar seus cuidadores. Ele dizia que era advogado e tinha uma banquinha no edifício Palácio Progresso”, lembra a filha.
As memórias sobre Pádua Barroso são ainda mais fortes para a irmã, Ester Barroso, com quem dividiu livros, ideologias e luta contra a ditadura. Ela recorda as orientações de leitura sobre Monteiro Lobato, a defesa que ele fez após ela passar dez dias de solidão e tortura, além das tentativas de expor a realidade da ditadura à imprensa e proteger quem dela sofria.
“Ele e a Wanda Rita (Othon Sidou, falecida em 19 de agosto de 1993) foram os únicos advogados que defendiam presos políticos aqui no Ceará. Quando eu fui presa e fiquei dez dias incomunicável, ele foi lá me defender e queria saber se eu tinha sido torturada. Falei que não, porque senão ele ia largar a mão na cara do delegado”, conta. O mais importante, segundo ela, era que o irmão continuasse defendendo os outros presos.
Um dos clientes e amigos de Pádua, o jornalista Valdemar Menezes, editor sênior do O POVO, diz que a atuação do advogado aconteceu no período mais obscuro da ditadura. “Ele era muito destemido.
Apesar de toda a pressão sobre ele, sempre enfrentava tudo com tranquilidade e firmeza”, relata. Há cerca de um mês, quando o visitou em casa, Valdemar disse que houve muita emoção.
“Relembramos a fase das perseguições, contamos muitas histórias. Ele fez questão de se levantar e me conduzir ao elevador antes de ir embora. Ele sempre foi muito digno”, diz.
O enterro de Pádua Barroso acontece às 10 horas deste domingo, no cemitério Jardim Metropolitano.
Frases
“Pádua era muito amigo, ia muito além do profissional. Procurava auxiliar a família e encorajar que estava preso”
Valdemar Menezes, jornalista
“Iam prender ele, matar de tortura. Quem defenderia os outros presos?”
Ester Barroso, irmã de Pádua Barroso, presa durante a ditadura
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CORRUPÇÃO NO PALANQUE

Da ISTOÉ
Os fatos revelados nos últimos dias sobre a origem dos recursos usados nas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff desmentem categoricamente a versão apresentada pela presidente afastada. Desde que a operação Lava Jato passou a desvendar a corrupção que o PT e seus aliados institucionalizaram no País, Dilma insiste em se definir como uma pessoa honesta, alheia a todos os crimes praticados em sua gestão. Agora, a comprovação de que milhões desviados da Petrobras abasteceram suas campanhas reforçam as acusações existentes na Justiça Eleitoral e remetem a presidente afastada para a alçada da justiça criminal. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Gilmar Mendes, já encaminhou para o STF uma série de documentos e perícias que demonstram a prática de crimes nas campanhas petistas. Caberá ao ministro Edson Fachin determinar o andamento do processo. “O que estamos verificando são crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Não se trata apenas de caixa dois eleitoral”, disse Mendes a interlocutores na última semana.
“Sem o meu conhecimento”
As novas provas contra Dilma vêm à tona exatamente no momento em que se aproxima a votação definitiva do impeachment pelo plenário do Senado, o que praticamente chancela o destino da presidente afastada. Diante dos fatos concretos apresentados pelos técnicos do TSE e nos contundentes depoimentos colhidos pela operação Lava Jato, Dilma passou a última semana se embaralhando em uma sucessão de versões que se modificam a cada dia. Desde o início das investigações, ela afirma que não houve irregularidades em suas campanhas. Na sexta-feira 22, depois de o marqueteiro João Santana revelar ter recebido no Exterior US$ 4,5 milhões de um dos operadores do Petrolão para saldar dívidas da eleição de Dilma, a presidente afastada mudou o tom do discurso. “Se houve caixa dois em minha campanha foi sem o meu conhecimento”, afirmou Dilma, como se fosse possível supor que a titular da disputa eleitoral nada soubesse sobre os maiores pagamentos feitos a seu staff mais próximo. Na quarta-feira 27, a presidente afastada apresentou uma terceira versão. Desta vez jogou a responsabilidade para o PT. “Ele (João Santana) disse que recebeu em 2013. A campanha foi encerrada em 2010 e a partir do momento em que é encerrada, tudo o que ficou pendente de pagamento passa a ser responsabilidade do partido”, disse Dilma. Ela nada comentou sobre o fato de o dinheiro usado para saldar a dívida com o marqueteiro ter origem em desvios praticados na Petrobras, durante seu mandato. Também nada afirmou sobre o pagador ser um dos operadores do Petrolão, já identificado e preso pela Lava Jato. “Quem tratou essa questão (o pagamento de US$ 4,5 milhões) com ele (João Santana) foi a tesouraria do PT”, disse Dilma.
Além dos criminosos pagamentos feitos ao marqueteiro, o TSE encontrou novos indícios de crime na prestação de contas da última campanha de Dilma. Depois de verificar que as gráficas Focal, VTPB e Red Seg receberam R$ 52 milhões por serviços jamais prestados à campanha, como revelado por ISTOÉ, ficou comprovado, na última semana, que a DCO Informática, de Uberlândia (MG), recebeu R$ 4,8 milhões também sem realizar serviço algum. Em tese, a empresa foi contratada para enviar mensagens de apoio a Dilma, via WhatsApp, durante a disputa eleitoral. As investigações do TSE mostraram que a empresa funciona em uma residência, não tem identificação na fachada, possui apenas um computador e três funcionários temporários. Aos investigadores, diretores da DCO disseram ter repassado a missão para a 2K Comunicações, empresa que pertence a Keffin Gracher, um ex-assessor do ex-ministro Edinho Silva, que foi o tesoureiro da campanha petista de 2014. “É evidente que usaram a campanha para lavar dinheiro desviado do Petrolão e poderá haver punição também na esfera penal”, afirmou o ministro Gilmar a um colega do TSE.
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SOBRE HUMOR E CANGURUS

Artigo de Fernando Gabeira
Não precisamos de cangurus, mas sim de encanadores. A frase da chefe da delegação australiana na Olimpíada do Rio é mais do que uma tirada pragmática. Ela nos leva a pensar no humor. Quando prometeu os cangurus, diante das reclamações sobre problemas hidráulicos, Eduardo Paes estava fazendo humor. E, ao contrário do que ele costuma dizer, não é um humor carioca, apenas humor. Na verdade, não sei se existe um humor tipicamente carioca. Um dos maiores humoristas de todos os tempos, o carioca Millôr Fernandes era universal na maioria dos seus textos e pode ser incluído em qualquer boa seleção planetária.
Talvez exista um humor judeu, classificado, organizado em antologias, com traços marcantes, como a autoironia de Woody Allen. Mas ainda assim é um esforço classificatório. No livro “O ato da criação”, Arthur Koestler descreve a dinâmica do humor e, de um modo geral, o atribui a um tipo de associação que expressa o encontro súbito de dois quadros do pensamento, uma centelha criativa que faz rir. Paes associou rapidamente um fato do mundo material, o entupimento das pias, para outro do mundo afetivo, os cangurus tão presentes no cenário australiano. A resposta australiana recolocou o quadro real da demanda.
Se examinarmos o quadro clássico da dinâmica do humor, ele apenas introduziu uma centelha criativa, com o propósito de fazer rir. No entanto, carioca ou judeu, o humor está sujeito a uma condição universal: tem ou não tem graça? É difícil aceitar a tese de um humor carioca, sempre que o prefeito do Rio diz uma frase infeliz. Existe um estado de espírito mais descontraído talvez. Mas ele também está sujeito ao julgamento do outro.
Se as frases de Paes expressam um típico humor carioca, era de se esperar que os cariocas fossem discretamente evitados por outros povos: lá vêm aqueles caras, com aquelas piadas sem graça. E não é isso o que acontece nas relações entre eles e o mundo. É compreensível que pessoas modestas atribuam seus talentos à sociedade em que trabalham, que socializem a celebração de suas conquistas. Mas torna-se um pouco difícil atribuir frases das quais ele próprio se arrepende a um traço da sua própria cultura. Como os cariocas, por serem cariocas, estivessem condenados culturalmente a dizer coisas sem graça, nas circunstâncias mais sérias. A resposta da australiana, Kitty Chiller — “precisamos de encanadores” — jogou Paes na realidade e foram feitos avanços nas reparações. Ministros de Brasília andaram dizendo que isso acontece mesmo com prédios novos. É a inversão do senso comum. Seria como dizer: meu carro é novo, por isso não sai da oficina.
O diálogo Paes-Chiller me jogou também numa outra dimensão da realidade. Se uma obra que custou R$ 2,9 bilhões, inaugurada com exposição internacional, foi entregue assim, o que acontece com as outras ao longo do Brasil, escondidas das câmeras, anônimas? Cobrindo uma enchente num bairro popular de São Gonçalo, a moradora me convidou para entrar em sua casa e ver o resultado de uma recente obra de saneamento. Simplesmente os canos devolviam esgoto para dentro de casa. Naquele momento, senti muito que ela fosse obrigada a viver naquelas circunstâncias desagradáveis. Era apenas uma velha senhora de São Gonçalo. O que vemos hoje atrela aquele destino individual à própria imagem do Brasil.
As reportagens mais críticas e dolorosas referem-se sempre aos graves problemas de saneamento. Uma atleta americana postou para seus seguidores: vou remar na merda por vocês. Num sentido mais amplo, a chefe da delegação australiana falou por todo o Brasil: precisamos de encanadores. Impossível esconder de uma superexposição internacional o fato de que ainda não resolvemos no XXI o problema que alguns países resolveram no século XIX, como o saneamento básico. Não é preciso ir aos bairros mais pobres para constatar essa realidade. As lagoas são um termômetro. Todas, e especialmente a Baía de Guanabara, são poluídas e decadentes. A opção de realizar a Vila Olímpica na Barra consagra um tipo de crescimento que segue o ritmo do próprio comércio imobiliário. Ao fugir das grandes concentrações, a expansão impõe ao governo custos muito altos para instalar a infraestrutura. A frase da australiana Kitty Chiller não é todo estranha à Barra de Tijuca de hoje.
Mas, certamente, ao apontar o crescimento para a região, ela pode se tornar profética: precisamos de encanadores. De uma certa forma, a Lava-Jato nos ajudou nisso. Grandes empreiteiras como a Odebrecht não terão condições de repetir seus métodos. E não poderão substituir o planejamento pela lista das obras que querem construir. O colapso dessas grandes empresas talvez abra caminho para se enfrentar com mais eficácia a tarefa do saneamento.
Se isso acontecer será também um legado da Olimpíada, teremos encanadores e os canos que ainda nos faltam.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 31/07/2016
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FIM DO CABIDE

