sexta-feira, 23 de junho de 2017

NOITES DE INSÔNIA

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira (22), a validade da homologação das delações da JBS, com acordos de colaboração premiada, além da manutenção do ministro Edson Fachin como relator do caso.
O STF é formado por 11 ministros. Foram 6 votos a favor para que Fachin continue no caso JBS e pela validade da delação (Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Dias Toffoli). Ainda não foram computados os contra.
Sendo assim, a delação de Wesley Batista, um dos donos da JBS, está confirmada, e o ex-governador Cid Gomes está muito enrolado e será julgado na Lava Jato. O empresário afirmou que o irmão de Ciro Gomes, em 2014, recebeu R$ 20 milhões em propina para usar na campanha eleitoral.
“O governador Cid Gomes esteve lá no meu escritório, comigo e com Joesley, falou conosco, em São Paulo, e pediu uma doação. Nós perguntamos quanto ele esperava de doação, e ele falou que esperava de nós R$ 20 milhões. Eu falei: ‘olha, governador, impossível eu contribuir com R$ 20 milhões enquanto o Estado me deve R$ 110 milhões e não me paga. Como é que eu posso desembolsar R$ 20 milhões sendo que o Estado que você governa não me paga. Ele não falou nada, ele saiu e falou: ‘Tá bom, deixa eu ver o que posso fazer sobre esse assunto’”, disse Wesley na delação.
Entend
Ainda segundo o empresário, esses R$ 20 milhões foram pagos da seguinte forma: R$9,8 milhões por meio de notas fiscais falsas frias de diversas empresas; e  R$ 10,2 milhões por meio de doações oficiais para vários candidatos.
Segundo Wesley, em 2010, também houve pagamento de propina:  R$ 4,5 milhões. Sendo R$ 3,5 milhões em notas frias e R$ 1 milhão via doação oficial.
No total, Cid Gomes teria recebido da JBS R$ 24, 5 milhões, em 2010 e 2014.
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

FUNCIONÁRIOS VAGABUNDOS

Do O Estado de S.Paulo

A divulgação de uma conversa do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, com sindicalistas gerou mal estar na empresa, a ponto de o executivo se ver obrigado a gravar uma fala na televisão interna da empresa pedindo desculpa pela "veemência" com que se referiu ao que considera "privilégios" na empresa. Por conta dos adjetivos "vagabundos" e "safados" usados pelo presidente para tratar de chefias da Eletrobrás, a Associação dos Empregados da Eletrobrás (Aeel) promoveu nesta quinta-feira, 22, paralisação de 24 horas.

"Lá em cima na cabeça, como tudo que tinha aqui. São 40% da Eletrobrás. 40% de cara que é inútil, não serve para nada, ganhando uma gratificação, um telefone, uma grava de garagem, uma secretária. Vocês me perdoem. A sociedade não pode pagar por vagabundo, em particular, no serviço público", traz um trecho de cinco áudios amplamente divulgados nos celulares dos funcionários nas duas últimas semanas.

Em outro trecho da conversa , o presidente diz que há na estatal muito mais gerente do que deveria. "Temos um monte de safado, lamentavelmente, que ganha lá 30, 40 pau. Tá lá em cima, sentadinho. O cara nem aí com a situação sua, que está querendo que você (sindicalista) venha aqui e me arrume um jeito de arranjar um PAE pra ele, para que ele ganhe uma fortuna, que ele sabe que está fora. E tem muito", traz o áudio.

Em resposta ao Broadcast, a Eletrobrás afirmou que Ferreira Júnior "reconhece que usou algumas expressões rudes", por isso, fez questão de gravar o vídeo pedindo desculpa.

"Cabe esclarecer, porém, que os áudios foram tirados do contexto. O presidente estava apresentando aos sindicatos a reestruturação da companhia, com o respectivo corte de cargos comissionados, o Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE), a privatização das distribuidoras e um futuro Plano de Incentivo ao Desligamento, quando o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) estiver implementado", traz a nota da Eletrobras. O CSC é uma plataforma tecnológica que deve gerar sinergia de atividades em todo o grupo, o que permitirá à empresa manter a produção com menos funcionários.

O plano de reestruturação financeira da Eletrobrás prevê o enxugamento do quadro de funcionários, de cerca de 23 mil para cerca de 12 mil, com a venda das distribuidoras (6 mil deixariam o grupo) e com plano de desligamento de empregados (5 mil). Além disso, desde o ano passado, a empresa está em processo de reestruturação interna. Foi extinto um nível hierárquico e reduzido em 53,9% o número de cargos comissionados, como gerentes, assistentes e assessores. A redução das chefias aconteceu na controladora, mas, a ideia é, neste ano, estendê-la às subsidiárias.

Durante a conversa com os sindicalistas, Ferreira Júnior tenta convencê-los de que as reivindicações apresentadas por eles favoreceriam funcionários que vivem em situação de privilégio. Os sindicalistas respondem então que as chefias privilegiadas "têm padrinhos" e que as mudanças trabalhistas que estão sendo implementadas "pega" para os demais, ao que o presidente emendou: "não, não vai pegar".

Em nota, a Eletrobrás informou ainda que os "sindicalistas ameaçaram entrar na Justiça contra as privatizações e se mostraram contrários ao plano de desligamento voluntário para o CSC". A empresa afirma também que "o presidente elencou diversas situações inaceitáveis dentro de uma empresa do porte da Eletrobrás, como falta de comprometimento de alguns gerentes, descaso com as metas da companhia e, até mesmo, fraudes envolvendo o sistema de catracas, que registram o ponto. Por isso, com o intuito de alertar aos sindicatos para que eles também se manifestem contra esse tipo de comportamento indevido, o presidente usou de maior veemência".

Na paralisação de hoje, o funcionários reivindicam também o pagamento da participação no lucro de R$ 3,4 bilhões de 2016, previsto no acordo coletivo, e reclamam do que consideram o desmonte da Eletrobrás, por conta do incentivo à saída de 5 mil funcionários. Segundo a empresa, "a companhia pode realizar o pagamento até 31 de dezembro do corrente ano e está negociando o calendário de pagamento".
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COTÃO AIRLINES