O ministro José Serra (Relações Exteriores) tomou a decisão há muito reclamada pelos diplomatas: extinguiu uma tal Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome, cabide de militantes petistas que sempre desafiou a autoridade dos chanceleres.
O órgão foi aparelhado e chefiado, de 2011 a 2016, por um Milton Rondó, petista que no impeachment usou o cargo para difundir mentiras sobre o País. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Criada em 2003 pelo então presidente Lula, essa coordenação sempre fez política em nome do PT e com atuação irrelevante na área.
Rondó teve a ousadia de enviar circular, sem autorização, instruindo embaixadas e consulados a divulgar a lorota do “golpe” mundo afora.
Petista de Campinas, Rondó se ligou a Gilberto Carvalho, ex-ministro de Lula e Dilma citado em vários investigações de irregularidades.
Comissão criada há um mês no Itamaraty investiga eventual dano aos cofres públicos na época de Milton Rondó na tal coordenação.
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JULGAMENTO FINAL

O julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff terá início dia 29 de agosto e término em 2 de setembro. Segundo o jornal O Globo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, já acertou a data com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O Palácio do Planalto considera fundamental a conclusão do impeachment antes do dia 6 de setembro, quando haverá o encontro do G-20. Se Dilma for afastada definitivamente, o presidente interino, Michel Temer, poderia viajar como presidente efetivo. De acordo com a reportagem,  presidente do STF também tem todo o interesse em concluir o cronograma dentro dos prazos legais, porque seu mandato à frente da Corte acaba no dia 10 de setembro. Desde o início, o único consenso entre aliados de Dilma e os defensores do impeachment é que o processo seja concluído na gestão de Lewandowski.
Na próxima terça-feira (2), o processo de impeachment entra numa fase decisiva. O relator do impeachment na comissão especial, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), vai ler seu relatório final. No dia 4 de agosto, o parecer de Anastasia será votado na comissão. A votação do chamado juízo de pronúncia, que é quando o Senado dirá que há elementos para o julgamento, também já foi acertada: no próximo dia 9 de agosto.
Da Época
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sábado, 30 de julho de 2016

BOLETIM MÉDICO

O advogado Hélio Bicudo, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e que defende o impeachment de Dilma Rousseff, está internado no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
 Bicudo, de 94 anos, engasgou durante o café da manhã nesta quinta-feira (28). Depois de engasgos consecutivos, Bicudo, que estava relutante, aceitou ir ao hospital.
O diagnóstico era mais grave do que a família imaginava: broncoaspiração (quando um pedaço de alimento, por exemplo, vai parar nos pulmões). “A situação dele é estável, mas, pela idade avançada, requer atenção”, disse um amigo de Bicudo.
O problema de saúde afetou os planos de Bicudo de participar da manifestação pró-impeachment no próximo domingo (31), na Avenida Paulista, em São Paulo. “O discurso já está pronto, mas não tem condição nenhuma de ele subir num carro de som.”
Da Época
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ABATIDO NO BERÇO

Da ISTOÉ
Nos últimos oito anos, a expressão “Cinturão Vermelho” foi repetidamente usada pelos principais líderes petistas. Trata-se de uma referência a um conjunto de oito cidades da Região Metropolitana de São Paulo, onde o partido nasceu e veio crescendo eleição após eleição e nas quais desde 2008 se mantém no poder. Era a partir do “Cinturão Vermelho”, com cerca de 3,5 milhões de eleitores, que os estrategistas petistas planejavam quebrar a hegemonia dos tucanos em São Paulo. As últimas pesquisas, porém, mostram que, depois de desvendada a corrupção sistêmica protagonizada pelo PT em todo o País, nas próximas eleições o partido tende a ser abatido até mesmo em seu próprio berço.
É o caso, por exemplo, da simbólica São Bernardo do Campo. Foi lá que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva surgiu politicamente liderando as greves do sindicato dos Metalúrgicos no final da década de 1970. Desde 2009, o município é administrado pelo ex-ministro e amigo pessoal de Lula, Luiz Marinho. Uma hegemonia que deve acabar. A candidatura do ex-secretário Tarcisio Secoli não engrenou. Ele ocupa a quarta posição na corrida eleitoral com 5% dos votos, segundo o Ibope. Está bem atrás do líder, Alex Manente (PPS) com 28%, e de Orlando Morando (PSDB) com 25%. Um cenário parecido com o de Mauá, Santo André, Guarulhos, Osasco, Embu das Artes, Carapicuíba e Franco da Rocha. “Seria inimaginável, há anos, pensar no PT sendo derrotado nestas cidades predominantemente de classe média B, C e D”, afirma o consultor político Gaudêncio Torquato. “Se perder este bastião na grande São Paulo e a capital, o PT não terá cacife para ser uma força antagônica ao PSDB no Estado”, complementa. É o que deve acontecer. O atual prefeito da capital, Fernando Haddad, na quarta posição nas pesquisas. Dos 8,8 milhões de eleitores, 70% estão descontentes com sua gestão, considerada péssima por 55%. Segundo especialistas, isso torna quase impossível sua reeleição.
Em Guarulhos, segunda cidade mais populosa do Estado, o prefeito Sebastião Almeida conseguiu a façanha de bater o recorde negativo de Fernando Haddad. De acordo com o Ibope, sua administração é desaprovada por 85% da população. Um desgaste que se reflete na competitividade do antecessor e pré-candidato petista, Elói Pieta. Apesar de ocupar a segunda oposição, atrás de Eli Corrêa Filho (DEM), Pieta possui pouca margem para sair vitorioso e manter a hegemonia do PT de 16 anos. Um em cada dois eleitores diz não votar nele de jeito nenhum.
Impopularidade
A insatisfação do eleitor deve prejudicar ainda o prefeito de Santo André, Carlos Grana. Segundo a única pesquisa sobre a sucessão municipal registrada no TSE, realizada pela F.L.S, apenas 17,1% aprovam sua gestão. Para sucedê-lo, o eleitorado tem mostrado preferência por Aidan Ravin (PSB), que soma 29,7% das intenções de voto. Perto dali, o PT corre o risco de perder o comando de Mauá. Desde 1996, o partido foi derrotado apenas em uma eleição municipal, mas levantamentos recentes colocam o prefeito Donisete Braga em terceiro lugar na disputa.
Poucos cenários se tornaram tão inusitados para o PT como o de Osasco. O prefeito Jorge Lapas deixou o partido, encerrando um ciclo petista de onze anos à frente da cidade. Migrou para o PDT. Pesou na decisão, além do desgaste da sigla pós-petrolão, as disputas internas. O grupo ligado ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, preso no Mensalão, brigava por mais espaço no governo e na legenda. Uma disputa em que os dois lados perderam. Pesquisa do Instituto MAS mostra o favoritismo do ex-prefeito Celso Gíglio (PSDB) com 30,3%. Candidato pelo PT, o deputado federal Valmir Prascidelli amarga a sétima colocação.
Em Embu das Artes, governada há 15 anos pelo partido, o prefeito Chico Brito engrossou a debanda petista no Estado. 24 dos 72 administradores municipais paulistas eleitos pela legenda desertaram no último ano. As saídas, em sua maioria, foram motivadas por tentativas de desassociar a imagem da impopularidade petista em meio à crise ética e econômica. Chico Brito usou outra justificativa. Disse, em público, que deixou a sigla para não ter de escolher qual dos candidatos de sua base aliada apoiaria. Na prática, foi um duro golpe contra a candidatura do antecessor e ex-correligionário Geraldo Cruz. Já em Carapicuíba, o partido, que administra a cidade desde 2009, vai dividido às urnas. De um lado estará o candidato do PT, professor Everaldo. Do outro, o presidente da Câmara, Abraão Júnior, que trocou a legenda pelo PSDB neste ano para concorrer à prefeitura. Com tantos problemas acumulados nas eleições das oito cidades, o ocaso petista no chamado cinturão vermelho se torna cada vez mais próximo.
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O ESQUEMA DE LULA NO BNDES