Utilizando dinheiro público da verba indenizatória (cotão), os deputados federais Giacobo (PR-PR), Átila Lins (PSD-AM), Júlio César (PSD-PI), Jutahy Júnior (PSDB-PA), Nilson Pinto (PSDB-PA) e Ságuas Moraes (PT-MT) alugaram aeronaves para se deslocar por diversas cidades de seus estados e, assim, turbinar a campanha eleitoral de candidatos aliados nas eleições municipais de 2016. Os recursos públicos também serviram para bancar hospedagens em hotéis durante os compromissos de campanha. Essas despesas somaram R$ 288 mil.
Documentos emitidos pela Câmara e o regulamento interno da Casa proíbem os deputados de utilizar recursos do chamado cotão para bancar despesas de caráter eleitoral. Cópias das notas fiscais apresentadas pelos parlamentares para cobrar ressarcimento da Câmara estão publicadas na seção de Transparência do site da Casa. Os deputados registraram sua participação nos eventos eleitorais em que usaram a verba pública nas redes sociais. Eles negam irregularidades (veja as respostas de cada um no final desta reportagem).
Contrariando as regras, o primeiro-secretário, uma espécie de “prefeito” da Câmara, Giacobo (PR-PR), participou de campanhas eleitorais dos candidatos a prefeito e vice da cidade de Diamante do Sul, município a 100km de Cascavel, destino do Learjet 45 que tem capacidade para dez passageiros e de propulsão a jato. A aeronave foi alugada pelo parlamentar com recursos da verba indenizatória ao custo de R$ 33 mil. Esse mesmo trajeto pode ser feito pela empresa comercial Azul, por exemplo, por pouco mais de R$ 2 mil.
No dia 26 de setembro, uma semana depois da ida a Cascavel e região, Giacobo alugou outra aeronave, dessa vez por “apenas” R$ 32 mil, para participar de atos eleitorais nos municípios de Campo Mourão, Honório Serpa, Santa Cruz do Monte Castelo, Loanda e Manoel Ribas. Os custos com as duas locações somaram R$ 65 mil.
Do Sul para o Norte
Átila Lins (PSD-AM) é outro parlamentar que usou dinheiro público para ajudar na campanha eleitoral de correligionários e aliados. O deputado aproveitou o feriado da Independência do ano passado para visitar o município de Barreirinha (AM) com o objetivo de ajudar na campanha de Glênio Seixas, que acabou sendo eleito prefeito do município. Mas essa não foi sua única viagem custeada com dinheiro da verba indenizatória.
O parlamentar esteve também em outros seis municípios amazonenses, sempre em companhia de um carona, o irmão Belarmino Lins, deputado estadual no Amazonas.
De acordo com regras da Câmara, apenas o deputado, seus assessores e secretários devidamente efetivados na Casa podem realizar voos em aeronaves fretadas e pagas com recursos da verba indenizatória.
As locações feitas pelo deputado Átila Lins no período custaram aos cofres públicos o montante de R$ 101,8 mil.
Também da região Norte, o deputado Nilson Pinto (PSDB-PA) enviou a conta de R$ 37 mil à Câmara para dar uma forcinha, em setembro passado, a alguns candidatos aliados nos municípios paraenses de Tailândia, Juruá, Cametá, Goianésia do Pará, Santa Maria do Pará, Dom Eliseu, Moju e Prainha.
Do Norte para o Nordeste
Jutahy Júnior (PSDB-BA) percorreu municípios baianos para ajudar colegas de partido e coligações a se elegerem prefeitos e vices. Sempre em aeronaves fretadas e pagas pela cota da Câmara, ao custo total de R$ 55,9 mil.
Em 16 de setembro do ano passado, o deputado partiu de Salvador e foi até Lençóis. Em seguida, percorreu de carro pouco mais de 90 Km para ajudar na campanha de Joyuson e Átila, candidatos à prefeitura de Utinga.
Após pernoitar com seu assessor numa pousada em Lençóis, estadia também paga com a cota da Câmara, foi até os municípios de Luís Eduardo Magalhães, Buritirama e Barreiras, sempre em busca de votos para candidatos apoiados por seu partido. No dia 18, voou até Santa Maria da Vitória. De lá, de carro, foi até Santana, distante pouco mais de 50 Km, onde participou de mais um evento eleitoral.
No dia 29, Jutahy partiu de Salvador com destino a Jacobina, onde participou da campanha de Luciano e Clériston. Em seguida, foi até o município de Saúde, distante 46 km, para também tentar conseguir votos para o candidato à prefeitura daquela cidade.
Já no dia 1º de outubro, Jutahy Jr. seguiu em carreata pelas ruas de Salvador ao lado de ACM Neto, prefeito reeleito naquele mês com quase 74% dos votos válidos.
Júlio César (PSD-PI) fretou uma aeronave por R$ 14,9 mil que partiu da capital Teresina e foi até Uruçuí, localizado às margens do rio Parnaíba. No caminho, percorreu 11 municípios e em todos distribuiu sorrisos, apertos de mão e proferiu palavras em apoio aos candidatos à prefeitura daquelas cidades.
Em sua cidade natal, Guadalupe, o deputado atingiu seu objetivo ao ver sua “afilhada política” Neidinha (PSD) ser eleita com 61,9% dos votos. A gastança com a locação do avião ficou em R$ 23,8 mil.
Do Nordeste para o Centro-oeste
Ságuas Moraes (PT-MT) realizou uma verdadeira peregrinação ao visitar mais de 30 municípios mato-grossenses para fazer campanha eleitoral com candidatos de seu partido ou apoiados por ele. O deslocamento ocorreu quase sempre com aeronaves alugadas com dinheiro do cotão, despesa que somou mais de R$ 36 mil.
A confusão
É proibida pela própria Câmara a utilização de recursos da verba indenizatória para cobrir despesas de caráter eleitoral, qualquer que seja ela e a qualquer tempo. Entretanto, alguns deputados desconhecem a restrição e acreditam não ter cometido irregularidades. Eles recorrem a um artigo da regra interna (Ato da Mesa Nº 43/2009) que permite ao parlamentar fazer divulgação do seu mandato (Art. 2º, XII), dispositivo que não autoriza o emprego dos recursos públicos em campanhas.
A confusão se deu no entendimento entre “divulgar o mandato” e “fazer campanha eleitoral, ainda que para terceiros”. Essas regras preveem que o deputado pode utilizar do cotão para divulgar seu mandato, ou seja, fazer publicações gráficas, em áudio ou vídeo, de realizações de seu mandato parlamentar, mas não pedir votos para si ou para outros. Há uma rubrica apenas para isso. A ideia é que o deputado preste contas de sua atuação no Congresso ao eleitor.
A fiscalizadora                                                                 
A descoberta de todas essas irregularidades foi feita pela Operação Política Supervisionada (OPS), iniciativa popular coordenada por seu fundador Lúcio Big e com foco na fiscalização do uso de verbas públicas.
A organização assegura que todos os parlamentares listados nessa reportagem serão denunciados no Ministério Público Federal por uso irregular de verba pública. Também será encaminhada à Câmara solicitação para que seja promovida a restituição aos cofres públicos do valor resultante de todas as locações e gastos, montante que soma mais de R$ 288 mil.
Em trabalhos similares, a OPS já provocou uma economia superior a R$ 5,5 milhões aos cofres públicos, apresentando denúncia no MPF contra 64 parlamentares federais.
O que dizem os deputados
Átila Lins
“Inicialmente, esclareço que sou um parlamentar eleito pelos votos da grande maioria dos eleitores do interior amazonense. Todas as viagens que realizo pelas cidades do estado do Amazonas tem o objetivo único de ver ‘in loco’ os problemas de seus gestores e ouvir os anseios dos seus moradores, cumprindo assim o efetivo exercício do meu mandato parlamentar. Observando, portanto, o Ato da Mesa Diretora Nº 43, de 21/05/2009, e não sendo candidato em 2016, estou certo que não cometi qualquer ato infracional.”
Nilson Pinto
O deputado disse ao Congresso em Foco que não foi candidato em 2016 e que o fretamento das aeronaves e as viagens foram realizados dentro da legalidade prevista no Ato da Mesa Diretora Nº 43/2009. Ele alegou ainda que as participações em campanhas eleitorais se deram em coincidência de estar em determinados municípios no mesmo dia em que houve eventos eleitorais. Disse ainda que não considera ter cometido erros nos gastos, mas que discutiria com a Câmara caso sejam configuradas as irregularidades.
Giacobo
“No período citado (19,20,26 e 27 de setembro do ano passado) utilizei, rigorosamente, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar nos estritos limites estabelecidos pelo Ato da Mesa 43/2009.”
Jutahy Júnior
O deputado disse que participou das campanhas eleitorais como parte de sua atividade parlamentar e que acredita não ter cometido qualquer erro no uso da verba indenizatória.
Júlio César
Confirma as locações, mas desconhece que não poderia utilizar recursos da verba indenizatória para custear despesas em campanhas eleitorais. Disse ainda que não se lembra de ter participado de campanhas em seu município, e que consultou a Coordenação de Gestão de Cota Parlamentar (Cogep) da Câmara, e que foi informado que poderia fazer uso da verba para tal fim.
Ságuas Moraes
Não respondeu às perguntas enviadas pela redação até o fechamento desta matéria
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MENOS MULTA, MAIS EFICIÊNCIA

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou nesta quarta-feira (21) o fim das multas ao motorista que não estiver com a carteira de habilitação ou a licença do veículo no momento da abordagem. Aprovado em caráter conclusivo, o projeto segue direto para o Senado, caso não haja recurso para análise do plenário da Câmara.
O projeto, de autoria da ex-deputada Sandra Rosado e da deputada Keiko Ota (PSB-SP), altera o Código de Trânsito Brasileiro e determina que, na ausência dos documentos, o agente de trânsito obtenha as informações por meio de consulta a banco de dados oficial.
Quando não for possível a consulta online das informações do veículo ou do condutor, o motorista terá até 30 dias para levar o documento ao órgão de trânsito responsável pela autuação. Com isso, o auto de infração será cancelado e o motorista não terá pontos computados em sua carteira.
A medida não vale a pessoas que forem flagradas dirigindo sem ter tirado a carteira de habilitação.
Segundo a Câmara, a comissão acompanhou o voto do relator, deputado João Campos (PRB-GO), pela constitucionalidade e juridicidade do texto.
Pelas regras atuais, quem é flagrado dirigindo sem portar o licenciamento e a carteira de motorista pode ser multado e ter seu veículo retido até a apresentação dos documentos. A infração é considerada leve e rende três pontos na carteira de habilitação, além de multa de R$ 88,38.
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PARABÉNS, MARCO PRADO !

A quinta-feira amanheceu achocolatada, hoje é dia de abraçar e parabenizar o ex-vereador de Sobral (CE), Marco Prado, o Chocolate.
O jovem político da família Prado desenvolveu um excelente trabalho quando esteve vereador na Câmara Municipal de Sobral.
Os sobralenses que acompanharam suas atividades parlamentares no legislativo sobralense se sentiram representados. O povo teve voz e vez.
A perseverança tem sido a marca desse político que não economiza esforços em defesa da população de Sobral.
Marco Prado tem demonstrado em suas ações que ainda é possível fazer politica com ética, competência e respeito.
Chocolate, saúde, paz e felicidade. Parabéns, Marco Prado!
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

RECORDANDO BRIZOLA

Há exatos 13 anos, um dos políticos mais contundentes da política brasileira, Leonel Brizola fez sua última viagem em 21 de junho de 2004. Nascido em 22 de janeiro de 1922, em Carazinho, município pertencente de Passo Fundo.
Brizola entrou na política lançado por Getúlio Vargas. Uma das façanhas de Brizola foi governar dois estados diferentes: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, eleito pelo povo.
Leonel Brizola teve uma extensa carreira política: foi prefeito de Porto Alegre, deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e pelo extinto estado da Guanabara, e duas vezes governador do Rio de Janeiro.
Ingressou na política partidária no antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), por recomendação pessoal de Getúlio Vargas – seu padrinho de casamento – sua primeira candidatura a cargo eletivo foi para deputado estadual e foi eleito.
Sua influência política no Brasil durou aproximadamente cinquenta anos, inclusive enquanto exilado pelo Golpe de 1964, contra o qual foi um dos líderes da resistência. Por duas vezes foi candidato a presidente da República do Brasil pelo PDT, partido que fundou em 1980, não conseguindo se eleger.
Brizola era casado com Neusa Goulart, irmã do ex-presidente João Goulart, com ela teve três filhos: Neusa, José Vicente e Otávio. Em 21 de junho de 2004, Brizola morreu aos 82 anos de idade, vítima de problemas cardíacos.
No aniversário de 90 anos de Brizola, foi lançado na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro o livro Leonel Brizola - a Legalidade e outros pensamentos conclusivos, organizado por Osvaldo Maneschy, Apio Gomes, Madalena Sapucaia e Paulo Becker.
A trajetória política, a vida pessoal de Leonel Brizola rende muitos livros – como já rendeu. Um dos mais recentes livros é Brizola que foi escrito por quem conviveu lado a lado com ele: Clóvis Brigagão e Trajano Ribeiro.
Outro livro lançado recentemente sobre Brizola é o Minha vida com meu pai, Leonel Brizola conta em detalhes a vida de Brizola sob o ponto de vista de seu filho, João Otávio. Não é uma daquelas biografias “chapa branca”, onde sobram elogios. Da forma mais imparcial possível, João revela como era o seu pai no cotidiano.A trajetória política, a vida pessoal de Leonel Brizola rende muitos livros – como já rendeu. 
O livro que mostra para as novas gerações o lugar de Leonel Brizola na política brasileira revivendo grandes momentos da história de Brizola, conseguirmos entender o quanto foi fundamental a sua dedicação ao Brasil.
Em 2015, em Porto Alegre, Brizola foi homenageado com uma estátua colocada entre o Palácio Piratini – sede do governo gaúcho – e a Catedral. A cerimônia contou com a presença de vários políticos, entre eles: os ex-governadores Alceu Colares e Germano Rigotto, o ex-senador Pedro Simon e do então governador Tarso Genro.
Para as novas gerações e para quem gosta do tema política, o blog Sou Chocolate e Não Desisto dá uma dica para conhecer sob outro ponto de vista, um pouco mais sobre a história desse homem que desafiou a Rede Globo nos anos 80 e venceu o governo do estado do Rio de Janeiro, vale a pena ler El Caudillo– um perfil biográfico do jornalista FC Leite Filho.
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

FAROESTE CABOCLO DE BOLSONARO

Augusto Nunes, VEJA

Em mais uma paródia da música Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, o site BHAZ acaba de publicar a biografia resumida do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). A composição é de Pedro Guadalupe S. L. Brandão, diretor do portal. Vale a pena assistir ao vídeo. E pensar.
Faroeste Caboclo IX – Jair Messias Bolsonaro
Virou o mito esse tal de Bolsonaro
defendido, adorado e idolatrado como um deus
É o rei das selfies e das páginas no Face
carregado pelos ombros pelos defensores seus

Por onde passa, cada vez mais gente acha
que só ele é a saída pro Brasil endireitar
E se alguém ataca o mito na internet
a sua tropa de choque chega junto pra brigar

Os bolsominions têm orgulho do Messias
que promete a política afinal moralizar
Desilusão com os políticos de sempre
faz crescer o defensor da ditadura militar

Na juventude resolveu que ia entrar
para o Exército que protege a nação
Se precisasse nas armas ia pegar
para poder ajudar na repressão

Fez a escola de cadetes do Exército
77 na Agulhas Negras se formou
O seu perfil de liderança agressiva
promovendo a rebeldia logo se manifestou

Um relatório do Exército mostrava
que ele era ambicioso e por isso liderou
um movimento reclamando dos salários
até mesmo um artigo na revista publicou

87, ele disse pra imprensa
que um protesto violento ia executar
Ia botar bombas nos quartéis, pra mostrar para o comando
que não ia recuar

Foi descoberto e um julgamento
aconteceu para o condenar
Ele escapou e conseguiu ir pra reserva
Só 11 anos na ativa militar / Com pouco tempo na ativa militar

Logo depois, recebeu uma proposta
tentadora, 88 era ano eleitoral
Ser candidato a vereador no Rio
para aproveitar a fama que ganhou no tribunal

“Meu Deus, mas que ideia linda
é muito bom pra política entrar
Esse lugar de poder e de dinheiro
na verdade era tudo que eu queria”

Já em 90 foi eleito deputado
federal colhendo os frutos do perfil conservador
Tinha o apoio dos colegas militares
no Distrito Federal então ele chegou

Em quase 27 anos em Brasília
Só um projeto pôde aprovar
Mas mesmo com esse desempenho pífio
Soube fazer o seu nome destacar

Ele sabia que a mídia dava espaço
pra opiniões bombásticas de um parlamentar
E aproveitava todas oportunidades
pra expor suas ideias e assim polemizar

“Bandido bom é bandido morto
e tem que ter castração pro sujeito que estuprar”
“Prefiro filho atropelado do que gay”
“Golpe de 64 temos que comemorar”

Logo logo, quem é reacionário conheceu o Bolsonaro
“Gostei desse cara aí!”
E o Jair com seu discurso de milico
cada dia mais aparecia ali

Fez barulho quando em 99
disse que daria golpe depois de ganhar
pra presidente
e também falou que era favorável à tortura
pro sujeito falar

Naquele mesmo ano ele empregou
a companheira e seus parentes, olha o que ele fez
Disse “não sou casado oficialmente
então eu posso contratar os três”

Agora o Bolsonaro demonstrava
que falava em moralismo mas também era imoral
“Eu sonego tudo que for possível”
mas defende dar porrada em criminoso marginal

O Bolsonaro elegeu sua esposa
para a Câmara do Rio mas depois se arrependeu
Ela ousou ter sua própria opinião
Ele não queria mais quem lhe desobedeceu

Ele elegeu o seu filho no lugar
e o comando ele voltou a ter
Com um irmão e três filhos na política
os Bolsonaro ampliaram seu poder

O tempo passa e um dia ele encontra
no plenário uma senhora com indignação
E ele encara a Maria do Rosário
que o chamou de estuprador, não tinha medo não

“Vou te dizer, se eu fosse estuprador
não merecia você ser estuprada não
E com certeza não defendo bandidinho
que merece estar a sete palmos sob o chão”

“E esse blablablá de direitos humanos
vai mudar quando eu chegar a presidir a Comissão”
Foi processado mas falou “não tenho medo de perder
meu mandato por quebra de decoro não”

A violência sempre é a solução
seja a porrada ou a intimidação
“a violência se combate com violência”
Eu vou morrer com essa convicção

Em todos os seus anos de Congresso
30 vezes já tentaram o seu mandato cassar
Segundo ele, deputado pode tudo
mas esquece que existe decoro parlamentar