Da ISTOÉ
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará no centro das investigações da operação Lava Jato. É que, nas próximas semanas, uma equipe da força-tarefa passará a dar prioridade às apurações que envolvem financiamentos feitos pelo BNDES às empreiteiras envolvidas com o Petrolão. Preliminarmente serão analisados os casos que envolvem obras realizadas no exterior e que até agora têm seus contratos tratados como segredo de Estado. Depoimentos já prestados por executivos de diversas construtoras revelam que parte dos financiamentos concedidos pelo banco foi obtida mediante pagamento de propinas que seriam, na verdade, uma espécie de contrapartida ao tráfico de influência praticado pelo ex-presidente no exterior.
Força-tarefa planeja recorrer ao Judiciário para ter acesso aos contratos
e transações realizadas entre o BNDES e as empreiteiras do petróleo
Na semana passada, membros da força-tarefa ouvidos por ISTOÉ afirmaram já dispor de indícios suficientes para acreditarem que no BNDES havia um esquema a serviço de Lula e que, além de ajudar a bancar campanhas petistas, o dinheiro desviado teria sido utilizado para financiar o instituto comandado pelo ex-presidente, por meio de palestras. Antes de colherem novos depoimentos de empresários e executivos já comprometidos com delações premiadas, a Lava Jato pretende recorrer ao Judiciário para ter acesso aos contratos e transações realizadas entre o BNDES e as empreiteiras. O Ministério Público já dispõe de uma série de depoimentos e documentos a respeito do faturamento do Instituto Lula e da LILS Palestras e Eventos. Entre as empresas que negociaram com o petista e têm suas relações com o BNDES no alvo das investigações estão a Odebrecht, a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez, a Queiroz Galvão e a OAS. Somadas, elas repassaram quase R$ 30 milhões às duas entidades ligadas a Lula, entre 2011 e 2014.
OS DELATORES E AS PROPINAS
Em Curitiba, onde se concentra o comando da Lava Jato, a frente de investigação que coloca o ex-presidente no alvo da força-tarefa ganhou corpo após executivos de pelo menos três empresas terem denunciado o aparelhamento do banco para arrecadar recursos de campanha do PT. A mais recente acusação partiu do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, que no mês passado prestou novas declarações em delação premiada. Ele disse que participou de uma reunião com Luciano Coutinho, ex-presidente do banco, às vésperas da eleição de 2014. No encontro, ocorrido no escritório do BNDES, os executivos discutiram o projeto de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Líder do consórcio, a UTC recebeu um empréstimo de R$ 1,5 bilhão, aprovado em dezembro de 2013. Ao final da reunião, Coutinho teria orientado a empresa a procurar o tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma Rousseff, Edinho Silva (PT-SP), para acertar o repasse de doações da UTC à candidata petista. A suspeita dos investigadores é de que Coutinho condicionava financiamentos do BNDES ao compromisso de doações eleitorais por parte dos empresários no caso de obras realizadas no Brasil. Mas, nas obras feitas no exterior, a propina seria transferida naquilo que os agentes da Lava Jato classificam de o “Esquema de Lula”. “Há evidente relação entre as empresas favorecidas pelo BNDES e os repasses de recursos ao Instituto Lula”, disse um dos procuradores da Lava Jato, na quarta-feira 27. “Vamos agora também apurar o superfaturamento em obras no exterior e esses pagamentos de palestras.”
Dono da UTC afirma que ex-presidente do BNDES pediu propina em
troca de financiamento para ampliação do Aeroporto de Viracopos
Em maio, durante negociação para delação premiada, o empreiteiro Marcelo Odebrecht descreveu a membros do Ministério Público os detalhes sobre um esquema de propinas envolvendo 1% dos valores de todos os financiamentos feitos pelo BNDES para obras fora do Brasil. Segundo Odebrecht, Coutinho e o ex-ministro Guido Mantega eram os responsáveis por obter o compromisso por parte dos empresários. Na ocasião, Odebrecht afirmou que o dinheiro seria destinado ao PT, sem entrar em maiores detalhes. Nas próximas semanas, diretores e funcionários da empreiteira serão chamados para novos depoimentos e serão questionados exatamente sobre o destino dessa dinheirama. A Odebrechet foi a empresa que mais recebeu financiamentos do banco para atuar em obras no exterior. A versão da propina sobre os contratos com o BNDES fora do Brasil é confirmada pelo executivo da Andrade Gutierrez, Flávio Gomes Machado Filho, delator da Lava Jato. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, ele afirmou que a empreiteira pagou a dita propina sobre obras na Venezuela financiadas pelo banco. Segundo Machado Filho, a contrapartida das doações teria sido exigida pelo então presidente do PT, Ricardo Berzoini, e realizadas de forma oficial para as campanhas petistas. “As contratações de palestras feitas pelo ex-presidente Lula também são pagas de forma regular. Isso não significa que a origem do dinheiro seja irregular”, afirma um dos procuradores da Lava Jato.
OPERAÇÕES DE R$ 1,56 TRILHÃO
Coutinho é reconhecido por ter sido o presidente mais longevo do BNDES. Comandou o banco de maio de 2007 a maio de 2016. Ao longo destes nove anos, o BNDES seguiu a cartilha petista de expansão dos gastos e oferta de créditos, expressas na aprovação de operações que totalizaram R$ 1,56 trilhão, do qual R$ 1,2 trilhão chegou a ser desembolsado. Como resultado, a dívida do órgão junto ao Tesouro subiu para R$ 518 bilhões, montante cobiçado pelo ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique Meirelles, para reduzir o rombo fiscal. Coutinho confirma as reuniões com os executivos da UTC e da Andrade Gutierrez, mas nega ter discutido doações eleitorais. No mês seguinte a sua saída do comando do BNDES, a nova gestão da entidade criou uma Diretoria de Controladoria e Gestão de Riscos, voltada para o controle interno. “O objetivo é assegurar a adequação de ferramentas e processos, avaliar a eficácia dos investimentos e contribuir para o aumento da transparência e do retorno dos investimentos”, afirmou o banco, em nota à ISTOÉ. O órgão cita ainda o acordo de Cooperação firmado com a Controladoria-Geral da União (CGU), em maio, e informa que, de 2012 a 2015, o BNDES respondeu a 1945 diferentes demandas formais de órgãos como a própria CGU, o Banco Central, ministérios, o Tribunal de Contas da União e tribunais de contas estaduais. Mas, pelo jeito, não foi suficiente.
Nas mãos de Moro
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o golpe na última semana. Recorreu à ONU contra o juiz Sergio Moro. Chegou ao absurdo de dizer que o magistrado o persegue por ter pretensões eleitorais. Na prática, recorre à estratégia do tudo ou nada. Sabe que provas não faltam para que Moro decrete a prisão de Lula. Recentemente, aliás, o juiz foi categórico ao afirmar que o ex-presidente já poderia estar preso por obstrução à Justiça. E ainda pesam outras acusações. Nas próximas semanas, Moro irá se manifestar sobre a ocultação pela família do petista da propriedade de um tríplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia. Provas não faltam. Um laudo da Polícia Federal atesta que a família Lula é dona do imóvel no interior paulista. Os peritos reuniram mensagem de dirigentes da OAS que mostram que o ex-presidente e a ex-primeira-dama, Marisa Letícia, orientaram reformas pagas pela empreiteira no sítio que dizem não ser deles. As obras, como a cozinha gourmet, faziam parte de um centro de custo da construtora apelidado de Zeca Pagodinho. Há ainda uma foto de Paulo Gordilho, arquiteto da OAS, bebendo com Lula no sítio.
O esperneio de Lula na ONU foi um tiro no pé e um desrespeito ao País. Sua estratégia de defesa só faria sentido se o Brasil não fosse um país democrático. Os 14 anos do PT no poder mostram que não é o caso. Provavelmente, acontecerá com ele o mesmo que ocorreu com petistas que ameaçaram durante o Mensalão, sem sucesso, recorrer a cortes internacionais. Conseguiram apenas, assim como Lula, insultar a comunidade jurídica. “É típico de quem não têm sentido de grandeza e de estadismo e não se preocupa em desmoralizar o seu país”, resumiu Carlos Velloso, ex-presidente do STF. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho, foi além. “É uma argumentação completamente ofensiva e que expõe o País de uma maneira deplorável.” Já, para a Associação dos Magistrados do Brasil, “é inadmissível a utilização de quaisquer outros meios, que não os legais, para tentar inibir o trabalho de agentes públicos no desempenho de suas funções.”
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A ESTRUTURA CRIMINOSA DO GOVERNO DILMA