Pra provocar quem procurava as ossadas
de quem desapareceu na ditadura militar
Fez um cartaz pra debochar dessa ideia
que se dane quem morreu no Araguaia

Ele defende adotar pena de morte
que cadeia é pra sofrer, e não pra recuperar
E se alguém vem criticar a ditadura ele diz:
“O grande erro foi torturar e não matar”

2013 o deputado justiceiro
foi autuado por fazer pesca ilegal
Meses depois, fez um projeto proibindo
uso de armas por fiscal ambiental

Em São Paulo, na Assembleia do estado
seu irmão tinha um emprego de assessor parlamentar
Foi demitido depois que descobriram
que ele só ficava ausente, nunca ia trabalhar

Se for eleito já avisou que não vai ter
“essa historinha de estado laico não”
As minorias que se danem ou que mudem
mas o Messias vai fazer o país cristão

No dia do impeachment da Dilma
ele aproveitou que todo o Brasil ia assistir
e dedicou seu voto para o Ustra
coronel torturador do governo Médici

E quando votava Jean Wyllys
ele ficou com o filho provocando por ali
E tomou uma cusparada de resposta
uma briga que a TV não cansou de exibir

Ele falou que todo mundo é igual
que machista com certeza ele não é
Mas depois de ter quatro filhos homens
“na quinta, dei uma fraquejada e veio uma mulher”

E falou que quilombola
nem para reprodução devia servir mais
Quer liberar porte de arma no Brasil
e não aceita as cotas raciais

Quando um jovem que roubava recebeu uma tatuagem
que dizia que era ladrão
Quem apoiou a punição na internet
foi quem quer o Bolsonaro no comando da nação

E foi a guerra dos tucanos com o PT
que fez o povo se desiludir geral
Ficou um vácuo muito grande de poder
que alimentou esse discurso radical

O povo declarava que o tal do Bolsonaro
era mito e presidente ia ser
Mas mito, como diz o dicionário
também é uma fantasia que não vai acontecer

Se for eleito, com certeza no outro dia
todo brasileiro armado vai querer fazer
sua justiça como seu líder defende
se é culpado ou inocente ninguém quer
saber

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domingo, 18 de junho de 2017

HORA DE DESLIGAR APARELHOS

Artigo de Fernando Gabeira
No terceiro ano da Lava-Jato, um assessor do presidente é filmado correndo com uma mala preta. No interior da mala, R$ 500 mil de uma pizzaria. Antigamente, tudo acabava em pizza. Aqui começou numa pizzaria chamada Camelo. Depois da delação da JBS, Temer entrou em guerra com a Lava-Jato. Os métodos são os mesmos, politizar a denúncia, investir contra juízes e investigadores. Os detalhes da denúncia da JBS são conhecidos, foram repetidos ad nauseum na televisão. A iniciativa de Temer ao partir para o confronto marca mais um capítulo de uma resistência histórica à Lava-Jato.
Nas gravações divulgadas, Lula foi o primeiro a articular uma reação, criticando os procuradores, confrontando Sérgio Moro, politizando ao máximo a luta ao que chama de República de Curitiba. Lula tentou articular uma reação. Ele percebeu que todo o sistema politico partidário poderia ruir. Não conseguiu avançar. Havia a possibilidade do impeachment, e o tema da luta contra a Lava-Jato caiu para segundo plano.
Num outro compartimento, as gravações de Sérgio Machado mostram a cúpula do PMDB tramando para deter as investigações. Nas intervenções de Romero Jucá fica claro que a expectativa era deter a sangria. Mas ao mesmo tempo era preciso derrubar o PT. Possivelmente, julgavam-se mais capazes, uma vez no poder, de realizar o sonho de preservação do sistema.
As intervenções de Aécio Neves, presidente do PSDB, são mais ambíguas. Aécio não assumia publicamente que era contra a Lava-Jato. No entanto, articulava leis para neutralizá-la, seja pela anistia ao caixa dois ou pela Lei de Abuso de Autoridade. No terceiro ano da Lava-Jato, Aécio é gravado tratando de dinheiro com Joesley Batista, um empresário, por boas razões, investigado em várias frentes.
A resistência do velho sistema foi se esfacelando até encontrar, agora em Temer, o último general, com uma tropa de veteranos da batalha de Eduardo Cunha, como o deputado José Carlos Marin. É um presidente impopular que se escora apenas na cativante palavra estabilidade. A mesma que Gilmar Mendes utiliza ao absolver a chapa Dilma-Temer diante de provas que o relator Herman Benjamin classificou de oceânicas.
Que diabo de estabilidade é essa? O Tribunal Superior Eleitoral, num espetáculo caro aos cofres públicos, perdeu toda a credibilidade. Mas mesmo ali, julgando um fato passado, a Lava-Jato estava em jogo. Não só porque desprezaram provas da Odebrecht.
O ministro Napoleão Nunes mostrou-se um bravo soldado do sistema em agonia. Referindo-se aos seus delatores, falou na ira do profeta passando a mão pelo pescoço, como se fosse decapitá-los. Num mesmo espetáculo, soterram provas contundentes, e um deles se comporta, simbolicamente, como se fosse um terrorista do Estado Islâmico.
Nada mais instável do que abalar a confiança na Justiça. As reformas necessárias, os 14 milhões de desempregados são uma realidade inescapável. Mas a estabilidade que o núcleo do governo está buscando é uma proteção contra a Lava-Jato. Oito ministros são investigados. O chamado núcleo duro, Moreira Franco e Padilha se agarram ao foro privilegiado.
Olhando o futuro próximo, não é a estabilidade que vejo, e sim turbulência. Um presidente desmoralizado pelos fatos policiais vai buscar todas as maneiras de se agarrar ao poder. Quando tiver de hesitar entre a estabilidade fiscal e a do seu cargo, certamente lançará mão de pacotes de bondades.
Mesmo um presidente indireto teria de seguir a sina de Lula, Renan, Jucá, Aécio e do próprio Temer. Uma das condições para que o Congresso escolha alguém é a promessa de proteção contra a Lava-Jato. Tarefa inglória. Todos falharam até agora. Por que um presidente nascido de uma escolha indireta teria êxito?
O seu trabalho seria desenvolvido num período eleitoral. A experiência mostra que nesses períodos a sociedade tem um peso maior sobre as decisões do Congresso.
Isso completa a visão de que não há estabilidade à vista, mas uma rota de turbulência. A escolha portanto é voar para frente ou para trás. Desligar ou não os aparelhos do velho e agonizante sistema politico partidário, ancorado na corrupção.
A ausência das manifestações de rua não significa que a sociedade perdeu o interesse. Pelo contrário, o impacto de espetáculos como o do TSE tem um longo alcance. É muito provável que, num momento em que achar necessário, vá comparecer com a célebre voz da rua. Se tudo o que aconteceu passar em branco, corremos o risco de nos transformar numa nação de zumbis. Com a exceção de praxe: os índios isolados da Amazônia.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 18/06/2017
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SOPRANDO VELINHAS