Da ISTOÉ
Há exatamente um ano, em despacho redigido em um dos processos que tem como réu o ex-ministro José Dirceu, o juiz Sérgio Moro escreveu que o País passou a vivenciar um quadro de corrupção sistêmica sob o comando do PT. Na ocasião, muitos analistas políticos e observadores das entranhas do Judiciário trataram o alerta do magistrado responsável pela Lava Jato como alarmista. Hoje, não há quem discorde de Moro. Depois de dois anos de investigações em diversas operações da Polícia Federal e de mais de 70 delações premiadas, fica evidente que as gestões petistas transformaram o governo federal em uma verdadeira e organizada estrutura de corrupção. Praticamente todos os ministros de Dilma Rousseff estão envolvidos em desvios de dinheiro público. Desde aqueles que ocuparam gabinetes no Palácio do Planalto até os mais distantes. “A corrupção que o PT promoveu foi uma corrupção institucional, não foi dispersa nem com indivíduos participando isoladamente”, afirma o professor Álvaro Guedes, especialista em administração pública da Unesp. “Pessoas foram escolhidas a dedo para estar em posições estratégicas e promover o desvio de dinheiro”, conclui o professor.
Um estado dominado
Um dos expoentes desses “escolhidos a dedo” é Paulo Bernardo, ex-ministro das gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na semana passada, ele foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Custo Brasil. A PF diz ter provas suficientes para assegurar que Bernardo, enquanto esteve no governo, participou de organização criminosa e praticou crime de corrupção passiva. No mês passado, ele foi preso após a polícia constatar que havia recebido R$ 7,1 milhões desviados de uma fraude no crédito consignado que cobrava uma taxa superfaturada dos servidores federais que se encontravam endividados. Paulo Bernardo é casado com Gleisi Hoffmann, uma das líderes da tropa de choque de Dilma no Senado, ex-ministra da Casa Civil e também acusada de receber propinas do Petrolão. Gleisi só não foi presa junto com o marido graças ao foro privilegiado. O casal sempre teve livre trânsito no gabinete e na residência oficial da presidente afastada. No mesmo esquema que lesou milhares de funcionários públicos, está o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, aquele que costumava levar Dilma para passeios de moto aos domingos. Ainda na semana passada, Edinho Silva, outro ex-ministro íntimo da presidente afastada, viu-se diante de novas provas que o envolvem em corrupção e achaque contra empresários que tinham contratos com o governo. Ele, que já era investigado por intermediar, a pedido de Dilma, R$ 12 milhões da Odebrecht para o caixa dois da campanha da petista em 2014, desta vez foi alvejado por investigação promovida pelo TSE. Peritos descobriram que uma empresa pertencente a um ex-assessor de Edinho recebeu R$ 4,8 milhões da campanha de Dilma para serviços que não consegue comprovar (leia reportagem na pág. 38). Em um de seus despachos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que prometer facilidades na liberação de obras às grandes empreiteiras em troca de recursos para o PT era uma medida habitual de Edinho, que antes de ocupar o ministério foi tesoureiro da campanha da reeleição.
Crimes sob encomenda
Outros ex-ministros próximos à presidente afastada também agiam dentro da organização criminosa. São os casos de Fernando Pimentel, Jaques Wagner, Giles Azevedo, Ricardo Berzoini, entre outros. O Ministério Público investiga ainda amigos da presidente afastada que não ocuparam cargos no primeiro escalão de sua gestão, mas comandaram setores estratégicos do governo, como Valter Cardeal e Erenice Guerra. O primeiro foi diretor da Eletrobrás e é acusado de ter se beneficiado com propinas nas obras de Angra 3. Erenice, uma das principais auxiliares de Dilma e ex-ministra de Lula, é investigada por ter recebido R$ 45 milhões desviados das obras de Belo Monte. Como quadrilha organizada, expressão que costuma ser usada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, ao se referir às gestões petistas, a estrutura criminosa instalada no governo Dilma também locupletou os ministros que chegaram à esplanada por indicação dos partidos aliados (leia quadro na p[ág. 37). “O PT unificou diversas quadrilhas que agiam em setores diferentes”, diz Paulo Kramer, analista e professor da Universidade de Brasília. “O partido deu um comando central à corrupção, decidia quem entraria para o esquema de poder”, complementa.
Com o avanço da Lava Jato, o governo passou a usar ministros para tentar barrar as investigações. A presidente afastada e o ex-chefe da pasta de Justiça, José Eduardo Cardozo, procuraram nomear ministros comprometidos para os tribunais superiores. Sem êxito, Dilma escalou o ex-ministro Aloizio Mercadante para tentar comprar o silêncio de testemunhas. Ex-ministro da Educação e da Casa Civil, Mercadante foi um dos principais conselheiros dela. Acusado de receber dinheiro de propina da UTC em sua campanha de 2010, ele foi flagrado, em março deste ano, em uma gravação oferecendo dinheiro e ajuda para tentar melar a Lava Jato. A armadilha foi criada pelo assessor do ex-senador Delcídio do Amaral a quem o ex-ministro fez a proposta indecente para tentar impedir que Delcídio fechasse um acordo de delação. Na ocasião, o processo do impeachment de Dilma parecia caminhar para um encerramento favorável ao governo. Mercadante não conseguiu comprar o silêncio de Delcidio e a delação feita pelo ex-senador, publicada com exclusividade por ISTOÉ, permitiu a retomada do processo que a cada dia desvenda novas falcatruas protagonizadas pelo grupo que se instalou no poder a partir de 2003. “Nos últimos anos foi instalada a cleptocracia em Brasília”, diz o ministro Gilmar Mendes.
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ATAQUE DESCONTROLADO

O ex-ministro Ciro Gomes demonstrou, nesta sexta-feira (29), todo o ódio e ressentimento com a perspectiva de o irmão Ivo Gomes ser derrotado nas eleições para prefeito de Sobral, cidade natal dos Ferreira Gomes. Em entrevista à rádio Tupinambá AM, Ciro qualificou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como "assassino", por ter, segundo Ciro, determinado que os grevistas da Polícia Militar "fossem executados" durante greve ocorrida no Governo Tasso, há mais de 15 anos.
"Tasso, quando era governador, houve um motim da Polícia Militar, e eu estava junto com o Tasso quando ele mandou atirar nos grevistas. O coronel disse assim: 'mas governador, pode morrer gente'. E ele disse assim: 'Que morra'".
Contraditoriamente, Ciro denuncia que "seu amigo" Tasso faz parte hoje de uma "coalizão do ódio". Diz ainda que: "Tasso Jereissati, meu velho amigo, perdeu qualquer veleidade de espírito público, de amor ao povo, acho que ficou magoado com a derrota e agora é ódio só".
Eleições Fortaleza
Em seguida, Ciro afirma ainda que o ex-governador Cid Gomes (PDT) deveria ter mandado prender, quando ainda era governador, o deputado estadual Capitão Wagner (PR). "Devia ter mando prender esse vagabundo. É mancomunado com tudo que não presta. Vive de explorar o terror, vive de emular a dificuldade. Participa ou pelo menos é conivente com essas milícias que estão entranhadas dentro da Polícia", voltou a atacar Ciro sem apresentar nenhum tipo de prova.
Wagner é pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza contra o apadrinhado de Ciro, o atual prefeito Roberto Cláudio (PDT), e conta com o apoio das lideranças da oposição no Estado, o PMDB e o PSDB.
Eunício
Assumindo a função de metralhadora que vem exercendo há anos na família, Ciro atira ainda no senador Eunício Oliveira (PMDB). Ciro acusa o parlamentar de lucrar com a falta de segurança no Ceará. "Eunício vende segurança privada".
"Se você vivesse o seu negócio, a sua fortuna, o seu helicóptero, o seu jatinho, sua mansão com lago em Brasília, suas fortunas de apartamento em Nova Iorque, tudo você tira de vender segurança particular, se você acabar com a violência, acaba o negócio".
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KÁTIA, A REJEITADA

Para não ser deposta, Kátia Abreu renuncia à Presidência da CNA
Rejeitada pelos produtores rurais desde que aderiu à linha de frente da luta contra o impeachment de Dilma, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) abdicou da volta à presidência da Confederação Nacional da Agricultura.
Na verdade, ficou sabendo que seu retorno seria barrado pelos demais dirigentes da entidade.
Agora só falta a Kátia providenciar outro partido para chamar de seu, pois o PMDB do presidente interino Michel Temer também quer vê-la pelas costas.
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sexta-feira, 29 de julho de 2016