Fernando Henrique Cardoso foi Presidente da República do Brasil por dois mandatos consecutivos, de 1º de janeiro de 1995 a 1º de janeiro de 2003. É sociólogo, autor de vários livros sobre mudança social e os condicionantes políticos do desenvolvimento do Brasil e da América Latina.
 Nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1931, em uma família de militares. Foi casado com a antropóloga Ruth Corrêa Leite Cardoso, com quem teve três filhos. Licenciado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), da qual se tornou professor em 1953, obteve também os graus de doutor e de livre docente.
Engajado nas lutas pela melhoria do ensino público e pela modernização da universidade, foi perseguido depois do golpe de 1964. Viveu exilado no Chile e na França, pesquisando, escrevendo e lecionando. Voltou ao Brasil em 1968 e assumiu por concurso público a cátedra de Ciência Política da USP. Em 1969, foi aposentado compulsoriamente e teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 5.
Em 1969 criou em São Paulo com outros professores e pesquisadores cassados, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que se tornaria um importante núcleo de pesquisa e reflexão sobre a realidade brasileira. Paralelamente, lecionou em universidades americanas (de Princeton e da Califórnia, em Berkeley) e europeias (Paris, Cambridge e UK). Em palestras e artigos publicados em vários órgãos de imprensa, destacou-se como crítico do regime militar e defensor de uma transição pacífica para a democracia. Desde 2003, acompanha a política brasileira em coluna mensal de O Globo e O Estado de S. Paulo.
O político
Em 1974, a convite de Ulysses Guimarães, presidente do MDB, coordenou a elaboração da plataforma eleitoral do partido. Em 1978, concorreu ao Senado pelo MDB e se elegeu suplente de Franco Montoro. Em 1983, com a eleição de Montoro para o governo de São Paulo, assumiu sua vaga no Senado. Teve participação destacada na campanha das Diretas-Já e na articulação da candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República em 1984.
Indicado por Tancredo, líder do governo no Congresso Nacional, conduziu em nome do governo as mudanças na legislação eleitoral e partidária que abririam caminho para a democratização da vida política do país.
 Em 1985, foi candidato a prefeito de São Paulo e perdeu por 30.000 votos para o ex-presidente Jânio Quadros do PTB. No ano seguinte, reelegeu-se para o Senado com 6 milhões de votos, a segunda maior votação no Estado numa eleição majoritária.
 Foi líder do PMDB no Senado e um dos relatores do Congresso Constituinte de 1987/88. No fim de 1988, inconformado com a falta de definições do PMDB em relação ao governo do presidente José Sarney e a temas polêmicos da Constituinte, saiu do partido para fundar o PSDB, ao lado de Mario Covas, Franco Montoro, José Serra e lideranças vindas de outras agremiações.
Depois do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em outubro de 1992, assumiu o Ministério das Relações Exteriores do governo do presidente Itamar Franco. Em maio de 1993, atendendo a uma convocação do Presidente, mudou-se para o Ministério da Fazenda. A inflação beirava os 30% ao mês e temia-se a deterioração da situação política do país. Contra a opinião dos que só julgavam ser possível atacar a inflação depois da posse do próximo governo em 1995, conseguiu mobilizar uma maioria parlamentar e amplo apoio de opinião pública a favor do seu plano de estabilização, o Plano Real. Este incluiu medidas drásticas de controle do déficit público e uma reforma monetária que se completou com a entrada em circulação de uma nova moeda, o real, em julho de 1994.
Deixou o Ministério da Fazenda em abril de 1994 para assumir a candidatura à Presidência da República pela coligação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), da Frente Liberal (PFL) e Trabalhista do Brasil (PTB). Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1994, no primeiro turno, com 54,3% dos votos, sendo empossado em 1º de janeiro de 1995. Veja aqui o curriculum-vitae completo de FHC.
O governante
Em 4 de junho de 1998, o Senado aprovou a emenda que permitia a reeleição para mandatos do Executivo nos âmbitos federal, estadual e municipal. Em 4 de outubro de 1998, FHC e o vice Marco Maciel foram reeleitos no primeiro turno pela coligação PSDB, PFL, PTB e PPB. FHC obteve 53,06% dos votos válidos contra 31,71% conferidos a Luiz Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT) e 10,97% a Ciro Gomes, do Partido Popular Socialista (PPS). Tomou posse em 1º de janeiro de 1999.
 Com a reeleição, Fernando Henrique tornou-se o primeiro presidente da história do Brasil a ocupar a chefia do Executivo por dois mandatos consecutivos. A Presidência foi marcada pela consolidação da estabilidade econômica, por reformas na economia, Previdência Social e administração pública e pela democratização do acesso às políticas sociais. Em 2002, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, o presidente Fernando Henrique Cardoso encaminhou o processo de transição democrática com representantes do novo governo.
 Rotuladas de "neoliberais" e duramente combatidas durante seu governo, suas políticas nas áreas econômica, social e institucional foram em linhas gerais mantidas pela oposição depois que assumiu o governo em 2003.
Sob o impacto do êxito do Plano Real, o maior desafio do governo de FHC foi manter a estabilização da moeda e, ao mesmo tempo, promover o crescimento econômico. Com esse objetivo, o governo submeteu à aprovação do Congresso Nacional uma série de medidas para alterar a Constituição Federal de 1968 e, assim, promover uma mudança estrutural na feição do Estado brasileiro, na tentativa de adaptá-lo ao novo funcionamento da economia mundial. Assim, determinados temas passaram a fazer parte do cotidiano político nacional, tais como reforma administrativa e previdenciária, desregulamentação de mercados, flexibilização das regras de contratação de mão-de-obra e fim do monopólio estatal nas áreas de siderurgia, energia elétrica e telecomunicações.
 A reforma da Administração Federal e da Previdência Social, consideradas fundamentais na redução dos gastos públicos foram longamente debatidas no Congresso e sofreram diversas modificações. O programa de privatizações, objeto prioritário na estratégia do governo, foi alvo de críticas acirradas da oposição, que questionava as avaliações sobre o valor das empresas e, em alguns casos, como o da companhia Vale do Rio Doce (CVRD), o próprio valor estratégico do setor. Em maio de 1997, o controle acionário passou para um consórcio formado por bancos nacionais e estrangeiros, estes minoritários, e fundos de pensão nacionais. A despeito das críticas, o programa foi implementado com eficácia: o setor de energia elétrica, na área de distribuição e geração regional foi completamente privatizado; o setor das telecomunicações, incluindo a Telebrás e as empresas telefônicas estaduais, passou às mãos da iniciativa privada na segunda metade de 1998; teve fim o monopólio da Petrobras sobre a exploração e o refinamento do petróleo e sobre a exploração do gás natural.
Em 1994, com o lançamento do Real e a desindexação da economia, o governo proibira o reajuste automático dos salários pela inflação e estabelecera a livre negociação entre patrões e empregados. Em novembro de 1995, uma medida provisória ampliou os poderes do Banco Central para intervir, quando necessário, nas instituições bancárias, com o objetivo de evitar que a crise que atingiu o setor – resultante da queda das taxas de inflação, das medidas de contenção do consumo e da consequente diminuição dos lucros obtidos com a especulação financeira—se alastrasse e comprometesse o sistema financeiro e foi também regulamentado o Programa de Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).
 Fortemente inserido nos mercados financeiros internacionais, o Brasil enfrentou, durante o governo FHC um quadro internacional adverso, com sucessivas crises externas, destacando-se a do México (dez. 1994) e a da Rússia (1998), que chegou a decretar moratória de sua dívida externa, verificando-se nessas ocasiões uma expressiva saída de divisas do país. Em que pese os fortes vínculos existentes entre a economia nacional e o capital estrangeiro, o Brasil demonstrou capacidade superior a de outros países para absorver as crises externas e se recuperar. A estabilização da economia, com a contenção do processo inflacionário, permitiu o crescimento da renda média dos trabalhadores assalariados. Contudo, os mecanismos utilizados na defesa da moeda nacional e a manutenção das altas taxas de juros implicaram um ritmo lento do crescimento econômico e, em decorrência, a elevação do índice do desemprego, que foi de 5,6% em 1997 a 7,6% em 1998 (Fundação IBGE) e a 10,7% no final do 2º mandato. Elevação atribuída à desconfiança dos mercados, à elevação do “risco Brasil” e à disparada da cotação do dólar provenientes do receio da vitória do candidato do PT.
 No que diz respeito à política agrária, apesar da elevação das alíquotas de transmissão de propriedades improdutivas, da aprovação de leis possibilitando sua desapropriação imediata e do aumento do número de famílias assentadas, aumentaram as manifestações e ocupações de fazendas promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
O segundo mandato iniciou com a ruptura da política cambial até então praticada: logo em janeiro, o real foi desvalorizado e o Banco Central adotou a livre flutuação do dólar, o que contribuiu para o aumento das exportações e a redução da taxa de juros. A implementação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), assinado no ano anterior, exigira o alcance de metas rígidas, entre elas um superávit fiscal elevado. Destacou-se então a aprovação, pelo Congresso Nacional, em maio de 2000, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que dispôs sobre o planejamento, a execução e a elaboração de relatórios orçamentários por parte dos Estados e municípios. A necessidade de ampliar as exportações foi atendida pelo crescimento de 19% da produção agroindustrial entre 2000 e 2003. Entretanto, a crise de energia elétrica entre junho de 2001 e março de 2002 acarretou um racionamento de eletricidade para todos os setores da sociedade. Em meados de agosto de 2002, em meio ao processo eleitoral, a desconfiança dos mercados e a disparada da cotação do dólar levaram o governo a fechar um novo acordo de 30 bilhões de dólares. No final de 2002, a inflação estava em dois dígitos e a taxa de desemprego em 9,4%.
 As reformas, embora limitadas pela forte oposição no Congresso Nacional, abriram caminho para a modernização da infra-estrutura econômica, com a abertura para investimentos privados nos setores de telecomunicações, energia elétrica, petróleo, transportes e mineração. A expansão do déficit previdenciário foi parcialmente contida. Criaram-se as bases constitucionais para regimes mais flexíveis de contratação e gestão de pessoal no setor público, incluindo processos de avaliação de desempenho.
Começou-se a corrigir o viés historicamente regressivo das políticas sociais no Brasil, que costumavam privilegiar camadas médias e altas em detrimento das maiorias mais carentes da população. O acesso ao ensino fundamental por meio dos programas sociais: PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil; Toda Criança na Escola; Bolsa-Escola; ao atendimento básico de saúde (Programa de Saúde da Criança e Aleitamento Materno; Programa de Saúde da Família; Programa de Agentes Comunitários de Saúde); a regulamentação dos remédios genéricos e à Previdência Social foi praticamente universalizado. Os pequenos agricultores tiveram acesso amplo à terra e ao crédito (Programa de apoio à Agricultura Familiar). A assistência aos idosos e portadores de deficiência foi ampliada. Uma rede de proteção social garantiu transferências de renda a mães e crianças abaixo da linha de pobreza e estimulou sua frequência à escola e à rede básica de saúde.
 Em 1999, a população era de 169 milhões de brasileiros. Permaneceu a desigualdade de renda – a metade mais pobre representava 12% da renda total, mas a taxa de analfabetismo caíra de 19.75 para 12.85. Pela evolução positiva dos indicadores sociais do Brasil em seu período de governo, recebeu das Nações Unidas em 2002, o prêmio “Mahbub ul Haq por Notável Contribuição ao Desenvolvimento Humano”.
 O intelectual
Além da Universidade de São Paulo, da qual é professor emérito, ensinou nas Universidades de Santiago do Chile; da Califórnia (Stanford e Berkeley) e de Brown nos Estados Unidos; de Cambridge na Inglaterra; de Paris-Nanterre, na École des Hautes Études en Sciences Sociales e no Collège de France, na França. Foi presidente da Associação Internacional de Sociologia (1982-1986). Recebeu o Doutorado Honoris Causa de mais de 20 universidades, das mais prestigiadas. Foi membro honorário estrangeiro da American Academy of Arts and Sciences.
Muitos dos seus livros foram publicados no Brasil e no exterior. O conjunto dos seus pronunciamentos e discursos quando presidente da República, Palavra do Presidente, foi publicado em dezesseis volumes pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Brasília, 2002). Tem artigos em periódicos de vários países. No Brasil, colaborou nas revistas Anhembi, Brasiliense, Novos Estudos Cebrap e Revista USP, entre outras. Veja aquia Bibliografia completa de FHC.
Em 2005, foi eleito um dos 100 maiores intelectuais públicos do mundo, em levantamento da revista britânica Prospect.
 Para uma visão panorâmica do Arquivo Fernando Henrique Cardoso clique aqui.
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A PARADA QUE LACRA