OS HORRORES DO MUNDO

Artigo de Fernando Gabeira
Quando menino, lembro-me de que a chegada de sinais do progresso era saudada com orgulho. Quando o teatro de revista chegou à cidade, o título do espetáculo era: Juiz de Fora Civiliza-se.
Com o tempo, a gente aprende a gostar do que vem de fora, mas descobre que de fora podem vir também as tendências mais sanguinárias e destrutivas.
Sou favorável a uma lei antiterrorismo no Brasil, independentemente da Olimpíada. Discordo da tese de que foi necessária apenas para atender a pressões externas. Ela foi imposta pelo mundo real.
Não somos um país prioritário para o terrorismo. Mas será que o Isis (Estado Islâmico) sempre se moverá de acordo com a lógica que prevemos?
Depois do 11 de Setembro, os americanos levantaram suspeitas sobre a presença de terroristas na Tríplice Fronteira. Não há notícias de que tenham sido confirmadas.
Visitei a região e senti que a grande colônia muçulmana estava incomodada com as notícias sobre Foz do Iguaçu. Pelo que vi, pelo menos, não havia uma juventude sem perspectivas de trabalho. Ao contrário, sentia-se prosperidade e gente chegando para empreender, construir sua própria casa.
Os critérios que uso para classificar o perigo do terrorismo do Isis, assim como o da Al-Qaeda, começam por diferenciá-lo do terrorismo do século 20. Na peça Os Justos, de Camus, o atentado ao arquiduque é adiado porque havia crianças na carruagem. Hoje, os terroristas não se importam com crianças. Quanto mais mortes produzirem, mais satisfeitos.
Um outro critério é lembrar que aquele tipo de simpatia (Brasil, carnaval, Pelé) com que nos tratam com carinho não existe para esses terroristas. Vamos olhar pelo caminho mais amplo, despojados de todo sentimentalismo.
Eles degolaram um padre de 86 anos perto de Rouen, na França. Somos o maior país católico do mundo. Respondem com bombas a um estilo de vida que tem na liberdade – a de expressão, inclusive – o seu máximo valor. Como o nosso.
O Brasil fez sua primeira experiência no combate aos grupos terroristas ligados ao Isis. Foi uma operação bem-sucedida, que contou com indicações do FBI. Mas faltou o que eu chamaria de um protocolo nacional para comunicar o tema à sociedade. Não pretendo redigi-lo. Mas, como leigo, parece-me que divulgar nomes e imagens de pessoas que acabam de ser presas não é a melhor tática. Se tiverem vínculos criminosos, o mais desavisado de seus cúmplices fugirá ou limpará o terreno. Se forem inocentes, terão sido, na verdade, sujeitos a uma exposição que marcará sua vida.
Outra tendência do governo que me deixou um pouco perplexo está no fato de ele analisar o grupo preso e classificá-lo de amador. Não cabe ao governo definir o profissionalismo de um grupo capturado. Ele prende, investiga e, no final, apresenta os dados.
Imagino que a opção de classificá-los como amadores tenha sido uma tentativa de acalmar a sociedade. Mas é muito discutível a ideia de que o amadorismo nos conforta.
Quase no mesmo momento, um jovem afegão atacava a machadadas passageiros de um trem na Alemanha. O Exército Islâmico assumiu o atentado. Machado é arma rudimentar e amadora. Mas como dói.
O governo brasileiro terá de formar pessoas para comunicar seus passos na repressão ao terrorismo. Os ministros deveriam abster-se.
Durante algum tempo, no jogo de pequenas revelações à imprensa, o ministro da Justiça deixou no ar a possibilidade de as informações terem sido capturadas no WhatsApp. Um desgaste inútil.
Não acredito que tenham obtido dados do WhatsApp. Mas com as indicações do FBI monitoraram todos os suspeitos.
O jogo de informações aos pedaços é muito confuso. Se as pessoas do governo não forem especificamente treinadas para tratar de um tema tão sério, elas podem até favorecer o inimigo.
Um dos argumentos para divulgar toda a ação foi o de que a mulher de um dos presos revelara a prisão dele no Facebook. Mas, e os outros? Por ela ninguém saberia o nome dos outros, pois só mencionou o que viu: a prisão do marido.
É compreensível e necessário que a polícia apresente os resultados de seu trabalho. Isso nos dá mais elementos para navegar no perigo. Uma operação bem-sucedida sempre fortalece a imagem. É até compreensível que o Brasil tenha querido passar uma mensagem de segurança, para lá fora dizerem: “Estão trabalhando”.
Mas a luta contra o terrorismo não é o melhor espaço para isso, porque suas regras transcendem o desejo de um reforço de imagem.
Naturalmente, vamos conhecer mais sobre o perigo do terrorismo no Brasil depois que for divulgado um relatório. Mas o que está acontecendo lá fora também nos aproxima do real.
Um dos criminosos na Normandia usava tornozeleira eletrônica. No momento, esse acessório está bombando no Brasil, chega a faltar no mercado. Dizem que é segura, mas aqui é usada por idosos empreiteiros, lobistas.
O universo do terrorismo é diferente. Agora que existe uma lei será necessário amadurecer na sua execução.
Houve resistência a uma lei antiterrorista com medo de que criminalizasse movimentos sociais. Os fatos mostram atentados a manifestações de minorias religiosas, eventos culturais, celebrações como o 14 de Julho. Uma lei desse tipo, aplicada com uma visão clara do terrorismo, na verdade protege os movimentos sociais.
Os horrores do mundo estão chegando e é hora de encará-los sem os preconceitos do século passado. Esquerda e direita, elite de olhos azuis e proletariado, coxinhas e mortadelas, somos todos iguais para o Exército Islâmico. Duas brasileiras morreram no ataque em Nice. E somos atacados quase todas as noites pelas notícias da morte de tantos inocentes pelo mundo. O Exército Islâmico tem sido o nosso horror cotidiano.
Artigo publicado no Estadão em 29/07/2016
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LULA VIRA RÉU

A Justiça Federal no Distrito Federal recebeu denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio Amaral e outros cinco acusados pelo Ministério Público por tentativa de obstruir a Operação Lava Jato. Segundo o procurador-geral da República Rodrigo Janot, Lula teria participado de uma trama para comprar o silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, que fechou acordo de delação premiada. A decisão é do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, de Brasília.
Documento
Lula virou réu um dia depois de ir à Comissão dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) acusar o juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato, de ‘abuso de poder’.
Também são acusados o advogado Edson de Siqueira Ribeiro Filho, o ex-assessor de Delcídio Diogo Feireira Rodrigues, o banqueiro André Santos Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, e o filho de Bumlai, Maurício.
Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
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MUDAR É PRECISO

Artigo de Marta Suplicy, Folha de S.Paulo
A vida é mudança. Eu mudei a vida toda. Meu pai e minha mãe são de família de industriais. Estudei em escola de freiras francesas. Na minha juventude, mulher não tinha voz. O que eu fiz? Ajudei a construir um partido para defender quem não tinha vez. E fui falar de sexo na televisão.
Hoje, olhando para trás, acho que acertei mais do que errei. E por uma razão simples: consegui realizar boa parte das coisas que sempre sonhei.
Tive três filhos, consegui me formar em psicologia, estudei fora do Brasil, fiz mestrado e pós-graduação. Ao todo, cinco anos, nos quais aprendi muito e adquiri uma visão cosmopolita para sempre. Num país de poucas oportunidades para muitos, aproveitei todas que a vida me deu.
Na vida pública, a missão que abracei há cerca de três décadas, dei um passo atrás do outro. Fui deputada federal, prefeita da minha cidade, ministra duas vezes, senadora e primeira vice-presidente mulher do Senado da República. E preciso confessar: eu olho para trás e sinto muito orgulho do caminho que segui.
E o que isso tudo tem a ver com mudança? Tudo e nada – ao mesmo tempo. Acho que fiz coisas importantes, que mudaram a vida de muita gente: Bilhete Único, os CEUs, os corredores de ônibus, os uniformes de excelente qualidade para estudantes marcados para se contentar com quase nada.
Mas, com o tempo, a gente aprende que as conquistas do passado são apenas memórias boas. O que muda a nossa própria vida, de verdade, não é o acerto. É o erro. Não é o passo certo. É o tropeço. Não é a linha reta. É a curva que não foi prevista. É difícil admitir erros e pedir desculpas pela decisão errada ou indelicadeza. No meio de muitos defeitos sei escutar, reconsiderar uma certeza e mudar de opinião.
Na vida fui muito impulsiva e ainda tenho que melhorar na paciência.
Quando fui prefeita, criei uma taxa que a cidade não poderia pagar. Ministra do Turismo, disse uma frase que eu jamais poderia ter dito. Fui mais intolerante do que deveria. E, às vezes, tolerei muito mais do que gostaria. Paguei um preço alto para amadurecer.
Mas errar pode ensinar a rever crenças, atitudes, pensar, tentar fazer melhor, mudar e ter força para começar de novo. Tanto na vida pessoal como na profissional. E começar de novo não tem preço. É a garantia de que estamos vivos e uma nova chance de não repetir os velhos erros.
Espero que lembrem mais dos acertos e me desculpem pelos erros.
Sou a Marta. Eu erro e acerto. Mas quando eu erro, eu tenho coragem para mudar.
PS: por falar em mudança, escrevo hoje a minha última coluna. Sentirei saudades. Agradeço à Folha pela oportunidade de estar próxima de vocês.
*
MARTA SUPLICY deixa de escrever nesta coluna porque vai disputar a Prefeitura de São Paulo.
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CASAL PERFEITO

Pré-candidata a vice de Pedro Paulo (PMDB), candidato do PMDB a prefeito do Rio, a deputada estadual Cidinha Campos (PDT) já disse poucas e ruins nas redes sociais sobre transgêneros e homossexuais, como anotou o jornal O Estado de S. Paulo.
Em 2011, ao saber que mulheres poderiam fazer cirurgia de mudança de sexo de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a então vereadora afirmou que havia “perigo” de essas pessoas “não conseguirem virar homens e ficarem genéricas”.
Também disse “não achar bonito” o beijo entre pessoas do mesmo sexo: “Nem eu nem o mundo [acha]”.
Pedro Paulo é acusado de ter agredido a ex-mulher, Alexandra Marcondes, após uma briga em 2010. Alexandra disse à polícia que levou socos e chutes dele. A surra foi comprovada pelo Instituto Médico Legal.
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

BLOQUEIO À VISTA

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) deve pedir à Justiça a suspensão do Whatsapp e do Facebook em todo país caso a empresa responsável pelos dois serviços continue se recusando a disponibilizar o conteúdo de mensagens trocadas entre suspeitos de um crime. O processo corre em segredo e, por isso, o órgão não revelou a natureza dos delitos que estão sendo apurados no processo.
Na última quinta-feira (21), a Justiça do Amazonas acatou pedido do MPF e determinou o bloqueio de 38 milhões de reais referentes à multa pelo descumprimento da quebra de sigilo dos usuários. O montante diz respeito ao acúmulo de penalidades de 1 milhão de reais, estipuladas para cada dia que a empresa não forneceu as informações. Segundo a promotoria, o Facebook, que é dono dos dois serviços, tem prazo de 15 dias para pagar esse valor.
Caso as informações não sejam fornecidas, a promotoria deve recorrer ao Marco Civil da Internet e solicitar o bloqueio do Facebook e do Whatsapp. “A postura de não atendimento às ordens judiciais claramente se caracteriza como ato atentatório à dignidade da Justiça, podendo, além da multa, vir a ser determinada a suspensão dos serviços da empresa no Brasil”, disse o procurador da República Alexandre Jabur, autor do pedido, em nota divulgada nesta quarta-feira (27) no site do órgão.
Procurado, o Facebook disse que não irá comentar a decisão.
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MEDIDAS CAUTELARES VIOLADAS

“O Ministério Público Federal (MPF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-senador Delcídio do Amaral violou as medidas cautelares impostas a ele em troca de liberdade. Na petição, os procuradores afirmaram que Delcídio deixou de comparecer à Justiça quinzenalmente, conforme ficou decido no alvará de soltura.
A informação foi enviada ao ministro Teori Zavascki, que concedeu liberdade ao ex-senador em fevereiro. Segundo o MPF, o descumprimento pode levar Delcídio de volta à prisão. A decisão cabe ao ministro.
Sem citar a manifestação do MPF, espontaneamente a defesa do ex-senador enviou hoje (28) um ofício ao ministro para afirmar que Delcídio do Amaral está em sua residência em Campo Grande (MS) e só retornará a Brasília no dia 9 de agosto.
Delcídio foi preso em novembro do ano passado e solto em fevereiro deste ano por determinção de Teori Zavascki. De acordo com a decisão, Delcídio deveria cumprir recolhimento domiciliar e comparecer à Justiça quando fosse convocado.
A prisão do senador foi embasada em uma gravação apresentada à Procuradoria-Geral da República por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo a procuradoria, o senador ofereceu R$ 50 mil por mês para Cerveró e sua família, além de um plano de fuga.
Conforme os procuradores, o objetivo de Delcídio era evitar que o ex-diretor fizesse acordo de delação premiada. Os fatos ocorreram em uma reunião da qual participaram Bernardo Cerveró, o ex-advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, e o então senador Delcídio do Amaral.”
 Da Agência Brasil
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A PASSOS DE TARTARUGA

A Justiça Federal de Brasília decidiu receber ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro do Turismo do governo Michel Temer e ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Na ação, a Procuradoria da República diz que o político era conhecido como "Riquinho" entre parlamentares. A partir dessa decisão, Alves passa a responder como réu no processo que apura indícios de enriquecimento ilícito entre 1998 e 2002, período em que exerceu mandato parlamentar.
As informações foram divulgadas no site da Procuradoria da República em Brasília. Proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2004, a ação já havia sido recebida, mas o prosseguimento do processo foi interrompido depois que Alves apresentou recurso questionando a prescrição dos fatos e a legitimidade das provas apresentadas pela Procuradoria.
Depois de analisadas essas questões pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o caso seguiu com o juiz de primeiro grau. Nessa instância, o magistrado da 16.ª Vara Federal Marcelo Rebello Pinheiro decidiu que existem provas suficientes para confirmar o recebimento e dar continuidade à ação de improbidade.
Sobre os requisitos para que o caso fosse reaberto, o juiz analisou a peça inicial apresentada pelo Ministério Público Federal e concluiu que a ação "descreve minuciosamente as circunstâncias fáticas e jurídicas que embasam, de modo suficientemente preciso e capaz de ensejar o seu prosseguimento".
Já em relação à prescrição, o magistrado explica que, de acordo com a lei, o prazo prescricional para ação de improbidade administrativa começa a correr após o término do último mandato do parlamentar. No caso analisado, o acusado foi deputado federal por onze mandatos consecutivos, de 1971 a 2014.
Embora a ação de improbidade se refira a supostas irregularidades cometidas no período de 1998 a 2002, Alves continuou no cargo de parlamentar até dois anos atrás. O juiz concluiu que, enquanto não cessa o vínculo do agente com a administração, não tem início o prazo prescricional.
Na mesma decisão, o juiz se manifestou sobre o pedido do Ministério Público Federal, apresentado em junho passado, para afastamento do sigilo do caso. Marcelo Pinheiro decidiu pela publicidade dos autos.
O magistrado considera que nas ações de improbidade administrativa "é evidente o interesse social, o qual exige a publicidade justamente para que se possa dar o direito ao povo de conhecer a fundo as atitudes de seus representantes políticos".
No entanto, o processo não é totalmente público. Como há documentos anexados ao processo que "podem expor a privacidade do envolvido", como extratos bancários e faturas de cartão de crédito e dados fiscais, o juiz federal colocou sob sigilo essas informações.
A ação do Ministério Público, apresentada há mais de 12 anos, levou à Justiça o fato de que Henrique Eduardo Alves "demonstrava sinais de riqueza incompatíveis com sua renda e seu patrimônio declarados como deputado federal e empresário".
Constam das irregularidades apontadas à época, segundo o Ministério Público Federal, "transferência patrimonial dissimulada; despesas e gastos em montante superior à receita declarada; titularidade dissimulada de sociedades comerciais, contas-correntes, investimentos, movimentação financeira e cartões de crédito em instituições financeiras com sede na Suíça, nos Estados Unidos e em paraísos fiscais, bem como por meio de empresa offshore, sem que fossem identificadas as saídas de divisas do país".
A Procuradoria citou uma movimentação em instituição financeira no exterior de mais US$ 300 mil em despesas. Isso somente em faturas de cartão de crédito emitido no exterior, e de titularidade de Henrique Eduardo Alves.
Outras situações também chamaram a atenção da Procuradoria. O político "usufruía de um padrão de vida luxuoso, bancava os gastos de diversos cartões de crédito para os filhos e para a esposa e ainda era chamado de 'riquinho' pelos demais parlamentares".
O Ministério Público também revelou que a ex-mulher de Alves Mônica Azambuja teve durante um bom tempo suas despesas pagas por ele, além de ter recebido a quantia de R$ 1,5 milhão entre 2002 e 2003 como indenização em divórcio.
Alves poderá ser condenado a ressarcir os cofres da União, ter os direitos políticos suspensos e ficar proibido de contratar com o poder público, entre outras sanções previstas na Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade).
Defesa
A reportagem tentou contato com o celular do ex-ministro, mas não conseguiu estabelecer contato. O espaço está aberto para a manifestação do peemedebista.
Estadão Conteúdo, via UOL
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NÃO CHORE POR MIM, ARGENTINA

Há exatos 64 anos, argentinos choravam a morte de Eva Perón, conhecida como Evita. Vítima de um câncer uterino, Evita morreu aos 33 anos. Seu velório parou o país. E o mito estava apenas começando.
Atriz, Evita se tornou uma líder política em seu país, quando casou com o general Juan Domingo Perón, tornando-se primeira-dama da Argentina.
Em 1996, chegou às telas de cinema de todo o país, o filme Evita, protagonizado pela popstar, Madonna e Antonio Banderas, dirigido por Alan Parker.
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SE MEU FUSCA FALASSE

Prefeita de Fortaleza por oito anos e atual deputada federal, Luizianne Lins vai usar um Fusca vermelho como mascote em sua campanha eleitoral pela Prefeitura em 2016. O anúncio foi feito em sua página no Facebook, na qual pediu sugestão de nomes para o carro. A estratégia não é nova em campanhas eleitorais e significativa em uma disputa que deve ter como um dos temas principais o debate sobre mobilidade urbana.
Nas opções de nome do Fusca, Luizianne pediu a sugestão de seus seguidores para decidir entre “Frida”, “Trovão Vermelho”, “Lulu-Móvel” ou “Vermelhão”. Nos comentários, há outras sugestões de eleitores como “Fuscaleza” e “Coração Vermelho”.
“Eu e o nosso mascote da (pré-)campanha, que vai nos acompanhar nas carreatas e eventos em todas as partes de Fortaleza”, escreveu a deputada. Luizianne deve apostar principalmente no eleitorado da periferia da Capital, onde conquistou apoio em seus dois mandatos devido a políticas sociais.
Adotar um Fusca como estratégia para conquistar o eleitorado não é novidade. O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica popularizou seu estilo pouco afeito aos luxos de uma presidência ao andar em Fusca azul celeste, fabricado no Brasil na década de 1980.
Em Fortaleza, outros protagonistas políticos já circularam pedindo voto pela cidade em outros veículos pouco convencionais. Em 2012, o ex-governador Cid Gomes (PDT) adotou uma motoneta amarela para pedir votos para seu candidato, o atual prefeito Roberto Cláudio, ainda no PSB. O senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado de Cid à época, também recorreu à estratégia e guiou uma bicicleta enfeitada com cartazes, bandeiras e adesivos em prol do atual prefeito.
Em 2014, na campanha pelo Governo do Estado, Cid estilizou um Troller amarelo para pedir votos para o governador Camilo Santana (PT) e o então candidato ao Senado, Mauro Filho.
Luizianne anunciou sua pré-candidatura à Prefeitura no final de maio, após disputa interna no PT, dividido entre lançar candidatura própria ou apoiar a reeleição do atual prefeito, Roberto Cláudio, aliado político do governador Camilo Santana, mas desafeto da ala ligada à petista.
Entre os nomes já anunciados previamente para disputar a Prefeitura, estão Roberto Cláudio (PDT), o deputado estadual Capitão Wagner (PR), o deputado estadual Heitor Férrer (PSB), o vereador João Alfredo (Psol), o deputado federal Ronaldo Martins (PRB), o deputado estadual Tin Gomes (PHS), Francisco Gonzaga (PSTU). Por ser uma área de muitos investimentos na atual gestão e um desafio para grandes centros urbanos, a forma como os fortalezenses se locomovem pela cidade deve ser um dos principais temas dos debates entre os candidatos.
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quarta-feira, 27 de julho de 2016