Celebrando a diversidade, a Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo chega a sua 21ª edição. A Parada será neste domingo (18), a partir do meio-dia na Avenida Paulista, com o tema "Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico”.  Com 19 trios elétricos, 32 DJs, os organizadores do evento pretendem levar mais de 3 milhões de participantes.
Neste ano não tem eleições, será difícil encontrar políticos em cima de um trio elétrico. Em ano eleitoral, os trios elétricos viram palanques para políticos oportunistas. Em busca de aparecer na mídia arco-íris, eles disputam cada metro quadrado nos trios que até parece camarote de cervejaria na Marquês de Sapucaí.
Porém, haverá políticos no evento que estão engajados com a causa LGBT há muitos anos, por exemplo, a senadora, Marta Suplicy (PMDB-SP), que participou de todas  edições da Parada do Orgulho Gay de São Paulo.
Marta é autora do projeto de lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo que estava engavetado na Câmara há mais de 19 anos. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união homoafetiva.
Junto com o Salão do Automóvel e a Fórmula 1, a Parada do Orgulho Gay de São Paulo já faz parte oficialmente do calendário de eventos  de São Paulo.  Segundo o Guinness Book – o livro dos recordes – é a maior manifestação mundial do gênero. Em São Paulo, segundo informações, o evento só perde para a Fórmula 1 em faturamento.
Segundo pesquisa realizada nesta semana na capital paulista, cada frequentador da Parada gasta por dia cerca de R$ 1.850 com hospedagem, alimentação e preparativos para o dia da Parada. O clima de festa arco-íris começa uma semana antes do dia do evento, com a "Semana da Diversidade".

Para abrir a Semana da Diversidade, aconteceu entre os dias 9 e 13, a Mostra de Cinema, com exibição de filmes e documentários da temática LGBT. No dia 11, o encontro foi no Parque Vila do Rodeio para homenagear às vitimas de LGBTfobia. Foram plantadas 100 mudas de árvores. O projeto Em Memória – Homenagem ás vítimas de violência contra LGBT busca transformar um fato triste em esperança.
A Parada que nas últimas edições estava com uma cara carnavalesca, nesta edição voltou a focar no combate ao preconceito, discriminação; a luta da comunidade LGBT tem sido de grandes desafios, a cada ano o viés político tem se fortalecido no evento, onde os defensores do movimento gay colocam em discussões as políticas públicas da causa LGBT.
Entre as lutas da comunidade gay, está a aprovação do Projeto de Lei Complementar 122 /06 que pune a homofobia no Brasil. O PLC122/06 está abafada no Senado, sem previsão de ser colocado em pauta.
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sábado, 17 de junho de 2017

ENTREVISTA EXPLOSIVA

Da ÉPOCA
Na manhã da quinta-feira (15), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, recebeu ÉPOCA para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato. Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” – e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula “institucionalizou” a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014. O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.
A seguir, os principais trechos da entrevista publicada na edição de ÉPOCA desta semana. Leia as 12 páginas da conversa com Joesley na edição que chega às bancas neste sábado (17) ou disponível agora nos aplicativos ÉPOCA e Globo+:
ÉPOCA – Quando o senhor conheceu Temer?
Joesley Batista – Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório da Praça Pan-Americana, fui várias vezes ao escritório no Itaim, fui várias vezes à casa dele em São Paulo, fui alguma vezes ao Jaburu, ele já esteve aqui em casa, ele foi ao meu casamento. Foi inaugurar a fábrica da Eldorado.
ÉPOCA – Qual, afinal, a natureza da relação do senhor com o presidente Temer?
Joesley – Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, e eu ia lá.
ÉPOCA – Conversar sobre política?
Joesley – Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que me chamava, eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.
ÉPOCA – Segundo a colaboração, Temer pediu dinheiro ao senhor já em 2010. É isso?
Joesley – Isso. Logo no início. Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.
ÉPOCA – Ele sempre pediu sem algo em troca?
Joesley – Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes.
ÉPOCA – E ajudou?
Joesley – Não chegamos a contratar. Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça [Pan-Americana, em São Paulo]. Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.
ÉPOCA – Ele explicava a razão desses pedidos? Por que o senhor deveria pagar?
Joesley – O Temer tem esse jeito calmo, esse jeito dócil de tratar e coisa. Não falava.
ÉPOCA – Ele não deu nenhuma razão?
Joesley – Não, não ele. Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.
ÉPOCA – O empréstimo do jatinho da JBS ao presidente também ocorreu dessa maneira?
Joesley – Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”. Acha que o cargo já o habilita. Sempre pedindo dinheiro. Pediu para o Chalita em 2012, pediu para o grupo dele em 2014.
ÉPOCA – Houve uma briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, segundo o lobista Ricardo Saud, que está na colaboração da JBS.
Joesley – Ricardinho falava direto com Temer, além de mim. O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.
ÉPOCA – Como era a relação entre Temer e Eduardo Cunha?
Joesley – A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.
ÉPOCA – Segundo as provas da delação da JBS e de outras investigações, o senhor pagava constantemente tanto para Eduardo Cunha quanto para Lúcio Funaro, seja por acertos na Câmara, seja por acertos na Caixa, entre outros. Quem ficava com o dinheiro?
Joesley – Em grande parte do período que convivemos, meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo. “Presidente, o negócio do Ministério da Agricultura, o negócio dos acertos…” Ele dizia: “Joesley, essa parte financeira toca com o Eduardo e se acerta com o Eduardo”. Ele se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.
ÉPOCA – O senhor realmente precisava tanto assim desse grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer?
Joesley – Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura – todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram. O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.
ÉPOCA – Pode dar um exemplo?
Joesley – O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: “Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI”. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”. “Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.” Falei: “Não, não tem problema”. “Você tá louco?” Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: “É sério que não tem problema?”. Eu: “É sério”. Ele: “Não vai te prejudicar em nada?”. “Não, Eduardo.” Ele imediatamente falou assim: “Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões”. “Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.” Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim.
ÉPOCA – Algum outro?
Joesley – Lúcio fazia a mesma coisa. Virava para mim e dizia: “Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro”. Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. É uma coisa de louco.
ÉPOCA – O senhor não pagou?
Joesley – Nesse tipo de coisa, não. Tinha alguns limites. Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente.
ÉPOCA – O chefe é o presidente Temer?
Joesley – O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.
ÉPOCA – No decorrer de 2016, o senhor, segundo admite e as provas corroboram, estava pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos já presos na Lava Jato, com quem o senhor tivera acertos na Caixa e na Câmara. O custo de manter esse silêncio ficou alto demais? Muito arriscado?
Joesley – Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: “Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?”. Ele disse: “O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda”.  Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.
ÉPOCA – E o Lúcio Funaro?
Joesley – Foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: “Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família”. Lúcio era a mesma coisa: “Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato”.
ÉPOCA – E eles cumpriram o acerto, não?
Joesley – Sim. Sempre me mandando recados: “Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você”. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema.
ÉPOCA – Quem era o mensageiro?
Joesley – Geddel. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.
ÉPOCA – O ministro Geddel falava em nome do presidente Temer?
Joesley – Sem dúvida. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução.
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OLHE PARA A LENTE DA VERDADE