DE VOLTA À PRISÃO

A Justiça do Rio decidiu na tarde desta quarta-feira (27/7), mandar de volta à prisão o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, os empresários Adir Assad, Marcelo Abbud e Fernando Cavendish, dono da Delta, e Cláudio Abreu, funcionário da Delta. Os cinco foram presos na Operação Saqueador, que investiga supostos desvios de recursos de obras públicas, mas estavam cumprindo prisão domiciliar.
O julgamento do mérito do habeas corpus (HC) foi feito pela 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), formada pelos desembargadores federais André Fontes, Abel Gomes e Paulo Espírito Santo. Os acusados podem recorrer da decisão que confirmou a prisão preventiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A posição do TRF-2 foi por unanimidade.
"O País não suporta mais a corrupção, a violência e desvio de conduta das autoridades. Não suporta mais a impunidade. Tem que dar um basta", afirmou Espírito Santo, que também é presidente do TRF-2.
O desembargador Abel Gomes, relator do caso, foi favorável à manutenção da prisão preventiva. "É medida necessária para reafirmar preventivamente a ordem pública, amenizar a sensação de impunidade e reafirmar a credibilidade da Justiça".
A procuradora regional da República, Monica de Ré, defendeu no julgamento que a permanência dos acusados em liberdade representa risco de voltarem a praticar os crimes. A procuradora reivindicou ainda que os recursos "saqueados dos cofres públicos" deveriam ser devolvidos para "suprir o déficit do Estado do Rio de Janeiro".
"Permitir que (Cachoeira) fique em casa, com liberdade de articulação, é crença na redenção do ser humano, cuja vida é marcada por fatos ilícitos. Em casa, com tornozeleira, podem continuar a praticar delitos e a ação penal pode ser comprometida com a soltura deles", disse a procuradora.
O advogado Miguel Pereira, que representa Assad e Abbud, argumentou que não há fato novo que justifique a prisão de seus clientes. Pereira apontou que as investigações são referentes a fatos que teriam ocorrido entre 2007 e 2012. "Não houve reiteração de fatos e, diante disso, não se pode antecipar uma pena que não existe".
Antônio Sérgio Pitombo, advogado de Cavendish, também defendeu que não há fato novo e apresentou como argumento adicional que o empresário é pai de duas meninas de seis anos que são dependentes dele, uma vez que a mãe delas morreu em um acidente.
"Não estou falando apenas do paciente, mas também de mais duas meninas. Se o pai é responsável único pelas crianças a prisão deve ser domiciliar", defendeu. A procuradora defendeu que Cavendish não pode ser único responsável pelas filhas e citou como que no espaço de um ano ele teria feito 15 viagens ao exterior, sendo que as menores o acompanharam apenas em uma.
O argumento de que não há fato novo também foi utilizado pela defesa de Abreu. Entre outros pontos, o advogado Cleber Lopes, representante de Cachoeira, disse que a prisão não é necessária uma vez que o seu cliente tem prestado esclarecimentos desde a época do inquérito policial, de 2012. Para ele, é necessário demonstrar o motivo que aponte porque as medidas cautelares não são suficientes.
Prisão domiciliar
Após serem presos na Operação Saqueador, os acusados deixaram o presídio Bangu 8, no Rio, no último dia 11 e cumprem prisão domiciliar. Eles foram beneficiados por decisão liminar do ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, a medida, que era provisória, perde o efeito com o julgamento do mérito do habeas corpus.
O primeiro relator do habeas corpus no TRF-2, Ivan Athié, concedeu liminar para converter a prisão preventiva dos cinco acusados em prisão domiciliar. O Ministério Público Federal recorreu então da decisão e arguiu a suspeição do desembargador alegando que o então advogado de Cavendish, Técio Lins e Silva, tinha defendido o desembargador em ação penal no STF. Foi alegada uma suposta amizade entre Athié e o Técio Lins e Silva. Athié pediu para deixar o caso, embora tenha ressaltado não ter nenhuma ligação íntima com o advogado.
O desembargador federal Paulo Espirito Santo resolveu manter a determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que decretou a prisão preventiva. O relator do caso, Abel Gomes, confirmou a decisão de Espírito Santo.
Ainda hoje a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro será comunicada da decisão e deverá expedir a ordem de prisão dos cinco réus. O cumprimento da medida pode ocorrer ainda hoje.
Operação Saqueador
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro deflagraram no dia 30 de junho a Operação Saqueador, que investiga supostos desvios de R$ 370 milhões em obras públicas atribuídas à Construtora Delta, que era controlada por Cavendish Além do empresário, foram denunciadas mais 22 pessoas que estariam envolvidas no esquema de lavagem envolvendo verbas públicas federais.
O MPF investigou a atividade da empreiteira Delta e constatou que, entre 2007 a 2012, a empresa teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas públicas, chegando ao montante de quase R$ 11 bilhões. Desse total, mais de R$ 370 milhões foram lavados, por meio de pagamento ilícito a 18 empresas de fachada, criadas pelos chamados "operadores" do esquema.
Cachoeira, Assad e Abbud eram os responsáveis por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos, por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas. A empresa fez sem licitação, por exemplo, o Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
Da Agência Estado, via Correio Braziliense
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DESFAÇATEZ À DILMA

A presidente da República afastada, Dilma Rousseff, se esquivou de responsabilidades sobre a denúncia de caixa 2 na sua campanha de 2010 e deu a entender que o problema é do PT. O publicitário João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, alegaram na semana passada que US$ 4,5 milhões recebidos em uma conta na Suíça tiveram como origem caixa 2 da campanha de Dilma. O casal foi interrogado em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância.
"Se ele recebeu US$ 4,5 milhões, não foi da organização da minha campanha, porque ele diz que recebeu isso em 2013. A campanha começa em 2010 e, até o fim do ano, antes da diplomação, ela é encerrada. Tudo que ficou pendente sobre pagamentos da campanha passa a ser responsabilidade do partido. Minha campanha não tem a menor responsabilidade sobre em que condições pagou-se dívida remanescente da campanha de 2010. Não é a mim que você tem de perguntar isso. Ele (João Santana) tratou essa questão com a tesouraria do PT", afirmou Dilma na manhã desta quarta-feira, 27, em entrevista à Rádio Educadora, de Uberlândia (MG).
Disposição
Questionada sobre informações divulgadas pela imprensa, de que ela teria dito ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), querer "acabar logo com essa agonia" do impeachment, Dilma disse que essa história é uma invenção. "Eu não estive com ele (Renan) na semana passada nem retrasada. Há uma tentativa sistemática da mídia de querer passar uma imagem de que eu estou disposta a renunciar, que estou cansada. Eu não estou cansada, estou plenamente disposta a lutar até o último minuto pelos meus direitos", afirmou Dilma.
A presidente afastada disse não ser verdade existirem perspectivas desfavoráveis a ela sobre a futura votação no Senado. Segundo ela, à medida que se aproxima o dia do julgamento do mérito pelos senadores, haverá uma "guerra de informação", com um lado dizendo que tem os votos necessários e o outro desmentindo. "É que nem jogo de futebol, que se joga até o fim da partida. Eu vou lutar até o fim para ganhar e fazer com que a democracia ganhe".
Segundo Dilma, sua defesa será entregue até quinta-feira, 28, para a Comissão Especial do Impeachment. Ontem, a comissão concedeu mais um dia de prazo, após os advogados de Dilma alegarem que não conseguiram acessar o site do Senado para obter documentos do processo. "Nossa defesa está praticamente pronta e será entregue amanhã, isso é algo trivial", comentou.