Se estivesse vivo, Clodovil Hernandes, completaria hoje 80 anos. Um dos artistas mais polêmicos, completos, carismáticos do país, Clodovil faleceu aos 71 anos. Contundente em suas posições, palavras cortantes, ao mesmo tempo era de coração generoso.
Costureiro, apresentador de tv, ator e deputado federal, o segundo mais votado na eleição de 2006 – mais de 490 mil votos – Clodovil Hernandes teve sua vida marcada por polêmicas. Por onde passou deixou alguns desafetos e muitos amigos.
Em 1985, Clodovil recebeu uma homenagem de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na canção Deixa a tanga voar.
Biografia: Nasceu em Elisário (SP). Nos anos 60 e 70, Clodovil foi uma das figuras máximas da alta-costura brasileira. Os modelos assinados pelo estilista eram disputados por socialites e celebridades. Ainda no começo dessa carreira, ganhou o prêmio mais cobiçado do mundo da moda, o Agulhas de Ouro.

Clodovil faleceu no dia 17 de março de 2009, em Brasília no Hospital Santa Lúcia. O deputado teve morte cerebral anunciada pelo diretor do hospital, após 30 horas de ser encontrado desmaiado em sem seu apartamento, em Brasília. 

Abaixo, um dos discursos contundentes do deputado federal Clodovil Hernandes.
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

MORRE HELMUT KOHL

Do G1, Jornal Nacional
Morreu nesta sexta-feira (16), aos 87 anos, o arquiteto da reunificação da Alemanha, que comandou o país por 16 anos, o ex-primeiro-ministro Helmut Kohl.
A Alemanha e a Europa vivem praticamente o mesmo luto. Um dos maiores líderes políticos do século XX morreu nesta sexta, em sua casa, no Sul de um país que é o que é hoje muito por causa dele.
Helmut Kohl chegou ao poder em 1982, quando um muro ainda dividia Berlim. Deixou o cargo em 1998, num momento em que o país já caminhava para ser a potência que é hoje.
Kohl foi protagonista da história num tempo em que o mundo vivia um estado de tensão terrível com a Guerra Fria, entre comunistas e capitalistas. Ele foi fundamental para derrubar o muro que separava as Alemanhas e vai ser lembrado como um político de grande estatura.
Assim que o muro começou a cair, ainda naquele clima de muita euforia e também incertezas políticas, Helmut Kohl apresentou seu plano: conseguiu apoio de soviéticos e americanos, e no dia 3 de outubro de 1990, sobre o muro, no céu de Berlim, uma queima de fogos comemorou a reunificação da Alemanha.
Já naquele momento Helmut Kohl olhou mais longe e enxergou o futuro: era preciso juntar os cacos, unir a Europa, ainda mais do que antes da Guerra Fria, mais até do que antes da Segunda Guerra Mundial.
Helmut Kohl ajudou a construir a União Europeia, e foi decisivo ao convencer os alemães a abrir mão de sua moeda, o marco, para adotar o euro. Terminou sua carreira, no entanto, com um escândalo financeiro de caixa dois no Partido Democrata Cristão.
Foi sua afilhada política, Angela Merkel, na época secretária do partido, quem o levou a abandonar a política. Hoje, como primeira-ministra, ela agradeceu a Helmut Kohl.
“Foi um grande alemão, um grande europeu”, disse Merkel sobre o homem que moldou a Europa e boa parte do mundo como a gente conhece hoje.
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DESEMBARQUE DO GOVERNO

O ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade, enviou nesta sexta-feira (16) uma carta ao presidente Michel Temer anunciando sua saída da pasta. Em entrevista exclusiva ao repórter da Jovem Pan Tiago Muniz, Andrade disse que assumiu um Ministério absolutamente inviável do jeito que está.
De acordo com ele, a insatisfação no cargo era crescente e o orçamento recebido ainda pelo então ministro Roberto Freire era um recurso muito precário para qualquer coisa. "Um Ministério que estava em uma situação absolutamente precária. Porque o Ministério tinha sofrido um corte de 43% do seu orçamento. Então, com esse corte, o Ministério mal consegue andar. Não consegue desenvolver projeto nenhum", afirmou Andrade.
Segundo o ministro interino da Cultura, a gota d'água para a sua saída da pasta aconteceu na escolha do novo presidente da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Andrade disse que o governo "passou por cima" da indicação do Ministério da Cultura e inviabiliza economicamente e politicamente a pasta.
Para ele, foi criado esse desgosto crescente com relação à pasta e gerou um incômodo com essa situação de administrar um Ministério com toda essa "inviabilidade" e também com esse "grau de desrespeito".
"A Debora Ivanov era a indicação de todas as entidades do cinema e também do Ministério da Cultura. O governo resolveu que vai nomear outra pessoa. E, ao mesmo tempo, já enviou pro Senado a indicação de uma outra pessoa para diretora, porque teria mais uma vaga na Ancine", contou o ministro.
"Então, completamente atropelou a iniciativa do Ministério, não levou em conta as indicações do Ministério. Então, com o Ministério sem orçamento e desautorizado, eu pergunto: o que eu tô fazendo aqui? Essa foi a gota d'água", desabafou Andrade.
O ministro da Cultura afirmou ainda que a situação deixa o Ministério "desprestigiado" e prevê, na atual circunstância, um futuro "péssimo" para a pasta.
Confira no áudio acima a íntegra da entrevista de João Batista de Andrade.
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MALA PRETA AOS TRÊS ANOS DA LAVA JATO

Artigo de Fernando Gabeira
O Brasil não é para principiantes. Tantas vezes ouvimos essa frase que se tornou lugar-comum. A fase de combate à corrupção iniciada há três anos pela Lava Jato pode levar-nos a conclusões maniqueístas, do tipo bem contra o mal, republicanos contra patrimonialistas.
Olhando de perto, a frente que se coloca contra o trabalho da Lava Jato é muito mais ampla do que o grupo dos grandes partidos que articulam para destruí-la, no governo e no Congresso.
Líder entre os juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que absolveram a chapa Dilma-Temer, apesar das provas, Gilmar Mendes fixou-se num argumento importante: o da estabilidade. Quem a rejeita, num país com 14 milhões de desempregados? O argumento de estabilidade deveria sempre estar sobre a mesa.
No entanto, conforme mostrou Bolívar Lamounier, em intervenção recente, um julgamento visto por todo o País no qual se enterram as provas é um fator de instabilidade. Cava um novo fosso entre a sociedade e as instituições, revelando uma Justiça Eleitoral, pouco conhecida até então, como um artefato de outra galáxia.
Em outra posição dentro da grande frente adversária estão os responsáveis, jornalistas próximos ao Planalto e o próprio PSDB, que saltou para a enganadora maciez dos cargos no governo.
Interessante classificar os que pedem a queda de Temer como irresponsáveis. Já que estamos usando a palavra, é bom lembrar que não somos presidentes nem recebemos um empresário investigado à noite, sem anotação na agenda, usando senhas no portão de entrada.
Não nos parece responsável um presidente que mantém aquele tipo de diálogo, tarde da noite, com o dono da Friboi. Tampouco parece responsável designar como interlocutor do empresário Joesley Batista um assessor especial que, horas depois, é filmado carregando a mala com R$ 500 mil.
Para ficar no universo mínimo de uma só palavra, a irresponsabilidade decisiva foi de Temer. Supor que três anos depois da Lava Jato não só tudo terminaria em pizza, como o dinheiro da propina seria pago diretamente na Pizzaria Camelo.
Foi Temer sozinho que arruinou suas chances de conduzir as reformas e jogou para fora da pinguela uma grande parte da sociedade, já constrangida com ela, mas vendo-a como a única saída momentânea. A maioria tem o direito de rejeitar um presidente que se envolve em práticas tão sospechosas. De achar que ele deva ser investigado, mas que os dados já expostos o desqualificam para o cargo.
Neste instante, a pergunta dos que defendem a instabilidade: se Temer cair, não pode ser pior, o caos não tomaria conta? A hipótese das diretas é bom tema para uma pajelança, mas não é uma proposta viável, na medida em que sua aprovação depende do
Congresso.
Não tenho ilusões sobre um presidente eleito pelo atual Parlamento. Também ele seria escolhido com base numa promessa de neutralizar a Lava Jato. Independentemente de seu perfil, ele terá, de alguma forma, de comandar a frente contra as investigações.
Lula cumpriu o seu papel, a cúpula do PMDB e o presidente do PSDB também o cumpriram. Nesse particular, até o momento foram derrotados.
Temer está em guerra aberta contra a Lava Jato. Usa a mesma tática de Lula contra Moro. Agora o general a abater nas hostes adversárias é o ministro Edson Fachin. Esta semana surgiu a notícia de que Temer teria usado a Abin para investigar a vida de Fachin, descobrindo seus pontos fracos. Atribui-se a notícia a um assessor de Temer. Se isso foi mesmo assim, fico em dúvida se ele queria atingir seu chefe ou deixar no ar uma suspeita sobre Fachin.
Na Câmara, um dos veteranos da batalha Eduardo Cunha, o deputado José Carlos Marin, tornou-se vice-líder do governo. E disse que é perfeitamente legal a Abin investigar um ministro do STF.
Marin e outros veteranos da batalha de Cunha articulam uma CPI da JBS e o objetivo principal é levar Fachin para depor. Fachin é o Moro de Temer, até que Temer caia do governo nos braços do próprio Moro.
Estranha estabilidade a que nos oferecem os defensores da presença de Temer. Nos tribunais as provas não valem. Durante as investigações também pouco importam: em vez de se defenderem, os acusados passam a atacar os investigadores.
A máquina do Estado volta-se agora contra as instituições que realmente estão trabalhando com seriedade, desvelando o esquema continental de corrupção. Temer assumiu a mesma tática de Lula. E sem nenhuma combinação prévia se prepara para gastar dinheiro com um pacote de bondades que o tire do isolamento de hoje. Nem os próprios defensores da estabilidade econômica pensavam num desdobramento como esse.
Quando se desenha uma estabilidade com um presidente na corda bamba, as pretensões, mesmo legítimas, vão esbarrar a cada instante na sua própria negação. Ao invés do termo estabilidade, para conservar o que já existe, prefiro uma expressão para mudar o que está aí: equilíbrio dinâmico.
Se Temer incorreu em crime, ele precisa sair. Um novo presidente, eleito pelo Congresso, fará parte do mesmo bloco contrário ao da sociedade que apoia a Lava Jato. Mas como seria o último a tentar a batalha final, talvez tivesse algum cuidado – nessa guerra já caíram alguns dos principais expoentes da política brasileira. Num ano eleitoral existe uma chance de a sociedade controlar um pouco mais o Parlamento e o presidente escolhido por ele.
Não é um futuro dos sonhos. É um caminho difícil no rumo das mudanças, mas é o que a Constituição nos oferece. Teremos muito ainda que suportar. Mas será um fardo menor que enterro de provas nos tribunais e guerra contra investigações que podem destruir o gigantesco esquema de corrupção.
Por enquanto, vamos assistir à guerra de Temer contra a Lava Jato. Apertem, pois, os cintos: o que chamam de estabilidade nós chamamos de turbulência.
Artigo publicado no Estadão em 16/06
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SOB SUSPEITA

As suspeitas de que o governador Pedro Taques (PSDB) tenha se beneficiado de caixa dois na eleição de 2014 e de supostas interceptações telefônicas clandestinas para monitorar rivais colocam mais uma vez um ocupante do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, nos holofotes de investigações.
Os últimos três governadores do Estado tiveram as gestões marcadas por acusações. O penúltimo, Silval Barbosa (2010-2014), do PMDB, ficou detido por um ano e oito meses pela Operação Sodoma e, desde a última terça (13), cumpre prisão domiciliar.
Taques foi eleito ainda no primeiro turno, ancorado na carreira de procurador da República. Em maio de 2016, viu o Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de Mato Grosso, deflagrar a Operação Rêmora, contra fraudes em processos licitatórios na Secretaria da Educação.
As investigações apontaram que o suposto esquema começou em 2015 e envolvia ao menos 23 obras em escolas, com valores totais que ultrapassam R$ 56 milhões.
Segundo depoimento do empresário Alan Malouf, preso em dezembro, o objetivo era quitar dívidas não declaradas da campanha de 2014. Malouf tenta firmar acordo de delação premiada, mas tem encontrado resistência.
No mês passado, Taques foi atingido pela revelação da existência de uma central clandestina de interceptações telefônicas dentro do comando da Polícia Militar.
Telefones de uma deputada da oposição –Janaina Riva (PMDB)– e de ex-vereador, desembargador aposentado, assessor de desembargador, assessor da vice-governadoria, advogados, jornalistas e servidores foram inseridos ilegalmente num pedido de quebra de sigilo para investigar traficantes no Estado.
O sistema teria operado entre 2014 e 2015. O promotor Mauro Zaque, que era secretário da Segurança Pública, descobriu o esquema e levou o caso ao governador, exigindo a demissão dos envolvidos.
Mas, de acordo com ele, Taques não os demitiu e, por isso, Zaque deixou o cargo. O caso é apurado pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
OUTROS CASOS
Antes de Taques, outros dois ex-governadores se viram em meio a denúncias. Silval Barbosa (PMDB) foi preso em setembro de 2015 na Operação Sodoma, que investiga esquema de cobrança de propina para beneficiar empresas no programa de incentivos fiscais do Estado, com o objetivo de financiar e pagar dívidas de campanha.
Seu antecessor, Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura, é acusado de ter participado de esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas, em 2008.
Recentemente, Maggi viu seu nome ser envolvido na Lava Jato. Depoimentos de dois ex-executivos da Odebrecht resultaram na abertura de inquérito para apurar possível cobrança de propina para a sua candidatura ao governo de Mato Grosso em 2006.
Taques e Maggi negam envolvimento com as supostas irregularidades, enquanto Silval, segundo sua defesa, optou por fazer confissões pontuais –que levaram à sua libertação e à fixação de multa de R$ 46,6 milhões aos cofres públicos.
OUTRO LADO
Por meio de sua assessoria, o governador Pedro Taques (PSDB) classifica os grampos dentro do comando da PM como graves e diz que solicitou apuração por meio da Secretaria da Segurança Pública.
Ele também afirma que as acusações do empresário Alan Malouf são "absurdas e levianas" e que suas contas referentes à campanha eleitoral de 2014 foram aprovadas.
O advogado de Silval Barbosa, Délio Lins e Silva Junior, diz que seu cliente "assumiu uma nova postura defensiva e optou apenas por fazer confissões pontuais acerca de determinados temas".
Silval admitiu à Justiça o recebimento de propinas por secretários pela manutenção de contratos e por desapropriações de terrenos, além de doações ilegais para campanhas eleitorais de seus aliados. Ele prestará depoimentos a partir de 5 de julho.
Também por meio de nota, Blairo Maggi disse que o processo contra ele foi arquivado em maio do ano passado pelo STF. Porém, novas denúncias foram apresentadas à PGR e estão sob sigilo.
Já sobre a suposta compra de vagas no TCE, Maggi nega participação.
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