Do Estadão Conteúdo, via UOL
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ENCONTRADO MORTO

Do O Povo
O prefeito de Nova Olinda, Ronaldo Sampaio (PDT), foi encontrado morto no início da tarde desta quarta-feira, 27, nas proximidades do Sítio Zabelê, trecho da CE-292 entre o município e o Crato. Afastado do cargo desde junho deste ano, Ronaldo estava desaparecido desde as 9h desta quarta.
A informação foi confirmada pelo comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar em Juazeiro do Norte, Tenente Coronel Paulo Herman Fernandes. Segundo ele, diversas viaturas e um helicóptero da Polícia Ambiental procuravam o prefeito desde o início da manhã. Buscas eram auxiliadas pelo Corpo de Bombeiros.
De acordo com o relato, Ronaldo Sampaio se dirigia ao Crato na manhã desta quarta, acompanhado por sua chefe de gabinete. Na altura do sítio Zabelê, ele parou o veículo no acostamento, sob a justificativa de que iria urinar. Depois, o prefeito saiu em direção da mata da Floresta Nacional do Araripe, onde desapareceu. Após esperar por quase uma hora, a assessora ainda tentou localizar Ronaldo, sem sucesso, recorrendo então à Polícia.
Investigações
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) também confirmou a morte do prefeito Ronaldo Sampaio. A pasta afirma que a área onde o corpo foi encontrada já foi isolada e que equipes da Polícia Civil e da Polícia Forense já se encaminham à região para iniciar investigações do caso.
Segundo a SSPDS, trabalhos de busca começaram por volta do meio-dia, sendo a morte de Sampaio confirmada às 14h45min. O prefeito era pai de três filhas, estando sua namorada grávida.
Prefeito afastado
Ronaldo Sampaio estava afastado do cargo pela Câmara de Nova Olinda desde 20 de junho deste ano, em meio a um impasse sobre seu mandato. O prefeito era acusado pelo Ministério Público do Estado (MP-CE) de ter contratado irregularmente entre 2014 e 2015 a psicóloga Viviane Chaves dos Santos, que seria uma "funcionária fantasma" da gestão.
Namorada do prefeito à época, Viviane teria recebido salário da Prefeitura mesmo sem ter prestado serviços no município. Mesmo sem contrato formal, conforme a acusação do MP, ela tinha carga horário de 20 horas semanais e, no total, teria recebido R$30.000 por serviço não prestado.
Em maio deste ano, a Justiça do Ceará decretou o afastamento do prefeito sob suspeita de que ele poderia estar tentando atrapalhar as investigações. Ele retornou ao cargo em 17 de junho, por decisão da presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, Iracema do Vale. Três dias depois, no entanto, a Câmara determinou novo afastamento.
Desde então, tomou posse o vice-prefeito Elízio Manoel (PMDB). Conhecido como "Cabeludo", o vice rompeu politicamente com o prefeito no início da gestão. (colaboraram Lucas Mota e Amaury Alencar)
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MORDOMIA INVESTIGADA

Da ISTOÉ
Na semana passada, a presidente afastada, Dilma Rousseff, por meio de nota à imprensa, procurou explicar as mordomias ilegais que, com dinheiro público, privilegiam sua filha, seu genro e seus netos, como mostrou reportagem publicada por ISTOÉ. Mais uma vez, ela lançou mão de argumentos falsos para esconder práticas nada republicanas. Os privilégios concedidos à família da petista serão agora alvos de investigações pedidas pelo DEM. O partido vai solicitar ao Ministério Público e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que apurem quem as liberou, além de pedir para que sejam suspensas.
Em sua última edição, ISTOÉ revelou que Paula Rousseff, filha da presidente afastada, e Rafael Covolo, seu marido, têm à disposição, em Porto Alegre (RS), uma frota de oito carros oficiais de representação (todos blindados e autorizados a circular com placas frias) e um staff formado por 16 profissionais, entre motoristas e seguranças. A reportagem constatou que esse aparato pago pelos contribuintes é usado pelos familiares de Dilma em atividades corriqueiras, como idas ao cabelereiro, petshop, além do transporte dos netos da petista à escola. Cálculos feitos por técnicos do GSI indicam que a mordomia custa cerca de R$ 300 mil por mês. A reportagem de ISTOÉ constatou que, em junho, gastou-se mais de R$ 13 mil só em combustível.
LEIS DESMENTEM DILMA
“Dilma gosta de exaltar que nunca se beneficiou da coisa pública. É preciso então que sejam esclarecidas estas graves denúncias”, diz o presidente do DEM, senador Agripino Maia. Na semana passada, depois da revelação feita por ISTOÉ, Dilma tentou explicar a mamata. Em nota, ela não negou que o staff pago com dinheiro público esteja a serviço de sua filha e de seu genro, mas procurou dar ares de legalidade, citando uma série de leis e decretos. O problema é que basta uma leitura atenta às leis mencionadas pela própria presidente afastada para concluir que a mordomia dada aos Rousseff é ilegal.
A petista diz que o inciso VII do artigo 6º da Lei 10.683, de 28 de maio de 2003, garante que os familiares do presidente da República e do vice-presidente tenham segurança fornecida pelo Estado. É verdade. A lei sancionada pelo ex-presidente Lula garante que os filhos de presidente tenham direito a seguranças. Mas, ao contrário do que diz Dilma, o texto não prevê o uso de carros oficiais para fazer o transporte da família presidencial, muito menos de um presidente afastado de suas funções.
Em tese, só a escolta para segurança seria permitida e ainda assim se houver risco iminente à integridade. Em outro trecho da nota, Dilma invoca o artigo 5º do decreto 6.403. Novamente, equivoca-se. O decreto prevê o uso de veículos de “transporte institucional” aos parentes do presidente, em ocasiões especiais. Na verdade, Paula Rousseff e o marido usam outro tipo de serviço, o de “carros de representação.” Os carros do chamado serviço institucional são veículos comuns, com identificação de “a serviço do governo federal” nas portas.
Já os veículos de representação são os chamados vips. São carros blindados com placas frias. Esses últimos, segundo artigo omitido por Dilma, “são utilizados exclusivamente pelo presidente da República, pelo vice-presidente”, pelos Comandantes das Forças Armadas e por ex-presidentes. Categoria que os parentes dela não se encaixam. Para juristas ouvidos por ISTOÉ na quarta-feira 20, os familiares de Dilma e aqueles que liberaram a mordomia podem ser responsabilizados nas esferas criminal e cível. “Uma ilegalidade destas já fez muitos parentes de prefeitos pelo País responderem pelo crime de peculato”, afirma o especialista em direito público José Badue Freire, do escritório Peixoto e Cury.
“Aqueles que se beneficiaram podem ser condenados a ressarcir as despesas aos cofres públicos acrescidas de multas pelo desrespeito à lei”. Para quem for designado a investigar o caso, o jornal O Estado de S.Paulo publicou, na quarta-feira 20, um caminho a ser seguido. De acordo com a publicação, os veículos usados pela família da petista foram licitados para atender ao então vice Michel Temer. Depois, acabaram desviados em uma canetada de mãe para filha à família Rousseff enquanto Temer permaneceu usando carros mais antigos.
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CENA PATÉTICA

Secretário de Direitos Humanos e Cidadania na gestão do petista Fernando Haddad até abril deste ano, o ex-senador Eduardo Suplicy foi detido pela Polícia Militar por obstruir a Justiça, na manhã da última segunda-feira (25).
Talvez por falta de informação sobre o mandado de reintegração de posse de um terreno, pedido pela prefeitura de São Paulo, administrada por Haddad, do PT, o mesmo partido de Suplicy, o ex-senador foi protagonista de uma cena patética.
Pra tentar impedir que a PM cumprisse o mandado de reintegração do terreno, Suplicy deitou-se no chão, impedindo a passagem dos policiais –sem êxito – o ex-secretário foi retirado pela polícia. Ficou detido por 3 horas.
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MULHERES COM MARTA

Entre saquinhos de pipoca e refrigerante, Marta Suplicy reuniu cerca de 70 mulheres na sexta-feira à noite, na sede do PMDB, para falar de sua candidatura à Prefeitura. As convidadas? Iam desde integrantes da classe mais abastada a representantes de associações da periferia paulistana.
A peemedebista discutiu temas como a qualificação dos professores, o problema do crack e as ações da GCM – que tende a ser o calcanhar de Aquiles na campanha para reeleição de Fernando Haddad. “Quando cheguei à Prefeitura, não tinha guarda. A guarda é uma coisa do meu coração. A guarda tem que ficar na porta da escola, tem que ser comunitária, hoje ela só multa e fiscaliza rapa”, alfinetou a candidata.
Algumas das presentes deixaram claro que estavam ali para ouvir e não necessariamente para apoiar Marta. Para Eliandra Mendes, participar desses encontros é prova do amadurecimento dos cidadãos brasileiros. “Precisamos ouvir sobre a viabilidade das propostas, assim é que poderemos escolher em quem votar”, justificou.
Já Helena Montanarini, ressaltando que este era o primeiro convite que recebia de candidato a prefeito, disse achar importante ouvir as mulheres. “Nossa voz abrange todos os problemas da cidade e possibilita maior abertura da mulher na gestão municipal”. Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, sem se desgrudar da sua cachorra Jack Russell chamada Fé, mostrou interesse em aumentar a presença da mulher na gestão pública. Ela lidera o grupo We.Gov, sobre mulheres na política.
De sua parte, as representantes da periferia engrossaram o coro de Marta contra o prefeito. “O Haddad destruiu tudo de política pública que a senhora fez na periferia”, contou Andrea Cavalcanti, da Capela do Socorro.
O encontro faz parte de uma série de reuniões setoriais que a candidata está promovendo para elaborar seu plano de governo. Médicos, taxistas e empresários já foram contemplados.
Blog Direto da Fonte, O Estado de S.Paulo
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